Princípios da Agroecologia

Agricultura sustentável tem que considerar aspectos socioeconômicos e culturais dos grupos sociais implicados. Não basta proteger e melhorar o solo ou a produtividade agrícola se não resulta em melhorias nas condições de vida das pessoas envolvidas. Portanto, agricultura sustentável é um conceito que implica aspectos políticos e ideológicos que tem a ver com o conceito de cidadania e libertação dos esquemas de dominação impostos por setores de nossa própria sociedade e por interesses econômicos de grandes grupos, de modo que não se pode abordar o tema reduzindo outra vez as questões técnicas.

Francisco Roberto Caporal

http://www.aba-agroecologia.org.br/

grãos

"Muita gente pequena, em muitos lugares pequenos, fazendo coisas pequenas, mudarão a face da Terra". provérbio africano

Como os lobos mudam rios

Como se processa os animais que comemos

Rio Banabuiu

https://youtu.be/395C33LYzOg

A VERDADE SOBRE O CANCER

https://go.thetruthaboutcancer.com/?ref=3b668440-7278-4130-8d3c-d3e9f17568c8
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domingo, 28 de agosto de 2016

ASA - Compartilhando Idéias - ano 9 - nº 345

Boletim da Articulação Semiárido - ASA
Quarta, 24 Agosto 2016 - ano 9 - nº 345
ACOMPANHE A ASA TAMBÉM NAS REDES SOCIAIS

Mulheres unidas não se calam diante de um governo machista

SÉRIE NENHUM DIREITO A MENOS | Maria Aparecida da Silva (Cida Silva) é agricultora, mãe de cinco filhos, e secretária de Política Agrícola e Meio Ambiente do Sindicato de Porta da Folha, em Sergipe. É também integrante de uma associação de mulheres que tem o objetivo de produzir alimentos saudáveis. A cerca de 500 km de Porto da Folha, no município de Queimadas, na Paraíba, a agricultora Angeneide Pereira de Macedo também desenvolve um trabalho com mulheres, mais especificamente com quintais produtivos. Ela também é diretora do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais e teve cinco filhos.
Em vários cantos do país, de norte a sul, no campo e na cidade, existem mulheres como Cida e Angeneide que desempenham diversas funções e que estão unidas na luta contra as desigualdades de gênero. Para muitas delas, o trabalho com outras mulheres em seus mais variados formatos seja no âmbito local, estadual ou nacional tem sido catalisador de mudanças que vão desde uma maior consciência sobre o seu papel de mulher como sujeito político até o enfrentamento e a superação da violência, que é um problema grave do país.

Em todos os Estados começam preparativos para o 22º Grito dos/as Excluídos/as Nacional

Dia 7 de Setembro. Dia da Independência do Brasil. Mas de que independência estamos falando? Essa é uma das reflexões propostas pelo Grito dos/as Excluídos/as Nacional que há 22 anos leva as demandas populares para as ruas. Com o lema “Este sistema é insuportável: Exclui, degrada, mata!” e tema “Vida em primeiro lugar”, o Grito seguirá denunciando as várias formas de desigualdades do país e apontando qual o real papel do Estado diante de tanta exclusão.

 

Incubadora da Ufal cria Banco Comunitário em parceria com a AAGRA

Para promover o acesso a serviços financeiros e bancários a Incubadora Tecnológica de Economia Solidária da Ufal (Ites) inaugurou, na cidade de Igaci, o Banco Comunitário Olhos D’água. A ideia é atender populações mais pobres e excluídas do sistema financeiro ou em dificuldades de acesso ao crédito nos bancos comerciais. A lógica de finanças solidárias do Banco Comunitário articula cinco eixos de ações: microcrédito solidário, moeda social, educação financeira, correspondências bancária e apoio à comercialização.

 

Mulheres sertanejas dão continuidade à luta e à sua história

O Sertão pernambucano marcou o início da luta e organização das mulheres trabalhadoras rurais no estado, mais precisamente a partir de 1981, período em que o Nordeste vivia seu terceiro ano de seca e elas tiveram que lutar para participarem das frentes de emergência implantadas pelo governo federal da época, que só permitia homens. Essas e outras histórias estão sendo revividas durante a realização do Encontro Regional de Mulheres Trabalhadoras Rurais, ontem e hoje (23 e 24), em Triunfo, sob a coordenação da Diretoria de Política para as Mulheres da Fetape.

RÁDIO ASA

Álbum sonoro de histórias do EnconASA

Ouvir as recordações e projeções dos laços de vida para a Convivência com o Semiárido. Este programa faz um convite para multiplicar as vozes de histórias e propostas que ecoam nos Encontros Nacionais da ASA - as edições do EnconASA. Há um resgate histórico sobre as oito edições realizadas e propostas e articulações para a próxima, que será realizada em novembro, no Rio Grande do Norte.

O CANDEEIRO

“Nós mulheres devemos ocupar novos espaços”

Quem arriscaria em dizer que aquela criança que acompanhava a mãe e o pai, Dona Domingas da Silva Cardoso e Seu Ariovaldo Gonçalves da Silva, no beneficiamento do Umbu, feito na cozinha de sua casa, seria a primeira mulher a presidir a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc). Com 13 anos de trabalho, a Coopercuc tem hoje como presidenta Denise Cardoso dos Santos.

PARTILHA DA SEMANA

SEMIÁRIDO NA MÍDIA


ASA NAS REDES
Encontro com mulheres de PE reforçou a afirmação do feminismo anticapitalista, antirracista e antipatriarcal nessa conjuntura de golpe e regressão de direitos.​     Educação Contextualizada:  No dia 11/08, foi realizado o Encontro Territorial do Projeto Cisternas nas Escolas, organizado pelo Cedasb, em Vitória da Conquista/BA.A sétima edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia atraiu um público de mais de cinco mil pessoas à cidade de Areial, no Agreste Paraibano.

Este boletim é uma produção da Assessoria de Comunicação da ASA (ASACom). Jornalista Responsável: Fernanda Cruz (DRT/PE 3367). Jornalistas: Gleiceani Nogueira (DRT/PE 3837), Ylka Oliveira (DRT/RN 00915), Daniel Lamir (DRT/PE 2809), Elka Macedo (DRT/BA 4280), Verônica Pragana (DRT/PE 2923) e Hugo de Lima.
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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Como o povo do semiárido detonou a indústria da seca

A mudança de rumo ocorreu em 1999, após mais uma seca. Foi criada a Articulação no Semiárido Brasileiro, baseada numa carta de princípios, que segue igual.


Najar Tubino Fábio Caffe

Juazeiro (BA) - Esta é uma história de como a zona rural do país, no caso específico da caatinga, onde as pessoas se organizaram e resolveram tomar o destino de suas vidas na prática, defendendo seus territórios, buscando acesso à água, protegendo suas sementes e, hoje em dia, dando lições de como é possível conviver com a aridez da natureza. Só para ilustrar vou contar um caso do agricultor Golinha, de Apodi (RN). Ele esta no encontro de agroecologia trocando e vendendo sementes, mudas e chás medicinais. As variedades crioulas de milha, contou ele, são transmitidas na sua família há quatro gerações. Neste mês de maio a semente que eles chamam de “vida longa” completou 302 anos. O pai dele morreu com 99, o avô 99 e o bisavô com 104. As outras duas variedades são “ligeiro”, um milho precoce e o “Zé moreno”, que era amigo do pai dele, já falecido, mas virou semente.

As mudanças no semiárido, na estrutura política e econômica, iniciaram há muitas décadas. Fazer cisterna era comum há mais de 70 anos. Quem relata esta história é o coordenador da ASABRASIL, Naidison Quintela Batista, de 74 anos, formado em teologia e pedagogia em Roma, baiano, e um dos responsáveis por uma rede de organizações sociais – são 700 -, que abrange nove estados do nordeste e o norte de Minas Gerais – o bioma caatinga, com suas variantes. Nos primórdios todos trabalhavam em torno do Movimento de Organizações Comunitárias (MOC), que já mantinha práticas como programas de trocas de sementes, de animais e fundos rotativos, que o agricultor pagava em produto ou em dinheiro.

Começando a interferir na política

As chamadas comissões de trabalho, que organizavam as frentes na época das secas, reunindo sertanejos que construíam açudes, estradas e outras obras de infraestrutura. A presença das organizações sociais tinha por objetivo travar a manipulação dos prefeitos, que carreavam os recursos para os ricos dos municípios do interior e para os parentes. Então, nas matrículas das frentes aparecia a mulher do prefeito, o cunhado, os tios e assim vai.

A mudança de rumo ocorreu em 1999, depois de mais uma seca. Foi criada a Articulação no Semiárido Brasileiro, a ASA, baseada numa carta de princípios, que ainda é a mesma, e onde as organizações para participar precisavam aderir ao documento. O X da questão era o seguinte: não bastavam produzir dossiês com reivindicações e propostas, era necessário executar, respeitando sempre as características de cada organização, que por sua vez, refletia as características de cada região. O foco central, cada vez mais, passou a ser a convivência com o semiárido.

Ação de impacto significativa

Os representantes das várias organizações decidiram definir uma ação de impacto significativa, que envolvesse a maioria das entidades. Assim nasceu o Programa Um Milhão de Cisternas, com a sigla P1MC. Cisternas de consumo humano, com capacidade de armazenar 16 mil litros, e suprir uma família com cinco pessoas, por nove, 10 meses. Entretanto, o fundamental estava na maneira como construir as cisternas e como escolher as famílias que participariam do programa. Ou seja, não se trata de uma iniciativa de construção, onde uma empresa, ou um grupo de pedreiros é contratado para fazer a obra. É uma atividade de mobilização, onde as comunidades discutem o problema, elegem uma família e depois constroem a cisterna, comprando produtos locais, para movimentar a economia da localidade, da comunidade. Nada de empresas.

A ASA e seus ativistas começaram a entrar na casa das pessoas. Discutiam, além da construção da cisterna, a maneira como eles armazenavam água, como consumiam, como cultivavam a terra e muitas outras coisas. No final, definiram sete tecnologias de construção de cisternas de consumo humano. O primeiro apoio do governo federal veio na época do Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. Uma “experiência” para “testar” 500 cisternas. Muito mais importante foi a definição do processo de construção, que abrange uma metodologia completa, desde os componentes usados, os custos, a mobilização das famílias e as compras locais. A partir daí, conseguiram o apoio da Agência Nacional de Águas em 2001, para construção de 12.300 cisternas, somadas as outras 500, dava um total de 12.800 cisterna. Foi o pontapé inicial.

A transição política em 2003

A grande preocupação da ASA desde o início: como fazer o controle social das cisternas. Na metodologia ficou aprovado o seguinte, válido até hoje: cada cisterna tem um número de registro, com os dados de localização geográfica. Na hora da família receber a cisterna, tiram uma foto ao lado do registro, a família assina um termo de recebimento e um material educativo. O governo federal assumiu a método, já virou uma lei federal. Significa, que ao repassar recursos aos estados e municípios, todos tem que cumprir com as exigências expostas na lei. Conclusão: se tornou uma política pública, criada pelos sertanejos e com a operacionalização e organização da ASA e sua rede de entidades.

Hoje, as negociações para construção de cisternas são formalizadas via contrato, através de licitação pública e das organizações da sociedade civil. Os coordenadores da ASA aproveitaram a posse de Lula em 2003, para colocar projetos em várias áreas. Onde houvesse uma brecha, um conhecido, eles entravam com suas propostas. Contaram com o apoio do Frei Beto e de Odew Grawej. Assim fecharam o primeiro convênio com o governo federal em julho de 2003. Dez anos depois, o primeiro contrato com a Petrobras, que está encerrando neste mês de maio, com a construção de 20 mil tecnologias de Segunda Água, no valor de R$200 milhões. São as chamadas cisternas de produção, a água que será usada na criação de animais e para plantio. Podem armazenar desde 52 mil litros, onde a água é captada de um calçadão de cimento, com declividade, até a cisterna de enxurrada, onde a água é captada de uma encosta, uma elevação, e são colocados filtros para decantar, antes do recolhimento. O barrreiro trincheira, onde cavam poços com mais de três metros de profundidade, capta até 300 mil litros, o tanque de pedra, que é uma formação característica em várias regiões da caatinga – eles aumentar as barreiras de pedra com cimento, formando uma bacia, quando chove a água fica represada, acumulando 700, 800 a um milhão de litros. Por último: a barragem subterrânea construída nos leitos dos rios e riachos secos, onde eles cavam numa garganta, um estreitamento, jogam uma loca, tapam novamente com terra e quando chove a água bate na lona e fica armazenada no subsolo.

Novecentas mil cisternas e 4,5 milhões de pessoas

Contando as cisternas construídas pela rede da ASA – 537 mil -, mais os governos estaduais e consórcios municipais o número chega a 900 mil, com 4,5 milhões de pessoas beneficiadas em todo o semiárido. Além de mais 500 mil pessoas que já tem acesso à água de produção. No final de 2013, a ASA assinou outro contato com o BNDES, também de R$200 milhões, para construção de oito mil tecnologias diretamente com o banco, e outras 12 mil, por intermédio da Fundação Banco do Brasil, com recursos repassados também pelo BNDES. O contrato acaba no final de 2014. Com o Ministério do Desenvolvimento Social o contrato com a ASA envolve outras 20 mil tecnologias e mais R$ 200 milhões – nove mil já foram entregues. O contrato se estende até maio de 2015. E mais: outro contrato com o MDS para construção de 34 mil cisternas de consumo humano. E, está em discussão, um programa para construção de cinco mil cisternas para escolas rurais. Quando tem seca, não tem água, não tem aula.

A ASA virou uma OCIP, uma organização de interesse público, para poder operacionalizar os contratos com o governo federal e seus afiliados. Ela só concorre em licitação nacional, para não concorrer com as entidades estaduais. Quando ganha a licitação, torna a realizar uma licitação para contratar as organizações sociais, que executarão as obras. São 110 organizações envolvidas com a execução do P1MC e do programa Uma Terra Duas Águas. No total o número cresce para 160, porque algumas trabalham com os dois programas. Cada equipe de técnicos tem um coordenador, um gerente financeiro, um auxiliar e quatro técnicos de campo. São 1.120 técnicos envolvidos nos programas.

O Candeeiro para alumiar o sertão

O trabalho da ASA e suas 700 organizações sociais envolve além das cisternas, um grande intercâmbio de informações e de experiências entre agricultores e agricultoras, o incentivo e a organização de bancos e casas de sementes crioulas, enfim, da prática econômica, social cultural da vida do sertanejo. Providência que gerou a criação de um veículo popular, que é o Candeeiro, chamado boletim de experiências, onde as famílias contam a sua história, e relatam a sua experiência no semiárido. Já foram elaborados dois mil exemplares – é uma página impressa, com tiragem de mil exemplares.

 Para encerrar. Chega o prefeito na comunidade com o carro pipa. Manda o pessoa fazer a fila. Chega o líder da comunidade diz que ali não tem nada de fila. Dá o nome das famílias, cujas cisternas serão abastecidas. E quando acabar a água, se não chover, voltarão a procurar a prefeitura. É óbvio, que esta ainda não é a realidade de todo o semiárido, sem contar as cidades do interior, onde as populações ainda estão sujeitas ao poder político e econômico de famílias ou de grupos, que não tem o menor escrúpulo em pisotear na cabeça dos sertanejos.


http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Como-o-povo-do-semiarido-detonou-a-industria-da-seca/4/30966

domingo, 11 de dezembro de 2011

A ultima gota d'agua...

Caros Companheiros/as,
Gostaríamos de informar que ontem a ASA foi convocada para um reunião com o MDS em Brasilia e o desfecho final foi o comunicado de que o governo federal não mais fará parceria com a ASA através da AP1MC, que sua estratégia é fazer suas ações do Água para Todos pelos estados e municípios, negando uma caminhada de mais de 8 anos, onde a ASA não só apenas construiu o P1MC e o P1+2, como construiu uma nova perspectiva de empoderamento das famílias e por conseguinte foi protagonista da construção dessa politica pública de acesso a água que hoje o MDS executa. O que o governo Dilma está propondo é apagar uma das mais belas e exitosas experiências de participação social e construção de cidadania pelos os que sempre foram marginalizados, mas, tomaram a história em sua mãos e trouxeram o debate, conceito e iniciativas de convivência com o Semiárido.
Estamos articulando nos estados e municípios uma mobilização social que dê conta de visibilizar para o governo a estratégia errônea, injusta e desrespeitosa que vem tratando a ASA e por conseguinte a sociedade civil organizada do semiárido brasileiro, que apesar de todos os relatórios recentes favoráveis da CGU, TCU e depoimentos públicos da Secretaria Executiva da CGU de que a ASA é uma das experiências mais exitosas em gestão de recursos públicos no país, a posição do governo brasileiro na reunião de ontem foi clara: não tem mais interesse em continuar apoiando a ASA a partir de seus programas (P1MC e P1+2).
Nós da ASA que terminamos ano passado com o reconhecimento público do governo brasileiro, recebendo das mãos do presidente Lula o prêmio de direitos humanos na linha de enfrentamento da pobreza e esse ano recebemos a noticia do Governo Dilma de que para o governo a ação da ASA não é mais estratégica para esse governo, estamos indignados e nesse momentos nos mobilizando para reverter esse quadro.
Pedimos  o apoio de vocês nossos parceiros que acreditam e reconhecem a ação da ASA para que disseminem essa mensagem e de alguma forma façam ecoar essa corrente de solidariedade e luta para continuarmos construindo um semiárido mais justo para os homens e mulheres da região. Estamos lutando com toda a nossa força para reversão dessa situação.
Um abraço fraterno,
Neilda Pereira da Silva
Diocese de Pesqueira/PE
Coordenação Executiva da ASA pelo estado de Pernambuco

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Pasto agroecológico

Técnicas sustentáveis para a produção rural

Pasto agroecológico é novidade no Sertão




Porto da Folha (SE) - Pequenos produtores do sertão sergipano estão aprendendo a inovar com sustentabilidade. A tecnologia pasto agroecológico tem aumentado a produção e preservado o meio ambiente na região. A tecnologia é disseminada pelos consultores dos Frutos da Floreta, projeto desenvolvido pelo Instituto de Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável (Icoderus), que conta com total apoio do Programa Petrobras Ambiental e tem como parceiro o Sebrae.

O pasto agroecológico é formado por árvores nativas, que além de gerar sombra serve para alimentar os animais. Um bom exemplo é o caso do mata pasto, que nasce com a chuva. Na maioria das vezes o produtor utiliza herbicidas para matá-lo. Indiretamente o consumidor acaba ingerindo no leite resquícios desses agrotóxicos. Mas se o mata pasto for cortado pela raiz, triturado e colocado no silo por um período mínimo de três semanas, ele se transforma num alimento nutritivo e saboroso para os animais.

Outro ponto positivo é que eles servem de corredores ecológicos, principalmente para os pássaros. “Além de preservar o ecossistema, reduzir gastos com ração e evitar a utilização de venenos. O pasto agroecológico tem melhorado a produtividade do leite”, explica o engenheiro florestal Ronaldo Fernandes, coordenador técnico do projeto.  “Já capacitamos 15 produtores com essa nova tecnologia. Os bons resultados que eles estão obtendo está chamando a atenção dos outros empreendedores rurais, e mais 20 pessoas já demonstraram interesse em conhecer a tecnologia”, explica.
Um bom exemplo é o caso do pequeno criador Manuel Soares Cardoso, que conseguiu um aumento de aproximadamente 20% na produtividade leiteira do seu rebanho bovino. Manuel Soares é integrante da Associação Comunitária dos Produtores Rurais da Lagoa do Rancho, em Porto da Folha, e há seis meses tem adotado a tecnologia do pasto agroecológico. “Utilizo vegetações nativas para alimentar o gado e outros animais. Estou economizando com a compra de milho e soja para ração. O mais interessante é que os animais preferem o pasto”, comenta Manuel.

No início, os vizinhos de Manuel até criticaram a opção dele pela novidade.  Diziam que a utilização da vegetação nativa para alimentar os animais era coisa de produtor preguiçoso, que não queria ter trabalho, e que os animais poderiam até morrer comendo esses matos. “Depois que viram que dava certo, que aumentei a produtividade e reduzi custos, ficaram interessados em aprender essa nova técnica”, explica. Além do leite bovino, Manuel trabalha com apicultura e cria porco e galinha. “A vegetação nativa também é o melhor alimento das abelhas. Alguém já soube de apiário que sobreviveu em pastos só com capim?”, questiona o produtor. 
Quem também aderiu à tecnologia do pasto agroecológico foi o produtor Edinildo Rodrigues de Medeiros, dono de uma pequena propriedade rural no povoado Lagoa da Entrada, em Porto da Folha. Além do leite de gado, Edinildo também trabalha com apicultura e planta palma. Ele é integrante da Associação dos Apicultores de Porto da Folha e somente há 30 dias vem utilizando à catingueira e outras vegetações nativas para alimentar os animais. “Estou satisfeito, a economia com a compra de ração está sendo ótima, os animais estão se alimentando bem, mas ainda não deu para perceber o aumento da produtividade de leite, pois tem pouco tempo que aderi ao pasto agroecológico”, diz o produtor.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Spot radiofônico

Spot radiofônico em formato de cordel aborda a convivência com o Semiárido
Monyse Ravena - Comunicadora popular da ASA
Fortaleza - CE
11/10/2011
Como parte de uma campanha de mobilização social e visibilidade para a temática da convivência com o Semiárido, o Fórum Cearense pela Convivência com o Semiárido (FCVSA) está elaborando uma série de peças de comunicação, entre estas, o material radiofônico. A primeira dessas peças é um spot em formato de cordel.
A escolha do cordel como linguagem, não foi aleatória. Julgou-se que esta seria mais próxima dos agricultores e agricultoras da região, ajudando na identificação destes com a peça produzida. Também estão sendo produzidas peças gráficas e audiovisuais.
OUÇA O SPOT

domingo, 24 de julho de 2011

"Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Regional"- Rede Clima

Campus da UFC no Cariri recebe encontro da Rede Clima


A partir de amanhã (25/07/11) o Campus da Universidade Federal do Ceará (UFC) no Cariri recebe o encontro da Sub-rede "Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Regional", da Rede Clima. O evento tem como objetivo promover o treinamento dos participantes da sub-rede, avaliar e planejar os próximos passos das pesquisas em desenvolvimento. 

A sub-rede é coordenada pelos professores Saulo Rodrigues e Marcel Bursztyn, do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade de Brasília (UnB). O Campus da UFC no Cariri participa da Rede Clima por meio do Laboratório de Estudos Avançados em Desenvolvimento Regional do Semiárido - LEADERS e do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional Sustentável - PRODER. A profa. Suely Chacon, da UFC/Cariri, coordena as pesquisas da sub-rede no Semiárido.

Abaixo está programação, que é restrita aos participantes do PRODER, do LEADERS e da sub-rede da Rede Clima.

Encontro REDE CLIMA – Sub-rede “Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Regional”
Local: JUAZEIRO DO NORTE /CE
Período: 25 a 30/julho

Conteúdo programático básico:
Planejamento das ações da sub-rede
Arcabouço Conceitual sobre Mudanças Climáticas, Vulnerabilidade e Adaptação
Nivelamento de métodos e técnicas de pesquisa quantitativa e qualitativa
Nivelamento de técnicas de apresentação e tratamento de dados primários e secundários
Encontro dos Grupos de Trabalho da sub-rede
Planejamento dos campos – Pesquisa semiárido

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Agroecologia no Semiarido - Eixos de Trabalho

Eixos de Trabalho
Convivência com o semi-árido


Voltado para a intervenção nas áreas da Criação de Pequenos Animais, 
Conservação e Recuperação de Solos, Manejo da Caatinga, Horticultura Orgânica,
 Implantação de Sistemas Agroflorestais e Recursos Hídricos, considerando, inclusive,
 a questão da Segurança Alimentar.


Acesso ao mercado

A intervenção neste eixo está voltada para as ações de fortalecimento da comercialização de produtos agroecológicos por famílias agricultoras e grupos comunitários, associações locais e suas participações junto aos Conselhos de Desenvolvimento Municipais.




Gênero e juventude


Jovens e mulheres ocupam uma posição mais frágil, menos reconhecida na sociedade. Por isso, o CECOR tem como estratégia de atuação o fortalecimento dos direitos e a inclusão deles através de uma abordagem transversal, buscando garantir a presença e participação nas ações desenvolvidas.
Atualmente, recebem especial atenção na área da geração de renda, estratégia voltada para a conquista da autonomia financeira para as mulheres e a construção de um futuro com vida digna no campo para a juventude rural.
As mulheres, além de um papel chave no lar e na economia familiar, mostram uma presença marcante nos espaços de comercialização, especialmente nas feiras agroecológicas da região. Essa participação contribui, significativamente, para uma maior auto estima e qualidade de vida para elas e suas famílias.
Os jovens também marcam sua presença nesse contexto, participando mais nas atividades que envolvem a família e expressando cada vez mais suas opiniões em espaços de divulgação (exemplo: programa de rádio) e de decisões, como é o caso dos processos de planejamento do CECOR. Isso permite realizar atividades especialmente pensadas para atender as demandas dos jovens, como visitas de intercâmbio a outras experiências desenvolvidas por grupos de jovens, ou ainda capacitações voltadas para iniciantes.
Ademais, o CECOR apóia a formação de grupos de jovens organizados, voltados para o acesso ao mercado, com destaque para as atividades de beneficiamento da produção com agregação de valor, demonstrando assim a viabilidade da permanência no campo, alternativa que vem se firmando como opção de vida, fazendo frente à migração para outras regiões do país.


http://www.cecor.org.br/

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Experiência com Agroecologia no Ceará

http://nossosemiarido.blogspot.com

Experiência com Agroecologia no Ceará

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Agroecologia favorece produtividade da mandioca

5/9/2010 Clique para Ampliar
Produtores da comunidade de Pirangi, em Itapipoca, cultivam a variedade “pretinha” e alcançam melhor rendimento que a modalidade anterior 
FOTOS: WILSON GOMES

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Casa de farinha em comunidade de Itapipoca. A produção do derivado da mandioca responde por 85% do que é produzido neste tipo de cultura no Estado, destinando-se à alimentação humana
Aumento de oito toneladas para 20t por hectare de mandioca é o resultado positivo alcançado em Itapipoca

Itapipoca - Uma associação formada por 25 famílias está atuando na transição da agricultura convencional para a agroecologia, fazendo com que a produção no campo aumente e se torne bastante rentável para todos que estão envolvidos no projeto. Este projeto foi implantado na comunidade de Pirangi, zona rural deste município e está sendo assistido pela Ematerce.

É um sistema de produção que visa o resgate de práticas agrícolas já conhecidas pelos produtores, a partir do uso de ferramentas tecnológicas e sociais cujo objetivo é o melhor incremento da produção e maiores possibilidades de mercado para o produtor.

O projeto implantado, que está servindo de piloto para outras comunidades, visa mostrar ao produtor de mandioca que ele pode optar por uma diversificação das espécies do cultivo de mandioca, ou usar somente uma variedade. "Aqui estamos trabalhando com uma única espécie, a mandioca variedade pretinha", disse Zilval Fonteles, engenheiro agrônomo da Ematerce. Segundo ele, a espécie tem uma produtividade de até 15 toneladas por hectare plantado, contra as 10 toneladas produzidas em área de igual tamanho com outros tipos de mandioca. "Além disso, a ´pretinha´ permite a colheita num tempo menor, algo em torno de um ano. Outra vantagem é o descascamento mais rápido, facilitando o trabalho das casas de farinha", ilustra Zilval Fonteles.

A transição da agricultura convencional para a agroecologia já mostrou suas vantagens e em pouco tempo conseguiu fazer com que os produtores aumentasse de oito toneladas por hectare, para 20t, por hectare. "A modernização da mandicultura foi necessário com a construção de uma fábrica de beneficiamento moderna, visando o aumento da produção de goma, farinha e outros subprodutos" explica Zilval Fonteles.

Melhor preço

"Antes a gente produzia de forma desordenada perdendo muito na qualidade obtendo um valor na venda muito inferior ao praticado no mercado local. Muitos compradores só pagavam R$ 35,00 por uma saca de 60 quilos, hoje o preço chegou a R$ 45,00", disse o presidente da Associação Prodesenvolvimento de Sítio Pirangi, José Cláudio Rosa.

Para o presidente da associação, um dos fatores que hoje devem ser levado em conta é a seleção de matéria adequada, higiene e os cuidados durante todo o processo de fabricação. "Com as novas tecnologias que estão sendo implantada na nova casa de farinha, o rendimento médio hoje chega a 30%", disse José Cláudio.

De acordo com engenheiro agrônomo da Ematerce, Zilval Fonteles, a agroecologia é constituída de diversos fatores que vão muito além da agricultura convencional, que é uma agricultura de exclusão.

"É um apanhado de técnicas, de parâmetros, de conhecimento local, de conhecimento do agricultor sobre o ecossistema em que ele vive, interação do meio ambiente com a natureza e o ser humano", disse Zilval Fonteles, acrescentando que devido a essa modernização introduzida, dentro das especificações tecnológicas exigidas, permite a produção de produtos de boa qualidade e de maior valor comercial, por custos razoáveis, proporcionando aumento na renda do produtor rural, o que gera uma grande expressividade apresentada pela cultura da mandioca no cenário socioeconômico do Estado.

Cultura de subsistência

Por não exigir maiores cuidados, o plantio da mandioca é um dos cultivos mais comuns realizados pelo homem do campo, considerado inclusive como cultura de subsistência no meio rural nordestino.

A mandioca é uma espécie nativa do Brasil e está distribuída em todo o território nacional. As principais regiões produtoras são: Nordeste (46%), Norte (25%), Sul (17%), Sudeste (7%) e Centro-Oeste (4%). Em nível nacional, 40 a 45% da produção destinam-se para farinha, 10% a fabricação do amido, 30% ao consumo de mesa e o restante é para a alimentação animal.

No Ceará em torno de 85% da produção de raiz de mandioca destina-se ao consumo humano, principalmente na forma de farinha e amido (goma), produtos considerados de baixa qualidade em razão das agroindústrias existentes serem artesanais e munidas de equipamentos obsoletos. O restante da raiz produzido é utilizado na alimentação animal, na forma fresca, ensilada ou fenada.

O interesse pela cultura deve-se a sua capacidade de adaptação as mais variadas condições ambientais.

Por suas características de rusticidade, em períodos de seca, comuns nas regiões semiáridas, a mandioca é capaz de produzir alimento, mesmo que precariamente, o que não acontece com a quase totalidade das mesófitas cultivadas nessas regiões, desempenhando assim, um importante papel social, notadamente junto às populações de baixa renda.

Quando as condições ambientais lhe são favoráveis, a mandioca se destaca das outras espécies cultivadas por sua elevada produção de biomassa por unidade de área. Daí a preferência de muitos produtores.

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Valor econômico

O cultivo da mandioca é de grande relevância econômica como principal fonte de carboidratos para milhões de pessoas, essencialmente nos países em desenvolvimento. O Brasil possui aproximadamente dois milhões de hectares é um dos maiores produtores mundiais, com produção 23 milhões de toneladas de raízes frescas de mandioca. Normalmente se recomenda o plantio de maio a outubro. Entretanto o plantio pode ser recomendado em qualquer época, desde que haja umidade suficiente para garantir a brotação das hastes. As principais pragas são: mandarovás, ácaros, percevejo de renda, mosca branca, mosca do broto, broca do caule, cupins e formigas. As doenças mais comuns são: Podridão de raiz, Bacteriose, superbrotamento, viroses. Ao ser constatada qualquer alteração no estado fitossanitário, consultar o órgão competente mais próximo.

MAIS INFORMAÇÕES

Associação Pro-Desenvolvimento do Pirangi
Sítio Pirangi, Itapipoca
(88) 3631.8008

VANTAGENS
Cultivo é base para a agricultura familiar

A mandioca apresenta rendimento superior a outras culturas e gera expressiva fonte de trabalho no Estado

A cultura da mandioca constitui a base da economia dos agricultores familiares das regiões litorânea, Chapada do Araripe e parte da Chapada da Ibiapaba. Ainda que haja uma intensificação da exploração de culturas permanentes, na zona mandioqueira, a cultura da mandioca persiste por ser responsável pela ocupação da maior parcela da força de trabalho das famílias rurais, além de ser a base alimentar dessas famílias e seus animais.

No Estado, 85% da produção de mandioca é transformada em farinha, sendo totalmente destinada à alimentação humana, principalmente para a população de menor poder aquisitivo. A maior produção de farinha ainda é feita em pequenas unidades fabris, as chamadas "casas de farinha", situadas nas próprias propriedades. Os equipamentos são primitivos, com exceção dos motores a explosão e elétrico, e a energia elétrica, monofásica, está bastante difundida no interior cearense.

O que torna a mandioca um cultivo sustentável é a sua capacidade de produzir em solos, cujo teor de fósforo é baixo e de realizar fotossíntese em condições de estresse hídrico, além das diversas utilidades e aplicabilidades.

Até agosto, no Ceará, a lavoura da mandioca apresentou um rendimento de 12,03%, enquanto que o café, outro produto em alta, teve um rendimento de 4,03%. Os dados foram divulgados recentemente pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Valor bruto

Assim, a cultura da mandioca continua sendo o 4º maior produto em valor bruto da produção agrícola (VBP), no Estado, com R$ 157,9 milhões, 47% a mais do que em 2009.

Quatro anos atrás, o Estado atingiu uma área de cultivo de 180.602 hectares com a cultura da mandioca, representando 9,7% da sua área apta, sendo colhido 88.602 ha, onde foram produzidas 860.780t de raiz de mandioca.

Outra cultura que vem ganhando força na região de Itapipoca é a cajucultura. Na comunidade de Pirangi foi realizado um trabalho intensivo de substituição de copas nos cajueiros velhos e improdutivos por cajueiros anão precoce. Com esse trabalho, a produção de caju passou de 380 quilos/ha para 600 quilos/ha.

Com a utilização de tratos culturais, levando em conta técnicas agroecológicas, as perdas médias nos cajueiros foi de 40%, diferente da média da região que chegou a 80%, em 2009.

Uma fonte de renda importante para a comunidade vem do ensino de técnicas de enxertia para agricultores de outras comunidades. A capacitação também favorece o intercâmbio entre produtores.

Renda

"A comunidade já tinha um potencial muito grande voltado para mandiocultura"

Zilval Fonteles
Engenheiro agrônomo da Ematerce

"Com a nova tecnologia melhorou a qualidade da farinha e o preço também"

José Cláudio Rocha
Presidente da Associação de Produtores

"O cultivo da mandioca tem ajudado tanto na produção, quanto na renda familiar"

Parlim Monteiro dos SantosAgricultor

Wilson Gomes
Colaborador

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