Princípios da Agroecologia

Agricultura sustentável tem que considerar aspectos socioeconômicos e culturais dos grupos sociais implicados. Não basta proteger e melhorar o solo ou a produtividade agrícola se não resulta em melhorias nas condições de vida das pessoas envolvidas. Portanto, agricultura sustentável é um conceito que implica aspectos políticos e ideológicos que tem a ver com o conceito de cidadania e libertação dos esquemas de dominação impostos por setores de nossa própria sociedade e por interesses econômicos de grandes grupos, de modo que não se pode abordar o tema reduzindo outra vez as questões técnicas.

Francisco Roberto Caporal

http://www.aba-agroecologia.org.br/

grãos

"Muita gente pequena, em muitos lugares pequenos, fazendo coisas pequenas, mudarão a face da Terra". provérbio africano

Como os lobos mudam rios

Como se processa os animais que comemos

Rio Banabuiu

https://youtu.be/395C33LYzOg

A VERDADE SOBRE O CANCER

https://go.thetruthaboutcancer.com/?ref=3b668440-7278-4130-8d3c-d3e9f17568c8
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domingo, 28 de agosto de 2016

ASA - Compartilhando Idéias - ano 9 - nº 345

Boletim da Articulação Semiárido - ASA
Quarta, 24 Agosto 2016 - ano 9 - nº 345
ACOMPANHE A ASA TAMBÉM NAS REDES SOCIAIS

Mulheres unidas não se calam diante de um governo machista

SÉRIE NENHUM DIREITO A MENOS | Maria Aparecida da Silva (Cida Silva) é agricultora, mãe de cinco filhos, e secretária de Política Agrícola e Meio Ambiente do Sindicato de Porta da Folha, em Sergipe. É também integrante de uma associação de mulheres que tem o objetivo de produzir alimentos saudáveis. A cerca de 500 km de Porto da Folha, no município de Queimadas, na Paraíba, a agricultora Angeneide Pereira de Macedo também desenvolve um trabalho com mulheres, mais especificamente com quintais produtivos. Ela também é diretora do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais e teve cinco filhos.
Em vários cantos do país, de norte a sul, no campo e na cidade, existem mulheres como Cida e Angeneide que desempenham diversas funções e que estão unidas na luta contra as desigualdades de gênero. Para muitas delas, o trabalho com outras mulheres em seus mais variados formatos seja no âmbito local, estadual ou nacional tem sido catalisador de mudanças que vão desde uma maior consciência sobre o seu papel de mulher como sujeito político até o enfrentamento e a superação da violência, que é um problema grave do país.

Em todos os Estados começam preparativos para o 22º Grito dos/as Excluídos/as Nacional

Dia 7 de Setembro. Dia da Independência do Brasil. Mas de que independência estamos falando? Essa é uma das reflexões propostas pelo Grito dos/as Excluídos/as Nacional que há 22 anos leva as demandas populares para as ruas. Com o lema “Este sistema é insuportável: Exclui, degrada, mata!” e tema “Vida em primeiro lugar”, o Grito seguirá denunciando as várias formas de desigualdades do país e apontando qual o real papel do Estado diante de tanta exclusão.

 

Incubadora da Ufal cria Banco Comunitário em parceria com a AAGRA

Para promover o acesso a serviços financeiros e bancários a Incubadora Tecnológica de Economia Solidária da Ufal (Ites) inaugurou, na cidade de Igaci, o Banco Comunitário Olhos D’água. A ideia é atender populações mais pobres e excluídas do sistema financeiro ou em dificuldades de acesso ao crédito nos bancos comerciais. A lógica de finanças solidárias do Banco Comunitário articula cinco eixos de ações: microcrédito solidário, moeda social, educação financeira, correspondências bancária e apoio à comercialização.

 

Mulheres sertanejas dão continuidade à luta e à sua história

O Sertão pernambucano marcou o início da luta e organização das mulheres trabalhadoras rurais no estado, mais precisamente a partir de 1981, período em que o Nordeste vivia seu terceiro ano de seca e elas tiveram que lutar para participarem das frentes de emergência implantadas pelo governo federal da época, que só permitia homens. Essas e outras histórias estão sendo revividas durante a realização do Encontro Regional de Mulheres Trabalhadoras Rurais, ontem e hoje (23 e 24), em Triunfo, sob a coordenação da Diretoria de Política para as Mulheres da Fetape.

RÁDIO ASA

Álbum sonoro de histórias do EnconASA

Ouvir as recordações e projeções dos laços de vida para a Convivência com o Semiárido. Este programa faz um convite para multiplicar as vozes de histórias e propostas que ecoam nos Encontros Nacionais da ASA - as edições do EnconASA. Há um resgate histórico sobre as oito edições realizadas e propostas e articulações para a próxima, que será realizada em novembro, no Rio Grande do Norte.

O CANDEEIRO

“Nós mulheres devemos ocupar novos espaços”

Quem arriscaria em dizer que aquela criança que acompanhava a mãe e o pai, Dona Domingas da Silva Cardoso e Seu Ariovaldo Gonçalves da Silva, no beneficiamento do Umbu, feito na cozinha de sua casa, seria a primeira mulher a presidir a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc). Com 13 anos de trabalho, a Coopercuc tem hoje como presidenta Denise Cardoso dos Santos.

PARTILHA DA SEMANA

SEMIÁRIDO NA MÍDIA


ASA NAS REDES
Encontro com mulheres de PE reforçou a afirmação do feminismo anticapitalista, antirracista e antipatriarcal nessa conjuntura de golpe e regressão de direitos.​     Educação Contextualizada:  No dia 11/08, foi realizado o Encontro Territorial do Projeto Cisternas nas Escolas, organizado pelo Cedasb, em Vitória da Conquista/BA.A sétima edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia atraiu um público de mais de cinco mil pessoas à cidade de Areial, no Agreste Paraibano.

Este boletim é uma produção da Assessoria de Comunicação da ASA (ASACom). Jornalista Responsável: Fernanda Cruz (DRT/PE 3367). Jornalistas: Gleiceani Nogueira (DRT/PE 3837), Ylka Oliveira (DRT/RN 00915), Daniel Lamir (DRT/PE 2809), Elka Macedo (DRT/BA 4280), Verônica Pragana (DRT/PE 2923) e Hugo de Lima.
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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Recursos para combate à seca no semiárido!

Governo libera recursos para combate à seca no semiárido
05 de junho de 2012  23h02  atualizado às 23h04


O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), através de uma parceria firmada com a rede de Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), vai utilizar tecnologias sociais para a construção de 41.030 obras de combate à seca no semiárido. Para a construção de 33.400 cisternas, serão investidos R$ 138,3 milhões, por meio do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC). Também serão construídos poços e represas para armazenagem de água para a produção de alimentos e criação de animais pelo Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2).
"Trabalhamos com oito tipos de tecnologias sociais para a captação de água, desde a perfuração de cisternas a construções de cisternas de calçadão, que é basicamente a construção de uma calçada de 200 m², que leva a água da chuva direta para uma cisterna. Essa água fica destinada à produção agrícola e para a criação de animais", disse a coordenadora nacional da ASA, Cristina Nascimento.
Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), tecnologia social "compreende produtos, técnicas e/ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social".
A medida deve beneficiar diretamente 46.430 famílias agricultoras, escolhidas por comissões municipais. As obras serão executadas por organizações contratadas pela ASA, nos 253 municípios onde atua. Cerca de 2,5 mil empregos devem ser gerados no período de vigência das obras, sendo 2 mil vagas só para pedreiros. A previsão é que as obras fiquem prontas em sete meses.
O coordenador geral do Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, Alexandre Henrique Bezerra, um dos parceiros executores da ASA, explicou que os pedreiros são agricultores qualificados nas próprias comunidades. "São jovens, mulheres e homens que, durante uma semana, aprendem a construir as placas das cisternas, nivelar a terra, colocar calhas nos telhados para captar água. Eles são orientados por agricultores que fizeram o curso anteriormente", disse.
Para Bezerra, investimentos como esse são importante porque possibilitam a expansão das economias locais, assim como a manutenção financeira das famílias durante o período de baixa produção de alimentos.
"Essas construções possibilitam uma injeção de recursos na cidade, o que gera uma boa perspectiva, afinal, os materiais de construção são comprados na cidade e a remuneração dos trabalhadores vai para o comércio local", disse Bezerra. Cada pedreiro recebe pela construção de uma cisterna de 52 mil litros R$ 720 e, por uma de 16 mil litros, R$ 252,50.
A ASA é uma rede formada por cerca de 750 organizações da sociedade civil que atuam na gestão e desenvolvimento de políticas de convivência com a região semiárida.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

DOCUMENTO DA ARTICULAÇÃO NO SEMI-ÁRIDO BRASILEIRO (ASA)

Associação Programa Um Milhão
de Cisternas para o Semi-Árido (AP1MC)
Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA)



DOCUMENTO DA ARTICULAÇÃO NO SEMI-ÁRIDO BRASILEIRO (ASA)

À Presidenta Dilma Rousseff
Aos governadores dos Estados no Semiárido Brasileiro
Aos Prefeitos Municipais
À População Brasileira
DECLARAÇÃO SOBRE O ATUAL MOMENTO DA SECA NO SEMIÁRIDO
“A luta contra a miséria e a fome tem dupla dimensão: a
emergencial e a estrutural. A articulação entre as duas
dimensões é complexa e cheia de astúcias. Atuar no emergencial
sem considerar o estrutural é contribuir para perpetuar a miséria.
Propor o estrutural sem atuar no emergencial é praticar o
cinismo de curto prazo em nome da filantropia de longo prazo”.
(Betinho)
O Semiárido brasileiro neste momento está mergulhado em uma das secas mais
cruéis e devastadoras dos últimos 30 anos. Da chegada dos portugueses aos dias
atuais, já se somam 72 grandes secas com características similares.
As secas são previsíveis e seus efeitos sobre a população são extremamente graves
com consequências em todos os setores da região. Quadro que não é nenhuma
surpresa para quem conhece a história e realidade do Semiárido brasileiro.
Estamos diante de um momento extremamente grave de longa estiagem, uma das
maiores e mais intensas das últimas três décadas, que deverá se prolongar até 2013.
Em situações como essa os grandes proprietários têm prejuízos, mas os sem terra e
pequenos agricultores são os que mais sofrem perdas que colocam em risco as suas
vidas, a de seus rebanhos e suas reservas de sementes e alimentos.
Mais de 500 municípios encontram-se em estado de emergência. As plantas
cultivadas no entorno das casas, quintais produtivos, estão morrendo, os rebanhos
dizimados e as reservas de sementes, organizadas em casas e bancos comunitários
ou familiares, correm o risco de desaparecer frente à necessidade de alimentação da
população. Desde o ano passado não chove o suficiente para acumular água nas
cisternas para consumo da família e para a produção.
O quadro atual é grave! Há que se priorizar o socorro imediato às famílias que estão
sem água, mas há a mesma urgência em investir em ações estruturantes para que
essas famílias possam enfrentar os períodos de longa estiagem, cíclicos e previsíveis,
sem passar fome ou sede.

No Brasil e no Semiárido, as secas sempre foram oportunidade fértil para as
oligarquias aumentarem suas posses de terras, se locupletarem dos recursos
públicos, conseguirem, com recursos públicos, obras vultosas e caras para beneficiar
suas propriedades e de seus comparsas políticos, enraizarem seu poder político à
custa da miséria da população, exposta em filas à busca de gotas de água e
migalhas de alimentos. Aliado a este quadro, as secas expulsam de suas terras e de
seu torrão natal centenas e milhares de cidadãos do Semiárido, que se tornam
errantes na busca e na esperança de melhores dias.
A oligarquia e os políticos dela oriundos e a ela ligados sempre explicaram este
fenômeno como algo de responsabilidade da natureza, esquecendo-se,
intencionalmente, das decisões políticas deles próprios e dos governantes. Creditam,
assim, à natureza, aquilo que é responsabilidade e resultado das decisões políticas.
Esta seca, no entanto, embora ainda mantenha enraizadas muitas destas mazelas e
injustiças, traz consigo outro viés que tem tornado a população mais capaz de
resistir, de ser cidadã e deixar de ser manipulada.
Efetivamente muitas políticas e programas se espalham pelo Semiárido, tornando-o,
de certo modo, diferente, mais humano, mais adequado à convivência com o clima e
suas intempéries. Evidentemente nem todos os programas oficiais a que nos
referimos se revestem de características de convivência com o Semiárido, mas todos
eles dão sua parte para a garantia mínima da dignidade das pessoas.
O bolsa família, acrescido do bolsa estiagem, enquanto ações emergenciais, tem
desempenhado papel chave na alimentação das pessoas, sem que para isso
necessitem de engordar filas de miseráveis, mendigando alimentos que, mesmo
adquiridos com recursos públicos, eram distribuídos por prefeitos, vereadores e
cabos eleitorais, reforçando seu (deles) poder político.
A extraordinária malha de captação de água construída no Semiárido através das
cisternas, quer sejam elas da ASA, do Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome (MDS), dos Governos Estaduais e Municipais, da Fundação Banco
do Brasil e de vários outros atores e parceiros; esta malha armazena milhões de
litros de água outrora literalmente desperdiçados.
A malha de captação e distribuição de água para produção e dessedentação de
animais, cisternas calçadão, barragens subterrâneas, tanques de pedra, barreirotrincheiras,
bombas d’água popular, outros, financiada quer pelo poder público, quer
por várias parcerias.
As adutoras e processos semelhantes de abastecimento da população.
A decisão da Presidenta da República de universalizar o acesso à água para todos os
cidadãos do Semiárido, o que implica, entre outras medidas, na construção de quase
700 mil cisternas.

As ações do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e de compra da alimentação
escolar (PNAE), que aos poucos estrutura propriedades, criou e enraizou bancos de
sementes e processos os mais variados de armazenamento de grãos e sementes.
O crédito destinado à agricultura familiar e os processos de assistência técnica,
aumentados significativamente nos últimos anos, embora ainda carentes de uma
adequação mais radical à realidade do Semiárido e Agroecologia.
Os processos agroecológicos implementados especialmente devido à teimosia de
organizações não governamentais e iniciativas locais.
O Seguro Safra.
As linhas de crédito oficiais para a seca, anunciados e já em implementação nas
regiões e que aumentam a capacidade dos agricultores de resistir e conviver com o
Semiárido, manter vivos seus animais, reestruturar suas propriedades.
Todos estes processos e muitos outros realizados e implementados no Semiárido
pelas experiências de fundos rotativos solidários, pela economia solidária, pelos
intercâmbios entre agricultores pelas experiências variadas oriundas da criatividade
dos agricultores, foram, gradativamente se tornando a base para que os agricultores
do Semiárido se tornassem cada vez mais sujeitos de sua história.
A ASA se vê na construção desta caminhada diferente, participando de muitos destes
processos mesmo com críticas aos mesmos, buscando promover a partilha no lugar
da concentração, disseminando as pequenas obras em contrapartida aos projetos
faraônicos, valorizando o camponês enquanto sujeito protagonista, portador de
direitos, responsável por sua própria libertação, desencadeando outro tipo de
desenvolvimento, sustentado e sustentável, que tem por fundamento a participação,
a organização, a educação e o empoderamento das pessoas.
Isso, no entanto, se expressa melhorias, ainda está longe de ser suficiente. Ao
contrário, assistimos constantemente uma luta dialética entre a proposta de
convivência com o Semiárido, que diríamos estar na raiz das ações que refletimos
acima, e daquelas de combate à seca, responsáveis pela miséria implementada do
Semiárido e pela concentração das riquezas.
Diante desse quadro, a ASA vem a público refletir e propor o que se segue:
I – Ações emergenciais e o cuidado cidadão.
1. Abastecimento imediato e contínuo das cisternas com água tratada distribuída
gratuitamente pelas empresas públicas estaduais e municipais de
abastecimento de água e/ou exército. Onde não for possível abastecer com
água tratada, que seja acompanhada de hipoclorito para que as próprias

famílias possam fazer em casa a filtragem e o tratamento. As cisternas,
efetivamente, assumem duas funções: armazenar água das chuvas e ser
recipiente de armazenamento e reivindicação de água por parte da população
quando não chove.
2. Cuidado cidadão para que este abastecimento, feito enquanto direito e com
recursos públicos, não se torne instrumento de manipulação política e de
enriquecimento ilícito. Infelizmente já há sinais de que esta prática não foi
extinta, dado que começa a se manifestar e atuar em determinados espaços e
municípios.
3. Conclamamos todas as nossas comissões municipais de água para que realizem
o controle social destes processos e denunciem os desvios para a devida
punição.
4. Apelamos aos Ministérios competentes para que instituam disque denúncia por
onde os cidadãos possam denunciar estas práticas e para o Supremo Tribunal
Eleitoral no sentido de estabelecer uma Campanha: “NÃO TROQUE SEU VOTO
POR ÁGUA. ÁGUA É DIREITO SEU”. O Brasil tem o dever ético de não consentir
que as medidas de emergência e socorro às pessoas se transformem em
instrumentos de manipulação e desvirtuação das eleições.
5. Abastecimento das cisternas calçadão e outros instrumentos de
armazenamento de água visando fundamentalmente a dessedentação animal.
6. Controle das irrigações, de modo especial daquelas mais predadoras.
7. Liberação imediata dos créditos especiais no sentido de dotar os agricultores de
capacidade de alimentar seus animais e manter suas propriedades e negociação
dos débitos pendentes, se necessário.
8. Cuidado todo especial para que os créditos liberados não sejam sempre e
continuamente aqueles maiores e mais volumosos – tendência dos bancos – o
que tornará inócua a linha de crédito da agricultura familiar e poderá ser um
instrumento de enriquecimento.
II - Ações Estruturantes
A convivência com o Semiárido que, aos poucos, vai transformar a região numa terra
próspera e feliz, não se concretiza e realiza através de ações emergenciais. Estas são
importantes, mas passageiras. Os olhares devem estar voltados para as dimensões
estruturantes. Neste contexto de seca e sabendo, igualmente, que outras virão e que
a história cobrará de nós quais providências tomamos para uma melhor convivência
com o clima, conclamamos os poderes públicos a:


1. No campo da captação da água.
a) Continuidade imediata do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e do
Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da ASA, e início imediato das ações
de cisternas de consumo humano e de produção contratadas entre o MDS e os
Estados. Não se justifica que, havendo recursos disponíveis, como é o caso, os
Estados e consórcios municipais posterguem indefinidamente o início destas
atividades que dotarão milhares de famílias de estruturas essenciais à
convivência com o Semiárido.
b) Suspensão imediata do processo de cisternas de polietileno (plástico/PVC). Não
se justifica, em hipótese alguma, que o Estado Brasileiro opte por cisternas de
R$ 5.000,00 (cinco mil reais) de custo, adquiridas de multinacionais, ao invés
das cisternas de placas que utilizam produtos adquiridos no mercado local, tem
tecnologia dominada pelos agricultores, utilizam mão-de-obra local, são mais
baratas (menos de 50% do custo das outras) e tem eficiência comprovada.
Mais ainda, isso não se justifica quando se dispõe no país de uma imensa
malha de organizações capazes de atuar nestas construções.
c) Limpeza de aguadas e açudes, numa perspectiva de armazenamento das águas
das chuvas que virão.
d) Criação de um grande programa de escavação de pequenos barreiros
(familiares) voltados a dotar as propriedades dos agricultores familiares de
maior capacidade de captação e armazenamento de água.
e) Implementar as adutoras – ou serviços de água – previstos no Atlas de Águas
do Nordeste (Agência Nacional de Águas), dando prioridade àqueles
considerados emergenciais, definidas em consulta à sociedade civil.
f) Rever a política de irrigação que demanda o dinheiro público e constrói canais
para grandes empresas, mas não abastece as populações com necessidades
básicas de consumo humano. É necessário lembrar que a Lei Brasileira de
Recursos Hídricos (9433/97) define que a disponibilidade de água deve priorizar
o abastecimento humano e a dessedentação dos animais.
2. No campo do acesso à terra.
O processo da seca não se manifesta apenas na questão da água. Ele se manifesta e
se agudiza na concentração da terra. Em momentos como este que vivemos se nota,
com exímia clareza, a diferença no processo de convivência, entre uma propriedade
maior e uma mini, como a maioria do Semiárido.
Uma propriedade maior, que ao menos se aproxime do módulo fiscal de 70 hectares
previsto em Lei, tem reservas alimentares humanas e para animais, pode ter
variadas modalidades de armazenamento de água, plantios e criatórios diversificados
e assim conviver melhor. Uma propriedade com dois hectares ou pouco mais, como a
maior parte do Semiárido, se vê forçada a diminuir seus animais para não morrerem,
consome rapidamente suas reservas de água e alimentos, consome suas sementes,
morre.
É lamentável que o Governo Federal não tenha tomado a si a urgente tarefa de
realizar uma reforma agrária no Semiárido, reforma esta adequada à sua realidade.
Convenhamos que sem o acesso à terra, dificilmente os habitantes do Semiárido
terão garantida sua saída da situação de extrema pobreza em que se encontram.
Conviver com o Semiárido é ter acesso à terra e nela viver bem.
3. No campo da assistência técnica e crédito.
A erradicação da miséria (ousado e essencial programa da Presidenta Dilma), a
convivência com o Semiárido e a vida digna neste espaço andam de mãos dadas.
Estruturalmente precisamos de uma assistência técnica sistemática, constante e
processual, em moldes e metodologias agroecológicas, que resgatem e respeitem os
saberes dos agricultores e com eles construam os novos conhecimentos necessários
para a mudança da realidade do Semiárido.
É lamentável e inaceitável que o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) não
realize chamadas públicas suficientes para dar cobertura aos agricultores do
Semiárido, leve mais de um ano para celebrar contratos com organizações
classificadas nas chamadas públicas e não leve a sério as chamadas existentes.
Assim é que a maior parte das chamadas do Semiárido está engavetada.
Este comportamento está desestruturando as organizações e afastando da
assistência técnica centenas de pessoas que muito teriam a contribuir na lógica da
convivência com o Semiárido e que poderiam, neste momento, estar atuando com
mais afinco no socorro aos agricultores, inclusive, para que eles possam acessar
melhor as políticas existentes.
O crédito, por sua vez, precisa ser cada vez mais adequado à convivência com o
Semiárido e dimensão agroecológica, fugindo da linha hoje predominante de cadeias
produtivas.

4. No campo da comercialização, venda de produtos e bancos de
sementes.
As experiências do PAA e PNAE em muito contribuíram, até hoje, para fortalecer as
infraestruturas produtivas das unidades familiares e autonomizar a agricultura
familiar. São inúmeras as famílias agricultoras que isso testemunham e que, por esta
razão, hoje estão fora da miséria e melhor convivendo com o Semiárido. Faz-se
necessário, assim, ampliá-las, em especial nas modalidades executadas diretamente
com as famílias e associações comunitárias.
Outro instrumento importante que necessita ser potencializado são as feiras locais,
nas quais os agricultores familiares vendem seus produtos, garantindo, assim, o
escoamento dos mesmos. O Semiárido e seus agricultores ainda se ressentem de
uma linha de crédito para aquisição de equipamentos para estruturação destas
feiras.
Estruturar casas comunitárias de sementes e apoiar a aquisição, armazenamento e
distribuição de variedades locais são também medidas essenciais para a
autonomização e sustentabilidade da agricultura familiar e a garantia da segurança
alimentar e nutricional.
Outras secas virão. A história continuará cobrando. Podemos passar para ela como
cidadãos ou vilões.
Este o nosso dilema. Não podemos permitir, em hipótese nenhuma, que a seca que
se apresenta e agudiza, seja oportunidade ou justificativa para que deixemos de lado
a linha estruturante de convivência com o Semiárido, que reconhece nos agricultores
os sujeitos de suas próprias histórias e de suas mudanças, e enveredemos pelo
assistencialismo barato, desestruturador das pessoas e grupos, embora fácil de
realizar.
A ASA conclama todas as suas entidades e técnicos/as a que, com mais veemência,
determinação e afeto, possam dar conta das ações que estão a nosso encargo na
ampliação da rede de captação e distribuição de água, na dinamização de bancos de
sementes, em estar a serviço dos agricultores informando-os das políticas e medidas
a que têm direito neste momento de seca, assim como a fazer o controle social da
boa aplicação dos recursos públicos destinados ao seu socorro e, assim, continuando
a construção da convivência com o Semiárido. A grande capilaridade de nossa rede
estará, mais do que nunca, a serviço dos agricultores e agricultoras familiares.

Cientes do forte papel das organizações sociais sem as quais as mudanças e as
grandes conquistas não se efetuam, conclamamos todos os movimentos e
organizações sociais do Semiárido Brasileiro para fiscalizar e denunciar candidatos/as
que fizerem uso eleitoreiro de carros pipa ou quaisquer outros benefícios que as
famílias tenham direito de acessar.
Conclama também os poderes públicos a que, deixando de lado a burocracia
asfixiante que impede o Governo de agir com rapidez e eficiência, possa estar a
serviço dos que sofrem, velando para que os recursos sejam bem aplicados e, em
nenhuma hipótese, possam ser eleitoreiramente utilizados, ressuscitando práticas
hediondas que povoam a nossa história.
Conclama todos os cidadãos a que, olhando criticamente o fenômeno da seca, nele
não localizem miseráveis, incapazes, esmoleres e recebedores de nossa compaixão e
doação do supérfluo, mas cidadãos que sempre tiveram seus direitos negados
durante séculos e que, não obstante, lutaram e estão conseguindo implantar no
Semiárido a política da convivência, que faz desta seca uma seca diferente.
O Semiárido não precisa de bondade. Precisa de justiça, solidariedade e de que os
direitos de seus filhos e filhas sejam respeitados.
Deste modo, o que o Semiárido quer é a continuidade e aprofundamento da política
de convivência com o Semiárido e de que seja cada vez mais afastada e erradicada a
política de combate à seca.
Semiárido Brasileiro, maio de 2012
Coordenação Executiva da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA)
AP1MC – Associação Programa Um Milhão de Cisternas para o Semiárido
Endereço: Rua Nicarágua, 111 - Espinheiro - Recife / PE. CEP: 52.020-190
Tel: (81) 2121 7666 - www.asabrasil.org.br - asa@asabrasil.org.br

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Com a palavra a ASA

ASA reafirma exclusão da sociedade civil no novo desenho do Água para Todos
Asacom
14/12/2011
A nota publicada no site do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), através da sua assessoria de imprensa, na noite de ontem (13), explicou  o redesenho das parcerias em relação ao Água para Todos dentro do Brasil sem Miséria,  onde a sociedade civil estaria incluída. Na leitura da ASA, porém, a participação da sociedade civil não corresponde à realidade.
Até o momento a ASA não foi comunicada sobre a continuidade da parceria. Continua o impasse sobre os aditivos que iriam ser celebrados e que tinham, inclusive, recomendação e aprovação do CONSEA – Conselho Nacional de Segurança Alimentar. Até hoje, eles não foram assinados.
O fato é que a ASA está com uma de suas ações parada há um mês, significando a demissão de centenas de pessoas e a descontinuidade da ação que leva água para produção de alimentos. Já a ação que tem como objetivo a garantia de água para consumo humano ainda está com uma parcela do recurso atrasada.
Segundo o coordenador executivo da ASA e presidente da AP1MC, Naidison Baptista, “a ASA não recebeu nenhuma sinalização sobre a continuidade da parceria e  a nota do MDS não indica concretamente como ela continua”.
Para a ASA os fatos demonstram claramente o não interesse do Governo Dilma em dar continuidade à parceria de quase nove anos, estabelecida ainda no Governo Lula. 

domingo, 11 de dezembro de 2011

A ultima gota d'agua...

Caros Companheiros/as,
Gostaríamos de informar que ontem a ASA foi convocada para um reunião com o MDS em Brasilia e o desfecho final foi o comunicado de que o governo federal não mais fará parceria com a ASA através da AP1MC, que sua estratégia é fazer suas ações do Água para Todos pelos estados e municípios, negando uma caminhada de mais de 8 anos, onde a ASA não só apenas construiu o P1MC e o P1+2, como construiu uma nova perspectiva de empoderamento das famílias e por conseguinte foi protagonista da construção dessa politica pública de acesso a água que hoje o MDS executa. O que o governo Dilma está propondo é apagar uma das mais belas e exitosas experiências de participação social e construção de cidadania pelos os que sempre foram marginalizados, mas, tomaram a história em sua mãos e trouxeram o debate, conceito e iniciativas de convivência com o Semiárido.
Estamos articulando nos estados e municípios uma mobilização social que dê conta de visibilizar para o governo a estratégia errônea, injusta e desrespeitosa que vem tratando a ASA e por conseguinte a sociedade civil organizada do semiárido brasileiro, que apesar de todos os relatórios recentes favoráveis da CGU, TCU e depoimentos públicos da Secretaria Executiva da CGU de que a ASA é uma das experiências mais exitosas em gestão de recursos públicos no país, a posição do governo brasileiro na reunião de ontem foi clara: não tem mais interesse em continuar apoiando a ASA a partir de seus programas (P1MC e P1+2).
Nós da ASA que terminamos ano passado com o reconhecimento público do governo brasileiro, recebendo das mãos do presidente Lula o prêmio de direitos humanos na linha de enfrentamento da pobreza e esse ano recebemos a noticia do Governo Dilma de que para o governo a ação da ASA não é mais estratégica para esse governo, estamos indignados e nesse momentos nos mobilizando para reverter esse quadro.
Pedimos  o apoio de vocês nossos parceiros que acreditam e reconhecem a ação da ASA para que disseminem essa mensagem e de alguma forma façam ecoar essa corrente de solidariedade e luta para continuarmos construindo um semiárido mais justo para os homens e mulheres da região. Estamos lutando com toda a nossa força para reversão dessa situação.
Um abraço fraterno,
Neilda Pereira da Silva
Diocese de Pesqueira/PE
Coordenação Executiva da ASA pelo estado de Pernambuco

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Fórum Cearense para 2012

Parcerias e mobilizações são proposições do Fórum Cearense para 2012
Rosa Nascimento - comunicadora popular da ASA
Fortaleza - CE
07/12/2011

Fórum Cearense realiza encontro de avaliação e planejamento | Foto: Rosa Nascimento
Agricultores/as, comissões municipais de convivência com o Semiárido, coordenações dos fóruns microrregionais e representações das instituições que formam a Articulação no Semiárido Brasileiro – ASA participaram nos dias 01 e 02 de dezembro, na cidade de Sobral, do encontro de planejamento e avaliação do Fórum Cearense pela Vida no Semiárido – FCVSA.
O primeiro ponto avaliativo, coordenado por Alessandro Nunes, da Cáritas Regional Ceará, e membro da coordenação do Fórum, partiu da provocação: qual análise fazemos do Fórum hoje? De acordo com a plenária de aquecimento, o Fórum é um espaço de efervescência, mobilização, articulação, afirmação e debate que tem fortalecido a luta de homens e mulheres por melhores condição de vida. 
No segundo momento, também coordenado por Alessandro, a assembléia foi interpelada a rever a caminhada do Fórum, identificando luzes, sombras e estratégias de superação.
A plenária foi unânime em dizer que, mesmo diante dos desafios enfrentados, como a necessidade de inclusão dos municípios que estão fora do Semiárido legal, fragilidades na ocupação dos espaços de discussão e mobilização social, relacionamento com o poder público e visibilidade das ações do Fórum no estado, muito já foi feito. Como exemplo disso foram citados a discussão e reflexão de temas voltados para agroecologia, educação contextualizada e recursos hídricos; o encontro para troca de conhecimentos entre agricultores/as; o fortalecimento das ações de convivência com o semiárido; e água para beber e produzir.
No entanto, de acordo com os/as participantes, ainda há muito que ser feito como a universalização da água potável no Semiárido e a conquista da terra. Para isso, o Fórum definiu como estratégia ampliar parcerias políticas com outras entidades da sociedade civil, retomar as grandes mobilizações para fortalecimento das lutas, criar parceria entre FCVSA e Companhia Nacional de Abastecimento – Conab e Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – Consea, regionalizar e territorializar as lutas.
O Fórum discutiu também sobre as cisternas de plástico e traçou como meta para 2012 mobilizar a sociedade cearense para tomar conhecimento da implementação, causas e consequências para o Semiárido.
Para a “Campanha Cisternas de Plástico Somos Contra”, o Fórum publicará um artigo de esclarecimento e opinião a respeito das cisternas, matéria e vídeo com depoimento de agricultores/as sobre as cisternas da ASA e cisterna de plástico e serão também distribuídos panfletos e spots esclarecedores.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Documento aponta encaminhamentos do II Encontro de Sementes

Fernanda Cruz - Asacom
Maceió - AL
08/07/2011
O final do II Encontro Nacional de Sementes foi dedicado ao levantamento dos compromissos de cada estado para fortalecer o debate sobre a temática do evento e à leitura da Carta Política do encontro que aponta, entre outras questões, para a necessidade de criar uma regulamentação específica sobre sementes crioulas e de suspender a liberação das variedades de milhos transgênicos. Leia abaixo o compromisso estabelecido por cada estado e clique aqui para ler a Carta Política.

Paraíba: dar continuidade ao processo de conservação, multiplicação e resgate das sementes da biodiversidade, buscando políticas públicas que reconheçam as sementes da paixão como patrimônio genético a serviço dos povos do Semiárido.

Sergipe: criar e transformar as políticas públicas vigentes no estado, fortalecendo os agricultores guardiões de sementes tradicionais.

Alagoas: o nosso compromisso é garantir a diversidade de sementes com perspectivas de proposição de políticas públicas e controle social. Também propomos que a ASA Brasil incorpore o Programa Agrobiodiversidade ao P1+2.

Minas Gerais: fortalecer e ampliar as experiências de resgate, uso, manejo e conservação da agrobiodiversidade no Semiárido mineiro.

Bahia: realização de seminário sobre casas de sementes crioulas no território baiano, encontros territoriais com intercâmbios entre comunidades com experiências em casas de sementes crioulas, sensibilizar as organizações a fazer o mapeamento das casas de sementes existentes.

Ceará: ampliar e fortalecer o debate das sementes na dinâmica do Fórum Cearense pela Vida no Semiárido.

Maranhão: se comprometer em buscar apoio para criar bancos de sementes ou  casas de sementes em quase todos os municípios do estado.

Rio Grande do Norte: articular o GT de Sementes e implementar as ações da agrobiodiversidade propostas pelo GT de Combate à Desertificação.

Piauí: mapear os grupos que estão trabalhando a organização das sementes da paixão e da resistência, além de realizar o seminário estadual.

Pernambuco: animar e estimular os processos de identificação, mapeamento, trocas e visibilidade das sementes locais junto às famílias agricultoras camponesas, suas organizações locais e entidades parcerias.        

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Experiência da Asa é analisada em livro

Experiência da Asa é analisada em livro


Publicação reúne outras nove iniciativas inovadoras relacionadas à produção e consumo
Foto: Fred Jordão/ASA
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Tecnologia da cisterna-calçadão permite cultivo de hortaliças no quintal de casa de família no Semiárido

30/05/2011 – Um estudo analítico da experiência da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) foi publicado no livro “Novos Paradigmas de Produção e Consumo: Experiências Inovadoras”, que reúne outras dez experiências nacionais consideradas inovadoras neste tema.
O texto sobre a ASA, com 34 páginas, conta a história da formação da rede, apresenta a ação da ASA, através da concepção ideológica e da forma de atuação dos seus programas Um Milhão de Cisternas e Uma Terra e Duas Águas, e faz uma análise aprofundada da contribuição da Articulação na formulação de políticas públicas de convivência com o Semiárido.
Através de entrevistas com representantes da ASA e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), a autora Maria do Carmo Albuquerque evidencia os avanços e os desafios na relação entre o governo e a sociedade civil.
Neste estudo de caso, a pesquisadora e docente na área de Controle Social e Participação da Sociedade em Políticas Públicas de Direito, também discorre sobre a tensão natural entre Estado e sociedade na execução de políticas públicas e no controle social. Um tema importante no debate atual é a possível redução da ideia de participação e controle social à mera execução de projetos sociais”, ressalta o estudo.
Uma parte do estudo é dedicada à contextualização da importância da agricultura familiar no país. Dados do Censo Agropecuário 2006 são usados para demonstrar em números a força desta forma de produção de alimentos em comparação ao agronegócio.
“O principal debate, no que tange ao impacto da experiência da ASA na construção de novos paradigmas de produção e consumo, parece localizar-se na questão do peso que pode adquirir a agricultura familiar no embate com as formas mais massivas de capitalizadas de agricultura”, escreveu a autora.
Também são feitos questionamentos interessantes sobre a dimensão que a agricultura familiar pode alcançar, inclusive, se este modo de produção pode se igualar ou suplantar a agricultura capitalista.
Um grande valor do estudo é a apresentação, de maneira clara e objetiva, dos componentes do projeto de desenvolvimento para o Semiárido que é defendido pela ASA. Esta plataforma é pautada nos seguintes eixos:
políticas de captação e armazenamento de água de forma descentralizada, a partir de pequenas obras e médias obras hídricas;
democratização da terra para enfrentar a concentração apontada como a principal causa dos males do Semiárido Brasileiro;
políticas de pesquisa e a produção de conhecimento que valorize o saber tradicional das famílias agricultoras;
comercialização apontada pela autora como o “nó ligado ao desafio da escala para a agricultura familiar”;
segurança e educação alimentar, que tem sido a principal linha através da qual vem se “articulando as principais políticas de captação e armazenamento da água, fomento à agroecologia e à agricultura familiar, às feiras e mercados populares e ao próprio PAA [Programa de Aquisição de Alimentos]”;
políticas de crédito e financiamento para estimular a produção da agricultura familiar que apresenta, segundo o Censo Agropecuário de 2006, a produtividade de R$ 677 por hectare por ano, enquanto o agronegócio R$ 358/ha/ano.
jovem que representa uma parcela da população vulnerável ao “chamado das cidades e da produção industrial capitalista”;
apoio à organização popular e ao controle social para fortalecer o papel autônomo da sociedade civil.
O livro, ao qual este estudo pertence, pode ser adquirido por R$ 30,00 por meio do site do Instituto Pólis (www.polis.org.br). Quem quiser baixar a versão digital da obra, no site do Instituto há um link que leva para a sua versão em arquivo PDF.

Por Verônica Pragana
Fonte: Asa (Publicado em 25/05/2011)

BANIR AGROTÓXICOS.

Assine o Abaixo-Assinado virtual que pede o banimento dos agrotóxicos já proibidos em outros países do mundo e que circulam livremente no Brasil.

A Campanha tem o objetivo de alertar a população sobre os perigos dos agrotóxicos, pressionar governos e propor um modelo de agricultura saudável para todas e todos, baseado na agroecologia.

Assine já, pelo banimento dos banidos! Entre no link abaixo.

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