Princípios da Agroecologia

Agricultura sustentável tem que considerar aspectos socioeconômicos e culturais dos grupos sociais implicados. Não basta proteger e melhorar o solo ou a produtividade agrícola se não resulta em melhorias nas condições de vida das pessoas envolvidas. Portanto, agricultura sustentável é um conceito que implica aspectos políticos e ideológicos que tem a ver com o conceito de cidadania e libertação dos esquemas de dominação impostos por setores de nossa própria sociedade e por interesses econômicos de grandes grupos, de modo que não se pode abordar o tema reduzindo outra vez as questões técnicas.

Francisco Roberto Caporal

http://www.aba-agroecologia.org.br/

grãos

"Muita gente pequena, em muitos lugares pequenos, fazendo coisas pequenas, mudarão a face da Terra". provérbio africano

Como os lobos mudam rios

Como se processa os animais que comemos

Rio Banabuiu

https://youtu.be/395C33LYzOg

A VERDADE SOBRE O CANCER

https://go.thetruthaboutcancer.com/?ref=3b668440-7278-4130-8d3c-d3e9f17568c8
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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Sementes /Terezinha Dias

Povo Xavante recebe
36 variedades de feijão-fava armazenadas
no banco genético da Embrapa

Objetivo é enriquecer suas roças tradicionais.
Relatório de atividades 2012 Foto:  Sayonara Silva/OPAN
Bom Jesus do Araguaia, MT – O povo Xavante da Terra Indígena Marãiwatsédé recebeu 36 variedades de feijão-fava (Phaseoluslunatus L.), incluindo uma coletada em área Xavante na década de 1970, por meio do apoio da OPAN – Operação Amazônia Nativa e da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. A iniciativa contribui para o processo de enriquecimento e diversificação alimentar das roças tradicionais A'uweuptabi.
Relatório de atividades 2012
Foto:  Sayonara Silva/OPAN
As sementes foram conservadas e multiplicadas ex situ no banco de conservação de sementes da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília. O Banco conta com variedades tradicionais coletadas ao longo de quase 40 anos em diversas regiões do Brasil. Dependendo do tipo de espécie a ser armazenada, a Embrapa aplica diferentes metodologias.
Algumas que podem ser conservadas em câmaras frias após perderem umidade (as ortodoxas) são contadas, pesadas, sua umidade é estimada e, se necessário, elas ficam em câmaras de secagem. Depois de atingida a umidade desejada, elas são empacotadas em embalagens de alumínio e podem ficar armazenadas a 20 graus negativos, ou de cinco a 10 graus positivos.
"Há também outras formas de conservação ex situ: in vitro (em tubos de ensaio, em meios de cultura) e também o congelamento em nitrogênio líquido. Essas duas formas de conservação normalmente são usadas para culturas que não podem ter as sementes resfriadas, como a mandioca e outras espécies nativas. Outra forma de conservação que realizamos é a manutenção das plantas em campo, nas unidades da Embrapa", explica Marília Lobo Burle, supervisora do Sistema de Curadorias de Germoplasma da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.
De acordo com a pesquisadora, "todas as variedades mantidas em nossos bancos têm dados de passaporte – que informam de onde o material foi obtido, local de coleta, nome do proprietário da terra que forneceu, data da coleta, nome comum que o produtor dá, informações do ambiente de coleta, etc. – e através disso sabemos prontamente se elas vieram de área indígena ou não".
Terezinha Dias, também pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e coordenadora do projeto conduzido em parceria entre a Embrapa e o Povo Indígena Krahô, completa: "Um pesquisador que queira fazer pesquisa que acesse o patrimônio genético indígena tem que construir com a comunidade um processo de autorização (Anuência Prévia Informada) e encaminhar todo o procedimento para avaliação do Conselho Gestor do Patrimônio Genético (CGEN). Assim, para evitar a "pirataria" a comunidade deve ficar atenta se a empresa e/ou pesquisador está ou não cumprindo a legislação brasileira", orienta.

Dos Krahô para os Xavante

Das 36 variedades de fava, 19 foram doadas aos Xavante pelo povo indígena Krahô, que detêm 30 variedades dessa espécie em suas roças, localizadas no estado de Tocantins. Diante do processo de substituição de espécies crioulas por cultivares "mais produtivas", o povo indígena Krahô perdeu suas sementes tradicionalmente cultivadas. O mesmo processo também ocorreu em diversas outras áreas. Nos anos 70, um projeto de rizicultura implementado pela Funai entre os Xavante provocou a predominância do monocultivo de arroz em detrimento de outras variedades cultivadas pelas comunidades.
Quarenta anos atrás, a Embrapa começou a coletar sementes em terras indígenas, armazenando-as em bancos genéticos, possibilitando a povos como os Krahôs, a recuperação de algumas de suas variedades perdidas. E, consequentemente, proporcionando que as espécies recuperadas ajudassem também outros grupos. Assim, em setembro deste ano, 32 famílias de Marãiwatsédé receberam as variedades de fava para o plantio em roças. Os anciãos lembraram de espécies que não cultivam mais e chamam as favas de WaduHöbo, na língua Xavante (tipo feijão grande).
Em 2012, o pesquisador Nuno Madeira, da Embrapa Hortaliças, doou variedades de batata-doce como a Beauregard, que possuem altos teores de vitamina, além de inhames, taro japonês, arararuta e outros, também havendo hortaliças não convencionais como o ora-pro-nobis e bertalha.
"A ideia é que os Xavante de Marãiwatsédé possam multiplicar as sementes, tubérculos e hortaliças entregues pelas duas unidades da Embrapa, que exerce importante papel ao incentivar que comunidades tradicionais recuperem variedades perdidas e possam conservá-las cultivando-as no local novamente", aponta Sayonara Silva, indigenista da OPAN.
Por inúmeros fatores ocorridos ao longo do tempo, como pressões advindas das frentes de colonização, monocultivo de espécies hibridas em detrimento das tradicionais e processos de transição entre territórios, muitos povos indígenas perderam sementes cultivadas em suas roças. No caso do povo Xavante de Marãiwatsédé, ao serem transferidos compulsoriamente de seu território nos anos 60, variedades como as de milho Nodzö foram perdidas e recuperadas também com apoio da Embrapa.
Desde 2009, a OPAN apoia trabalhos pela soberania alimentar do povo Xavante de Marãiwatsédépor por meio da diversificação de cultivares nas roças e quintais (tradicionais e/ou exóticos), expedições territoriais (coleta, caça, pesca), implementação de unidades demonstrativas de restauro florestal e outros, levando em consideração o conhecimento tradicional e os princípios agroflorestais. Mais recentemente, mulheres coletoras de sementes em Marãiwatsédé formaram o grupo "PiõRómnhaMa´u´bumrõi´wa" vinculado à Rede de Sementes do Xingu, que vem fortalecendo as estratégias de coleta, beneficiamento e plantio dentro do território.
Este tipo de ação faz parte de uma estratégia complementar para salvaguarda desse patrimônio entre os indígenas. "Para garantir que não se perca a agrobiodiversidade indígena é importante valorizar pessoas e processos que se relacionam à conservação local dos recursos genéticos. A promoção de feiras de intercâmbio de sementes e de experiências e a valorização dos guardiões da agrobiodiversidade são fundamentais, assim como bons programas relacionados à alimentação e aos produtos agroextrativistas locais. É muito importante que os povos indígenas possam também contar com o apoio dos bancos genéticos para apoiá-los na conservação de recursos genéticos a longo prazo", finaliza Terezinha Dias.
Serviço:
Para solicitar material genético à Embrapa é preciso entrar em contato com a Supervisão de Curadorias da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia por meio do endereço: cenargen.sac@embrapa.br, pelos telefones (61) 3340-3663 ou 3448-4770, via carta ou comparecimento à Unidade, localizada no Parque Estação Biológica (PqEB), na Av. W5 Norte (final)
Caixa Postal 02372 – Brasília, DF - Brasil - 70770-917. Os pedidos também podem ser feitos diretamente nas unidades descentralizadas da Embrapa. É importante comunicar as solicitações à representante da Embrapa no Convênio de Cooperação com a Funai, Terezinha Dias, pelo e-mail: terezinha.dias@embrapa.br
Contatos com a imprensa
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Andreia Fanzeres
comunicacao@amazonianativa.org.br
Telefones: (65) 3322-2980 / (65) 8476-5620

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Perdeu!


Monsanto perde processo criminal contra movimentos sociais

  
transgenicosA transnacional entrou com processo criminal contra integrantes de organizações e movimentos sociais em 2005. A decisão do TJ demonstra o reconhecimento da legitimidade dos sujeitos coletivos de direitos em meio ao processo de democratização da sociedade brasileira.
A transnacional Monsanto está em mais de 80 países, com domínio de aproximadamente 80% do mercado mundial de sementes transgênicas e de agrotóxicos. Em diferentes continentes, a empresa acumula acusações por violações de direitos, por omissão de informações sobre o processo de produção de venenos, cobrança indevida de royalties, e imposição de um modelo de agricultura baseada na monocultura, na degradação ambiental e na utilização de agrotóxicos.
No Brasil, a invasão das sementes geneticamente modificadas teve início há uma década, com muita resistência de movimentos sociais, pesquisadores e organizações da sociedade civil. No Paraná, a empresa Monsanto usou a via da criminalização de militantes como forma de responder aos que se opunham aos transgênicos.
Na última quinta-feira (23), desembargadores do Tribunal de Justiça (TJ) absolveram por unanimidade cinco militantes acusados injustamente pela Monsanto de serem mentores e autores de supostos crimes ocorridos em 2003. A transnacional entrou como assistente de acusação na ação criminal em resposta à manifestação de 600 participantes da 2ª Jornada de Agroecologia, na estação experimental da empresa, em Ponta Grossa, para denunciar e protestar contra a entrada das sementes transgênicas no estado e as pesquisas ilegais e outros crimes ambientais praticados pela empresa.
Foram acusados Célio Leandro Rodrigues e Roberto Baggio, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, José Maria Tardim, à época integrante da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, Darci Frigo, da Terra de Direitos, e Joaquim Eduardo Madruga (Joka), fotógrafo ligado aos movimentos sociais. Em claro sinal de criminalização, a transnacional atribuiu à manifestação, feita por mais de 600 pessoas, como responsabilidade de apenas cinco pessoas, usando como argumento a relação genérica dos acusados com os movimentos sociais.
Em sentido contrário, a decisão do TJ demonstra o reconhecimento da legitimidade dos sujeitos coletivos de direitos na sociedade brasileira. Segundo José Maria Tardim, coordenador da Escola Latina Americana de Agroecologia e da Jornada de Agroecologia do Paraná, o ato na sede da Monsanto em 2003 e posterior ocupação permanente da área chamaram a atenção em âmbito nacional e internacional para a ilegalidade das pesquisas com transgênicos.
Nos anos seguintes às denúncias, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e equipe técnica ligada ao governo do estado realizaram vistorias detalhadas nos procedimentos da transnacional. Foram confirmadas ilegalidades que violavam a legislação de biossegurança vigente.
A área ficou ocupada por trabalhadores sem terra durante aproximadamente um ano. Neste período, os camponeses organizaram o Centro Chico Mendes de Agroecologia e cultivaram sementes crioulas. Para Tardim, a agroecologia é o “caminho da reconstrução ecológica da agricultura, combatendo politicamente o modelo do agronegócio e do latifúndio”.
Monsanto_Por Latuff
Charge: Latuff
Criminalização
A denúncia da Monsanto se fundamentou apenas em matérias jornalísticas, sem qualquer outra prova. Assim com outras ações judiciais que utilizam a mesma lógica, o processo está baseado na criminalização de integrantes de movimentos sociais em situações de manifestação.
A empresa participou como assistente privada no processo, o que ocorre excepcionalmente em processos criminais, já que o Ministério Público entrou como titular. “Esse caso apresenta um sério risco com as grandes empresas começaram a tomar o papel do Estado. Elas desequilibram a situação pelo peso econômico e político que exercem sobre os agentes públicos”, avalia Darci Frigo, coordenador da Terra de Direitos, considerando também a influência da Monsanto sobre o parlamento para a aprovação de legislações no Brasil.
Os trabalhadores foram defendidos pela Terra de Direitos, com apoio do professor Juarez Cirino dos Santos. O Programa Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos se pronunciou ao longo do processo contra a criminalização dos militantes. Do outro lado, a Monsanto contratou o escritório do Professor René Dotti para fazer a acusação.
Mundo contra a Monsanto
Mais de 50 países aderiram à “Marcha contra Monsanto” no último sábado (25), em protesto contra a manipulação genética e a monopólio da multinacional na agricultura e biotecnologia. A campanha contra a empresa teve como estopim o suicídio de agricultores indianos, que se endividam após serem forçados pelo mercado a ingressar na lógica de produção do agronegócio, tornando-se, anos mais tarde, reféns das sementes geneticamente modificas, agrotóxicos e outros insumos vinculados a esta lógica produtiva.
Com sede no estado de Missouri (EUA), a Monsanto desponta como líder no mercado de sementes e é denunciada nesta marcha por não levar em consideração os custos sociais e ambientais associados a sua atuação, além de ser acusada de biopirataria e manipulação de dados científicos em favor dos transgênicos.
A empresa é líder mundial na produção de agrotóxico glifosato, vendido sob a marca Roundup. O Brasil é o segundo maior consumidor dos produtos da Companhia, ficando atrás apenas da matriz americana. O lucro da filial brasileira em 2012 foi de R$3,4 bilhões.
Syngenta
No Paraná, a  transnacional Syngenta também foi denunciada pelos movimentos sociais por realizar experiências e plantio ilegal de transgênicos no município de Santa Tereza do Oeste, na área de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu. Durante a ocupação da área, seguranças contratados pela empresa assassinaram um trabalhador rural sem terra. Seis anos depois, o caso segue impune.
O IBAMA impôs multa de um milhão de reais à empresa pela realização de experimentos ilegais com transgênicos na área, porém, o valor não foi pago até hoje. A luta dos movimentos sociais resultou na desapropriação da área para a criação do Centro de Agroecologia, que leva o nome do militante assassinado, Valmir Mota de Oliveira, conhecido como Keno.
>> Clique aqui para assistir o filme “O Mundo Segundo a Monsanto”, produzido pela francesa Marie-Monique Robin. O documentário foi lançado em 2008 e denuncia a gigante dos transgênicos.

Sementes Orgânicas


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Sementes [2013: Ano Internacional do Grão de Ouro, a QUINUA]


Sementes [2013: Ano Internacional do Grão de Ouro, a QUINUA]

Iolanda Toshie Ide
Presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulheres de Lins (SP) e Professora aposentada da UNESP e Militante da Marcha Mundial de Mulheres (MMM)
Adital
Durante a Cúpula dos Povos, tomei conhecimento de que 2013 é o Año Internacional del Grano de Oro, a QUINUA. Alimento rico em ferro, cálcio, fósforo, ácido fólico e vitaminas do tipo B, ademais, possui lisina e pode substituir as proteínas de origem animal.
Em 2008, o Peru foi mobilizado em função do Año Internacional de la Papa, alimento tão importante que a Irlanda teria desaparecido como povo no século XIX, não fosse o cuidado e zelo do povo peruano na conservação das sementes e no cultivo das batatas. Pensei que houvesse uma centena de tipos de batata, mas fiquei estupefata ao saber que, no Peru, se conhece mais de 3 mil espécies.
Sobre a Quinua, é uma boa notícia, mas quando se pensa que esse importante exemplar da biodiversidade da América do Sul, sofre ameaça, é triste, mas é preciso que, conhecendo a história recente das investidas das corporações, saibamos reagir.
Com a "Campanha Mundial das Sementes” promovida pela FAO (órgão da ONU para Alimentação e Agricultura) iniciada em 1951, houve muita divulgação, culminando na decretação de 1961 como Ano Internacional das Sementes. Simultaneamente, estavam em curso gestões para o patenteamento de novas variedades vegetais, com a "Convenção Internacional para a Proteção das novas Variedades Vegetais”, já em 2 de dezembro de 1961. Em seguida foram articulados vários programas e convênios, dentre os quais, o Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura.
Com a chamada revolução verde, sobretudo a partir de 1968, foi implementada a indústria mundial de sementes que, com a OMC (Organização Mundial do Comércio), fechou-se o círculo do monopólio das sementes pelas corporações que, até então, haviam produzido os agentes de destruição da natureza como, por exemplo, o "agente laranja” atirados sobre as matas do Vietnã para que fossem desfolhadas.
Enfim, as indústrias da guerra são as que dominam o comércio de sementes. Sabemos como o milho, a soja, o trigo e o arroz sofreram manipulações de modo que suas monoculturas destroem os pequenos cultivos de sementes originais contaminando-as e, além disso, cobrando-lhes royalties pela contaminação.
A ONU, já sabemos, capturada pelas corporações internacionais, faz o jogo delas. A Quinua (Chenopodium Quinoa), alimento considerado sagrado pelos Incas, corre o risco de ser objeto de manipulações genéticas e cair em suas garras, como aconteceu com o milho, a soja, o trigo... Aliás, há milênios, os povos indígenas da América cultivavam o Amaranto, o Jacatupé, a Batata, a Mandioca, o Cacau, o Milho, a Quinua...
A boa notícia do Ano Internacional da Quinua, pode também trazer a má notícia de prejuízos aos povos, com a manipulação pelas corporações que produzem a guerra, o narcotráfico, alimentando os de sempre: os banqueiros. Urge a proteção das sementes como um Bem Comum indispensável para a sobrevivência da humanidade e da biodiversidade.
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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Sementes Crioulas e a Industria de Sementes

Ce sera plus clair que le message précédent !
Les Loubet
 





La Biodiversité sacrifiée

sur l'autel de la productivité

La Cour de Justice de l'Union Européenne désavoue

Kokopelli et son avocat général

La Cour de Justice, par sa décision rendue aujourd'hui dans l'affaire Kokopelli c. Baumaux, vient de donner unsatisfecit intégral à la législation européenne sur le commerce des semences.
Pourtant, le 19 janvier dernier, son Avocat Général nous donnait entièrement raison, en estimant que l'enregistrement obligatoire de toutes les semences au catalogue officiel était disproportionné et violait les principes de libre exercice de l'activité économique, de non-discrimination et de libre circulation des marchandises. (V. ses conclusions)
Ce changement de cap absolu ne manque pas de nous surprendre et de nous interroger.
La Cour, aux termes d'une analyse étonnement superficielle de l'affaire, et d'une décision qui ressemble plus à un communiqué de presse qu'à un jugement de droit, justifie l'interdiction du commerce des semences de variétés anciennes par l'objectif, jugé supérieur, d'une "productivité agricole accrue" !
L'expression, utilisée 15 fois dans la décision de la Cour, consacre la toute puissance du paradigme productiviste. Ce même paradigme, qui avait présidé à la rédaction de la législation dans les années soixante, a donc encore toute sa place en 2012. La biodiversité peut donc être valablement sacrifiée sur l'autel de la productivité.
Cela fait 50 ans que cela dure et le fait que ce raisonnement nous ait déjà amenés a perdre plus de 75% de la biodiversité agricole européenne n'y change donc rien. (V. les estimations de la FAO)
Si la Cour mentionne les dérogations supposément introduites par la Directive 2009/145 pour les "variétés de conservation", son analyse s'arrête à la lecture des grands titres. Comment les juges n'ont-ils pas voulu voir que les conditions d'inscription des variétés de conservation, dans la réalité, étaient restées pratiquement identiques à celles du catalogue officiel normal [1]? Le critère d'homogénéité, par exemple, particulièrement problématique pour les variétés anciennes, ne connaît aucune modération.
La Cour n'a-t-elle pas lu les témoignages de nos collègues européens, déjà confrontés à des inscriptions impossibles de leurs semences sur cette liste ?
Cette directive est un véritable leurre, que Kokopelli et tant d'autres organisations européennes ont déjà dénoncé, et ne vise pas à permettre la commercialisation des variétés anciennes ni même à conserver la biodiversité semencière.
De plus, cette biodiversité, qui a nourri les populations européennes pendant les siècles passés, est l'objet de la plus grande suspicion. La Cour va ainsi jusqu'a écrire, par deux fois, que la législation permet d'éviter "la mise en terre de semences potentiellement nuisibles" !
Cette remarque est totalement erronée puisque, comme l'avait justement relevé l'Avocat Général, l'inscription au Catalogue ne vise pas à protéger les consommateurs contre un quelconque risque sanitaire ou environnemental, auquel la législation ne fait même pas référence !
Cette remarque, surtout, est choquante, quand on pense que les semences du Catalogue, enrobées des pesticides Cruiser, Gaucho et autres Régent, ou accompagnées de leur kit de chimie mortelle, empoisonnent la biosphère et les populations depuis plus de cinquante ans ! Le lobby semencier (European Seed Association), qui a pris le soin, pendant le cours de la procédure, de faire connaitre à la Cour son désaccord avec l'avis de l'Avocat Général, se réjouit, dans tous les cas, de cette totale convergence de vues avec la Cour. (V. son communiqué et sa lettre adressée à la Cour.)
Nos adversaires directs dans cette procédure, c'est-à-dire la société Graines Baumaux, mais aussi la République Française, le Royaume d'Espagne, la Commission Européenne et le Conseil de l'UE, doivent également s'en frotter les mains.
Avec cette décision, les masques tombent : la Cour de l'Union Européenne est, elle aussi, au service de l'agriculture chimique mortifère et de son idéologie corruptrice.
Et Kokopelli, au contraire de tout ce qui a pu se lire ces derniers mois, n'a aucun intérêt convergent avec Monsanto et autres semenciers-chimistes. Ces craintes exprimées par certains n'étaient qu'élucubrations fantaisistes, voire malveillantes, à l'égard de l'association.
Mais tout cela se comprend par l'examen du contexte dans lequel prend place cette décision : en Europe, une réforme générale de la législation sur le commerce des semencesest en cours. La procédure est placée sous le haut parrainage de l'industrie semencière. Les associations de sauvegarde de la biodiversité, petits producteurs, paysans et jardiniers passionnés, qui, à travers toute l'Europe, conservent clandestinement plus de variétés oubliées que tout ce que le catalogue des variétés appropriées n'en pourra jamais contenir, n'ont pas été invitées à la table des négociations…
Verra-t-on, dans ce cadre, le législateur européen redéfinir ses priorités ? Les semenciers veilleront à ce que cela ne soit pas le cas.
La France, dans ce cadre, joue un rôle particulier. Le Ministère de l'Agriculture a dépêché l'une descollaboratrices du GNIS [2], Mme Isabelle Clément-Nissou, auprès de la Commission Européenne (DG SANCO), afin de rédiger le projet de loi ! Mais les conflits d'intérêt, inadmissibles, ne semblent choquer personne au niveau des institutions européennes…
Ainsi, l'étau se resserre et les perspectives pour la biodiversité n'ont jamais été aussi sombres.
Et l'Association Kokopelli, qui depuis 20 ans veille avec passion à la préservation du patrimoine semencier européen, bien commun de tous, sans la moindre subvention publique, pourrait donc bien disparaître demain, car son activité, qui gêne l'une de nos sociétés commerciales les mieux installées, ne présente pas d'intérêt pour une "productivité agricole accrue". Cette décision nous sidère, autant qu'elle nous indigne.
Plus que jamais, Kokopelli a besoin du soutien moral de la population. Car il n'est pas admissible que les variétés anciennes, héritage de nos grands-parents, soient interdites de cité !
Nous en appelons également à notre gouvernement. La gauche, sous les précédents gouvernements de droite, nous a dit pouvoir compter sur son soutien à de nombreuses reprises. Il est temps maintenant qu'elle transforme ses promesses en actes (en commençant par retirer son mandat à Mme CLEMENT-NISSOU) ! Kokopelli, le 13 juillet 2012.

[1] La directive 2009/145 prévoit que les critères de distinction et de stabilité sont laissés à la discrétion des Etats membres et que, par contre, «pour l'évaluation de l'homogénéité, la directive 2003/91/CE s'applique» : art. 4 §2
[2] Le GNIS représente les semenciers professionnels en France et dit officiellement «défendre les intérêts de la filière semence» – V. son site Internet

Ce que nous voulons, sur le plan législatif et réglementaire :
Le Catalogue officiel actuel est le pré-carré exclusif des variétés protégées par des droits de propriété intellectuelle, hybride F1 non reproductibles. Qu'il le reste.
Nous voulons que les semences anciennes et nouvelles appartenant au domaine public et librement reproductibles sortent du champ d'application de la législation sur le commerce des semences.
Il n'existe pas de catalogue officiel obligatoire pour les clous et les boulons. Il n'y a pas de raison de soumettre les semences à une procédure préalable de mise sur le marché, comme les pesticides ou les médicaments, pour les cataloguer dans un registre.
Des objectifs de qualité et de loyauté dans les échanges commerciaux peuvent être aisément atteints par un règlement de base fixant des critères minimums en termes de qualité sanitaire, faculté germinative, pureté variétale et pureté spécifique.

Que demande la société Graines Baumaux ?
Notre adversaire devant la Cour d'Appel de Nancy demande la condamnation de Kokopelli à lui payer 100.000 €uros de dommages-intérêts, ainsi que la cessation de toutes les activités de l'association. Pour information, au 30 juin 2011 la société Baumaux avait un chiffre d'affaire annuel de 14 millions d'€uros et un résultat net de 2 millions d'€uros.

Association Kokopelli

Pour se désinscrire, cliquez sur le lien suivant:
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domingo, 8 de julho de 2012

LINKS! Agricultura Social

Enlaces de interés
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# Enlaces web Clics
1 Mundubat Mundubat
Todas las personas, todos los derechos, un mundo
Pertsona guztiak, eskubide guztiak, mundu bat
All the people, all the rigths, one world
1140
2 EHNE EHNE
EHNE. Euskal Herriko Nekazarien Elkartea
721
3 La Via Campesina La Via Campesina
Movimiento Campesino Internacional
827
4 Plataforma Rural Plataforma Rural
PLATAFORMA RURAL
885
5 Gustavo Duch Gustavo Duch
913
6 GRAIN GRAIN
GRAIN
655
7 FIAN FIAN
FIAN
Combatiendo el hambre con los Derechos Humanos
621
8 Dchos campesinos-spanish- Dchos campesinos-spanish-
620
9 IPC IPC
IPC
Soberania Alimentaria
3865
10 Alianza por la Soberania Alimentaria de los Pueblos Alianza por la Soberania Alimentaria de los Pueblos
Alianza por la Soberania Alimentaria de los Pueblos
1462
11 Enlazando Alternativas Enlazando Alternativas
la creación de esta red reflejó la necesidad de incrementar las resistencias por parte de la sociedad civil latinoamericana y europea a las empresas transnacionales con base en la Unión Europea y a las políticas internacionales de “libre” comercio.
545
12 Baserri Bizia Baserri Bizia
El periódico digital www.baserribizia.info es una parte fundamental y estratégica del proyecto comunicativo del sindicato agroganadero EHNE (Euskal Herriko Nekazarien Elkartasuna) - Bizkaia. Nace con vocación de informar y de formar tanto a agricultores/as y ganaderos/as, como a ciudadanos/as interesados/as en el comercio local, la agricultura social y el consumo responsable. Pretende ser una herramienta al servicio de las luchas por la soberanía alimentaria de los pueblos.
1801
13 Soberanía Alimentaria y Políticas Públicas Soberanía Alimentaria y Políticas Públicas
718
14 Defensaterritorios Defensaterritorios
814
15 Esther Vivas Esther Vivas
288
16 Amigos de la Tierra Amigos de la Tierra
354
17 Red de Semillas Red de Semillas
454
18 Soberanía Alimentaria TV Soberanía Alimentaria TV
253
19 El Parque de las hamacas. Vicente Boix El Parque de las hamacas. Vicente Boix

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