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Princípios da Agroecologia
Agricultura sustentável tem que considerar aspectos socioeconômicos e culturais dos grupos sociais implicados. Não basta proteger e melhorar o solo ou a produtividade agrícola se não resulta em melhorias nas condições de vida das pessoas envolvidas. Portanto, agricultura sustentável é um conceito que implica aspectos políticos e ideológicos que tem a ver com o conceito de cidadania e libertação dos esquemas de dominação impostos por setores de nossa própria sociedade e por interesses econômicos de grandes grupos, de modo que não se pode abordar o tema reduzindo outra vez as questões técnicas.
Francisco Roberto Caporal
http://www.aba-agroecologia.org.br/
grãos
Como os lobos mudam rios
Como se processa os animais que comemos
Rio Banabuiu
A VERDADE SOBRE O CANCER
segunda-feira, 13 de abril de 2015
quarta-feira, 29 de maio de 2013
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
6 jovens que estão mudando o mundo pela educação
1. Malala Yousafzai, 14
A menina que só queria poder estudar
Malala é uma jovem paquistanesa que, desde muito nova, ficou conhecida por seu ativismo em favor da educação das meninas no distrito de Swat, dominado pelo talebã. Em 2009, então com 11 anos, ela começou a escrever um blog para a BBC em que relatava as dificuldades de viver em uma região onde a violência era algo normal. Na mesma época, o jornal The New York Times produziu o documentário Class Dismissed (Aula Cancelada, em livre tradução), em que mostrava a menina e sua família às vésperas da escola onde estudava ser fechada pelos extremistas. No vídeo, ela e seu pai falam do sonho que a jovem tem de ser médica e de seu medo de ser obrigada a parar de estudar.
Confira o documentário, em inglês (cuidado, cenas fortes de violência).
Em 9 de outubro, Malala sofreu um atentado enquanto ia para a escola. A van em que estava com outras meninas foi interceptada por homens armados e ela foi atingida por tiros no ombro e na cabeça. A menina foi levada às pressas para um hospital local em estado crítico e, tão logo suas condições de saúde permitiram, ela foi removida para a Inglaterra. O talebã confirmou a autoria do ataque e reafirmou que segue com sua intenção de matar Malala e seu pai. Apesar disso, a parte boa é que, segundo a imprensa britânica, o estado de saúde da garota ainda inspira cuidados, mas ela apresenta melhoras consistentes e já consegue ficar de pé. Uma legião de pessoas tocadas pelo que aconteceu com ela tem compartilhado sua foto e sua história nas redes sociais.
2. Brittany Wenger, 17
A jovem que ajudou a diagnosticar o câncer
A norte-americana Brittany Wenger, 17, criou um programa de computador que ajuda os médicos a detectarem câncer de mama. A jovem levou dois anos para concluir suas pesquisas e, em julho, foi a vencedora do 2o Prêmio Google de Feira de Ciências, que condecora pesquisas de jovens cientistas de todo o mundo. Pelo programa, os médicos podem inserir características das células doentes (como aparência, tamanho e espessura) e o app aponta sua probabilidade de malignidade. “Tive casos de câncer na família, especificamente câncer de mama”, diz a jovem à emissora norte-americana ABC. Brittany quer continuar seus estudos e se tornar médica oncologista pediatra. No mesmo vídeo, sua mãe conta que, desde pequena, a menina é questionadora. “Quando ela tinha 3 ou 4 anos, ela sempre perguntava o porquê das coisas. As pessoas diziam que ia passar. Hoje ela tem 17 e continua perguntando.”
Veja entrevista de Brittany à ABC.
3. William Kamkwamba, 25
O menino que dominou o vento aos 14
William Kamkwamba hoje tem 25 anos, mas seus feitos começaram quando ele ainda tinha 14 no Maláui, no sudoeste da África. Em sua TED Talk de 2009, o rapaz conta que seu país sofreu com uma fome muito forte em 2001. Naquele ano, sua família, que vivia de plantar milho, só comia uma vez por dia; ele e seus irmãos desmaiavam com frequência de fraqueza. “Eu olhei para o meu pai e para aqueles campos secos e aquilo era um futuro que eu não podia aceitar”, diz ele.
Mal tendo como sobreviver, seus pais não puderam arcar com as despesas da educação de William, que precisou deixar os estudos. “Mas eu estava determinado a fazer o que fosse possível para nunca parar de estudar”, afirmou. Ia à biblioteca local e lia livros, especialmente de ciências. Em um deles, viu o desenho de um moinho de vento e descobriu que aquela estrutura era capaz de bombear água e gerar eletricidade. Ele buscou os materiais de que precisava em um ferro-velho. “Eu consegui construir minha máquina”, disse o rapaz que, com sua engenhoca feita com partes de bicicleta, canos de PVC e um ventilador de caminhão, conseguiu levar luz à casa de seus pais. “As pessoas faziam fila na porta de casa para carregar seus celulares”, contou.
A história do menino que dominou o vento foi contada na biografia “The boy who harnessed the wind” e inspirou uma onda de outros projetos pela África que buscam levar energia elétrica a lugarejos afastados a partir de mecanismos simples.
Veja TED Talk de William (2009).
4. Daniel Burd, 16
O menino que descobriu bactérias que comem plástico
O trabalho de escola do canadense Daniel Burd, 16, fez a ciência refazer as contas. Sua descoberta transformou os milhares de anos necessários para decompor plástico em apenas três meses. O jovem fez um experimento em que misturava lixo, água e plástico e deixou o tempo agir. Ele percebeu que o plástico estava, de fato, se decompondo muito mais rapidamente que pelo curso natural. Refez o experimento em outros meios e temperaturas e viu que o processo se repetia. Analisando o material, Daniel identificou que as responsáveis pela ação eram duas bactérias.
5. Isadora Faber, 13; e 6. Martha Payne, 9
As meninas que denunciaram suas escolas
A brasileira Isadora Faber, 13, criou a página Diário de Classe no Facebook e virou um fenômeno na internet. A menina começou a usar a rede para denunciar os problemas de sua escola, em Florianópolis. Ela tirava fotos de fios soltos e desencapados, portas quebradas, ventiladores que não funcionavam. A página virou um sucesso instantâneo e hoje tem quase 350 mil apoiadores.
Isadora conta que sua inspiração para criar a página foi a escocesa Martha Payne, 9, que montou o blog NeverSecond para reclamar da qualidade da merenda de sua escola. Com o sucesso da brasileira, muitos outros diários de classes surgiram pelo Brasil e hoje Isadora lidera movimentos em prol da qualidade da educação pública no Brasil.
Veja vídeo feito por Isadora Faber.
Com informações do Tree Hugger
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
IV ENGA - Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia
É com muita gratidão que os grupos de agroecologia da Universidade Federal de Viçosa (Apêti, Sauípe, GAO, Gengibre) assumiram a missão de organizarem, em Viçosa, entre os dias 15 e 19 de novembro de 2012, IV ENGA (Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia).
O ENGA é um dos principais eventos agroecológicos de nosso país. É um importante encontro onde se é possível realizar de maneira concreta troca de experiências agroecologicas, sejam de forma prática ou teórica. Além de ser um espaço fomentador de discussões pertinentes ao nosso projeto de sociedade.
A escolha de Viçosa para sediar este evento ocorreu durante a Cúpula dos Povos, no evento Rio + 20, durante uma deliberação da REGA (Rede dos Grupos de Agroecologia) e se concretizou durante a Troca de Saberes, em Viçosa, na Semana do Fazendeiro. Realizou-se então, um círculo dos sonhos, compartilhando nossas intenções e desejos em relação a esse encontro, com o intuito de integrar os grupos alternativos de Viçosa, para que assim seja uma construção coletiva de todos nós.
O IV ENGA – Viçosa pauta seus objetivos em fortalecer a agroecologia como ferramenta política e de transformação social, por intermédio da articulação e formação dos grupos agroecológicos do Brasil.
As diretrizes que norteiam nosso objetivo são:
1) Ampliar a geração de saberes agroecológicos para além dos sujeitos envolvidos com o movimento agroecológico da região;
2) Assegurar a continuidade do ENGA;
3) Criar ambientes para o processo de ensino-aprendizagem da transdisciplinaridade e ampliar a concepção de interdisciplinaridade junto aos participantes;
4) Fortalecer a rede dos grupos de agroecologia (REGA) e o movimento agroecológico regional e nacional;
5) Construir um encontro que minimize os impactos gerados por um evento deste porte;
6) Estreitar as parcerias com os Movimentos Sociais e Organizações pautadas na agroecologia;
7) Possibilitar à comunidade acadêmica conhecer os/as agricultores/as e suas práticas, ampliando o diálogo entre os grupos e núcleos de pesquisa junto as comunidades;
8) Elaborar em conjunto com os participantes, ferramentas e estratégias para ações futuras articuladas nacionalmente.
A metodologia que o IV ENGA – Viçosa empregará segue a partir da organização de espaços onde os grupos agroecológicos possam compartilhar seus saberes, sendo partilhados da seguinte maneira:
1) Instalações Pedagógicas;
2) Cultura e Arte;
3) Mesas de Debates;
4) Oficinas e Vivências;
5) Espaço de Articulação da REGA.
Gostaríamos de convidar vocês a participarem dessa construção coletiva, que demandará muitos esforços, mas que estreitará e fortalecerá os laços com grupos e entidades de todo o país, e assim potencializará e fomentará ainda mais a agroecologia no Brasil.
Tragam ou enviem sugestões de oficinas, de discussões temáticas, de culturais, de articulações, de organização e de comunicação. Estamos no processo de organização e formação de equipe.
GRUPO DE AGROECOLOGIA DO BRASIL! ENVIEM O NÚMERO DE PESSOAS QUE TENHAM INTERESSE DE PARTICIPAR DO IV ENGA – VIÇOSA PARA NÓS PLANEJARMOS A ALIMENTAÇÃO E O ALOJAMENTOS DE VOCÊS!
As reuniões estão ocorrendo todas as quartas-feiras, às 14h na Casa da Transição (Casa 18 da Vila Gianetti), Viçosa-MG. Contamos com a presença de vocês! Tragam idéias, sonhos e disposição!
E-mail para contato: motiro_o@yahoo.com.br
Agradecemos e aguardamos contato!!
Mutirão Ciranda - SAUIPE, Apêti e GAO
C.O IV ENGA - Viçosa MG
"Em toda ação, Viçosa em Transição!"
EXPEDIÇÕES AGUAS LATINAS
Olá amig@s e Companheir@s! Assinam este e-mail: André Barbosa, Bruno Pinheiro, Camila Mello,
Guaíra Maia e Thiago Moraes Se você está recebendo este email é por dois motivos: primeiro,
porque em algum momento militamos juntos por este Brasil afora;
e em segundo lugar porque sabemos que você sempre colabora e luta
por projetos que buscam um mundo mais justo, mais saudável e menos
desigual e, agora, necessitamos do seu voto de confiança, contribuindo
com um projeto que tem como pano de fundo o objetivo de fortalecer a
articulação regional das lutas em defesa da água na América Latina. Trata-se das Expedições Águas Latinas: uma série de viagens que serão
realizadas dentro e fora do Brasil nas quais temos em vista fortalecer
as lutas locais no que tange a água, popularizando o uso de ferramentas
como os mapeamentos participativos e a cartografia social, com referenciais
na educação popular e ambiental. Estamos caminhando para a nossa primeira Expedição e precisamos
muito do seu apoio!!! Nossa primeira viagem será para a Colômbia, onde vamos conhecer um
projeto muito interessante que está sendo realizado pelo oitava ano
consecutivo: a Travessia por el Rio Tunjuelo, uma tradicional caminhada
em defesa da Bacia Hidrográfica do Rio Tunjuelo, que acontecerá entre
os dias 12 e 15 de outubro de 2012. Vamos participar da caminhada junto dos jovens colombianos
trocando experiências em metodologias de mapeamento participativo que
vem sendo aplicadas em ambos os território no contexto do
saneamento ambiental e da governança da água! Além de participar
da caminhada, temos em vista acumular as primeiras informações e
experiências para um projeto maior e mais amplo, de fortalecimento
das lutas pelos direitos humanos e pelos direitos da água, assim como
para formulação e proposição de instrumentos e metodologias de
participação e controle social. Se quiser mais informações, você pode encontrar em nossa
página no Facebook: https://www.facebook.com/AguasLatinas/app_291608934212293 ou
entrar em contato direto com qualquer um de nós. Como você pode colaborar? Estamos acreditando no poder do coletivo para viabilizar esta viagem.
Não estamos buscando apenas ajuda com dinheiro, há duas formas com a
qual você pode nos ajudar a realizar esta expedição e fortalecer a
articulação regional das lutas em torno da defesa da água: 1.. Se você tem milhagens sobrando, pode trocar por uma passagem
ida e volta da Colômbia e garantir a ida de mais uma pessoa
para a Colômbia. 2.. Você também pode realizar uma doação em dinheiro no valor
mínimo de R$ 15 por meio de nossa página de Crowdfunding
(https://www.facebook.com/AguasLatinas/app_291608934212293).
Caso encontre problemas com o sistema, a doação também pode ser
feita por meio de depósito ou transferência bancária na conta de
Bruno Pinheiro – Bradesco | C/C 0018095-5 | Ag 1611 |
CPF 351.345.838-03. Sempre, Todos Juntos Somos Fortes! Porque Água Não tem Dono! Camila Mello Geógrafa e Educadora Popular Skype: camilagmello rejuma.org.br epajuma.org.br Instituto Refloresta " Felicidade se acha em horinhas de descuido." Guimarães Rosa
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Juventude, Juventude: Abre as asas sobre nós!
terça-feira, 5 de junho de 2012
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Congresso Mundial de Juventude:
Durante esses dias, mais de 300 jovens de 100 países se reúnem para debater sobre desenvolvimento sustentável a partir da provocação: "Qual é o papel mais eficaz que a juventude pode desempenhar na sustentabilidade?”. Além disso, os/as participantes também aproveitam o momento para discutir questões referentes à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), evento que ocorrerá entre os dias 20 e 22 deste mês, também no Rio de Janeiro.
A programação contempla eventos sociais e culturais, exibições de projetos ou trabalhos corporativos, debates, reuniões, plenárias, mesas redondas, entre outras atividades. Destaque para as oficinas de: turismo e desenvolvimento; yoga e meditação, um caminho para excelência; uma Terra é possível; como desenvolver ações cidadãs sustentáveis; e crise climática e o que fazer contra.
Durante os cinco dias do Congresso, os/as jovens ainda participam de "projetos de ação” em comunidades do Rio de Janeiro. A ideia é que eles/as participem das palestras e oficinas oferecidas pelo Congresso para em seguida ajudar as comunidades cariocas.
No dia 12, os/as participantes realizam uma marcha simbólica pelas ruas da cidade para chamar a atenção para a pauta da sustentabilidade. A expectativa é que os/as jovens ainda entreguem aos representantes do Rio de Janeiro um documento com Planos de Ação da juventude sobre a temática.
Congresso
O primeiro Congresso Mundial de Juventude ocorreu em 1999, no Havaí. Na ocasião, jovens de mais de 120 países discutiram sobre "As prioridades para o Novo Milênio”. Em 2003, foi a vez do Marrocos sediar o evento, cujo tema girou em torno no papel dos jovens para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O Congresso seguinte ocorreu na Escócia, em 2005, quando os/as jovens celebraram o Ano Internacional do Voluntariado.
Em 2008, Canadá foi sede do evento, o qual reuniu cerca de 600 pessoas para discutir sobre "regeneração” e desenvolvimento liderado por jovens. Dois anos depois, em 2010, os/as jovens foram à Turquia para trabalhar o monitoramento e a avaliação de projetos liderados por eles/as. E, neste ano, aproveitando as discussões referentes à Rio+20, os/as jovens se encontram no Brasil, para debater sobre sustentabilidade.
Para mais informações, acesse: http://wycrio2012.org
quarta-feira, 23 de maio de 2012
FEAB- SEMANA NACIONAL DE MOBILIZAÇÃO – 28 A 31 DE MAIO DE 2012
FEDERAÇÃO DOS ESTUDANTES DE AGRONOMIA DO BRASIL |
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sábado, 7 de abril de 2012
Empoderar jovens pelo mundo,
Ban falou sobre a importância do acesso a educação para mulheres. "Em todo o mundo, os países estão trazendo mais gente para a sala de aula, mas 125 milhões de jovens aindanão leem ou escrevem. Dois terços dos analfabetos são mulheres, o que é um problema para esses indivíduos, mas também é um problema para nós, porque quando deixamos as mulheres para trás, nós prejudicamos o progresso de todos”. "A cada um minuto e meio, uma mulher morre durante o parto ou a gravidez. Muitas são apenas adolescentes e suas vidas poderiam ser salvas com a informação correta e suprimentos”.
Ele também alertou que a falta de empregos pode levar à insatisfação social e rebeliões populares como foi visto na Primavera Árabe, onde os jovens não só "protestavam por democracia. Eles também queriam garantir um futuro melhor, com um bom emprego e um salário justo”. São mais de 74 milhões de jovens desempregados pelo mundo.
O Secretário-Geral reafirmou que a ONU está alavancando seus próprios esforços para trabalhar para e com os jovens nas questões que os afetam, tais como o desemprego, inclusão social, direitos humanos e saúde sexual.
Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil
Veja mais:
- Mundo - Nuevos esclavos (CCS)- Brasil - Miséria, Gênero: Qual Vem Antes? (Observatório da Mulher)
- Mundo - Violencias en el deporte (Sur y Sur)
- Brasil - Árvores no chão (Greenpeace)
- Alemanha - Premiado bairro alemão se autodenomina (EcoD)
- Listar notícias de: Artigos - Opinião
- Listar notícias de: ADITAL Jovem
- Listar notícias de: Juventude
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terça-feira, 20 de março de 2012
Cultura: e se o pós-capitalismo estiver começando?
Cultura: e se o pós-capitalismo estiver começando?
Por Antonio Martins | participou Bruna Bernacchio
Quem acompanha a cena cultural brasileira e o debate que ela desperta, ouviu provavelmente falar sobre a Rede Fora do Eixo (FdE). Existe há menos de sete anos. Surgiu singela: uma articulação entre coletivos de jovens, inconformados com a pobreza e mesmice da “arte” que os circuitos tradicionais oferecem ao interior do Brasil. Começou de onde, em geral, se espera pouco: Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Uberlândia (PR) e Londrina (PR) – quatro cidades distantes do mar e do glamour de Rio-São Paulo. Soube ir além da crítica: os garotos e gurias queriam montar festivais, shows, turnês – e não apenas desprezar a indústria cultural, em discursos com ar blasé.
Veio na hora certa. Desejos parecidos pulsavam em todo o país e o Fora do Eixo parece ter no DNA o espírito de compartilhamento. A experiência reunida por cada coletivo gera um acervo comum de tecnologias sociais, transmitido e renovado incessantemente em encontros, residências, congressos ou pela internet (veja algumas apresentações). A rede adensou-se rápido. Hoje, são 73 coletivos, em 112 cidades brasileiras e em quatro países da América Latina. Sua atividade é impressionante: em 2011, os grupos colocaram em contato com o público 13.500 músicos independentes, em 5.152 shows, 150 turnês e 170 festivais. Seus palcos principais são praças, universidades, casas-sedes dos coletivos. Nestes locais também funcionam centros de distribuição, onde é possível ter acesso a 3 mil produtos – de CDs, DVDs e livros a camisetas e chaveiros.
Em 2011, o Fora do Eixo também armou um salto estratégico. Em março, dezenove gestores, originários de coletivos em todo o país, alugaram e habitaram uma casa em São Paulo, maior metrópole e polo de difusão cultural do país. A presença multiplicou a visibilidade e a repercussão da rede. Ela foi tema de matérias em revistas e emissoras de circulação nacional, como Trip e MTV; recebeu prêmios como o Bravo! (por “melhor programação cultural”), firmou parcerias com casas de show como Studio SP.
Os R$ 12 milhões que o Fora do Eixo gastou em 2011, com música, certamente não pagariam um dos espetáculos das turnês de circuito internacional que frequentemente vêm ao Brasil. Se viabilizaram 5 mil shows e contribuíram com a produção de 13,5 mil músicos, é porque algo fundamental mudou. Uma multidão de jovens artistas já não se enxergam como candidatos a semideuses, mas como seres humanos dispostos a viver com dignidade de sua criação cultural.
Algo facilita esta nova mentalidade. Além de reais, circula nos coletivos o CuboCard, uma moeda alternativa(veja algo sobre ele nos menus à esquerda desta página). A rede emitiu 20 milhões de Cubos (Cc$), em 2011. Têm enorme utilidade, porque ajudam a quantificar e tornar líquido o enorme volume de trabalho não-mercantil gerado no circuito. Um show pode render a uma banda R$ 1.000 e Cc$ 2.000. Usa-se a primeira quantia nas formas conhecidas. A segunda gira sempre dentro da rede, ajudando a viabilizar a produção de seus milhares de participantes. Mas é muito valiosa aos músicos. Com cubocards, é possível contratar, entre centenas de itens, horas de estúdio (nas casas do Fora do Eixo), a construção de um site, a assessoria de imprensa para um show, a gestão de uma carreira, hotéis, cursos, cervejas. Um requintado cardápio de produtos e serviços reunia, em dezembro do ano passado, centenas de itens.
A usina que faz girar toda a rede são os coletivos de produtores, que reúnem cerca de 2,2 mil pessoas e participam de uma espécie de experimento comunitário radical. Na casa de São Paulo, ninguém recebe, pelo trabalho, salário individualizado. Todos desfrutam gratuitamente dos bens comuns: casa (que inclui teto em quartos compartilhados, água, luz, telefone, internet); refeições; toda a programação cultural; um ambiente intelectual agitado e instigante). Compartilham a senha de cartões de débito e crédito. O gasto é livre: serve para custear uma roupa, um remédio, uma viagem. Mas está sujeito a justificação: não é lícito aproveitar a liberalidade para viver melhor que os demais. O ambiente combina frugalidade notável (na casa, roupas, comida) com banda larga farta e laptops para todos.
Ao menos neste ambiente ultra-jovem (os membros históricos do Fora do Eixo têm menos de trinta anos; a maioria está na faixa dos vinte), o arranjo funcionou de modo admirável. No documento de balanço das atividades da rede em 2011 (também disponível em formato multimídia), fala-se em expandir a experiência paulistana, num convite para que os coletivos FdE adotem o modelo das casas-escritórios coletivas (também chamadas de Zonas Autônomas Permanentes). Não se trata de apelar para um compromisso ideológico. Sugere-se algo concreto e até certo ponto pragmático: a experiência de uma vida mais rica, menos limitada pelas futilidades vazias do consumismo.
Algumas das novidades recentes deste universo já não se situam apenas no terreno da produção cultural. Relacionam-se com a expansão permanente do “modo de ser” Fora do Eixo. Parte dos recursos que movimentam a grande rede é captada em órgãos públicos e empresas, por meio de editais e projetos de patrocínio. Para elaborar projetos de captação e gerir os recursos, criou-se o Banco FdE, que também funciona de forma decentralizada. Cada coletivo destaca pelo menos um de seus integrantes para a tarefa. As experiências são compartilhadas em rede e sistematizadas em novas tecnologias sociais e ferramentas. Mas o banco vai muito além da busca de receita. Procura gerir a complexa emissão da moeda alternativa (como ela é feita autonomamente pelos coletivos, é preciso evitar crises inflacionárias…). Aventura-se pelo terreno da Economia Solidária.
Para refletir teoricamente sobre a experiência, há a Universidade FdE. Ela estabelece diálogos com professores, estudantes, rádios e TVs universitárias. Mas sua vocação principal é estimular a rede a pensar sobre seu próprio trabalho, no contexto de grandes temas contemporâneos. Isso se de dá por meio dos Observatórios Fora do Eixo. Foram 85 edições em todo o país, em 2011. Nelas, debateu-se assuntos muito práticos (“Compostagem urbana: como fazer um minhocário”); mas também promoveu-se capacitação reflexiva (teoria e prática das rádios livres, terminando com a montagem de um transmissor, por exemplo), debates estéticos (“Teatro do Absurdo”) e políticos (“O papel da distribuição na Cultura Livre”). Boa parte das sessões é transmitida ao vivo, por internet, e fica disponível num canal próprio do Livestream.
Por fim, há o Partido da Cultura (PCult). Ainda é embrionário e, embora impulsionado pelo Fora do Eixo, vai além dele. Não-institucional por excelência, atua no debate e mobilização sobre políticas culturais (o FdE foi uma das vozes mais claras, na crítica aos retrocessos vividos pelo ministério da Cultura, após o início do governo Dilma). Mas, também aqui, quer ir além da resistência e explorar “o papel da cultura como transformadora das relações de trabalho, sociais e econômicas”.
Talvez um jornalismo de profundidade ajude a encontrar respostas. Em 13 de fevereiro, a repórter Bruna Bernacchio e eu nos encontramos, na casa FdE de São Paulo, com dois animadores da rede – Felipe Altenfelder (de barba) e Pablo Capilé. O diálogo está registrado nos sete vídeos abaixo, que tiveram edição leve de Bruna. Não devem ser vistos como uma entrevista formal. Foram uma primeira abordagem, que publicamos para que os leitores de Outras Palavras possam acompanhar nosso trabalho desde a etapa em que é produzido. A partir do diálogo, pautaremos e realizaremos uma série de reportagens. Queremos enxergar concretamente o Fora do Eixo – não julgá-lo partindo de esquemas teóricos. Será muito recompensador contar (desde já e durante toda a série) com informações, observações, insights e críticas.
Para estimulá-las, vale adiantar duas hipóteses. A primeira não é nova, mas não custa ressaltá-la. O FdE é mais um filho da era digital. O desejo de novas relações sociais, que o inspira e alimenta, seria impotente sem as tecnologias que derrubaram dramaticamente os custos dos equipamentos e da produção de bens culturais. Que multiplicaram as possibilidades de mixagens e remixagens multimidiáticas. Que tornaram possível aos criadores, ou a coletivos não-mercantis, distribuir seus produtos maciçamente e quase sem custo, propagar seus eventos e ideias, compartilhar em tempo real suas práticas e experiências. Que, enfim, estão tornando desnecessárias e obsoletas a indústria cultural e seus mecanismos de intermediação.
A segunda hipótese é mais instigante e arriscada. Ao buscar soluções para seus problemas práticos, o Fora do Eixo parece ter encontrado uma nova trilha para a prática do pós-capitalismo. Os artistas e coletivos que se integram à rede estão, é claro, imersos no mundo da mercadoria. Neste, como todos nós, eles são obrigados a comprar a vida (aluguel, comida, internet, micros, estúdios, etc etc etc) e vender trabalho. Porém, foram capazes de desenvolver um conjunto vasto de relações sociais de sentido oposto. Esta vida alternativa, que desponta em meio à vida-mercado, pulsa. Consolida-se, porque sendo os coletivos tão frugais, e os custos relativamente baixos, os empreendimentos tornam-se sustentáveis. Reproduz-se – porque a rejeição ao consumismo, a possibilidade desenvolver talentos, de compartilhá-los, de aprender e ensinar incessantemente, de conviver em espaços onde o estímulo intelectual é constante são um combustível que desperta o desejo de mais jovens. Expande-se, porque as mesmas experiências de sucesso alcançadas na música estão se tornando possíveis em muitos outros ramos da produção imaterial. Subverte: porque demonstra, de modo imediato, a viabilidade e concretude de outras lógicas e relações sociais.
Visto desta forma (e não como algo a ser construído apenas após uma duvidosa “tomada do poder”), o pós-capitalismo está em construção há tempo. O software livre é um exemplo emblemático. Comunidades mundiais de milhares de desenvolvedores produzem aplicações fazendo-se remunerar – mas, ao mesmo tempo, desapegando-se do produto final de seu trabalho e estabelecendo, em todas as fases de produção, relações não-mercantis de colaboração. Estas lógicas lhes permitem estar no centro de um dos setores mais dinâmicos e inovadores da economia contemporânea.
Talvez a grande novidade do Fora do Eixo esteja em ter aberto um novo filão, potencialmente muito mais extenso. Porque aqui cabem não apenas os desenvolvedores de código, mas todo o universo da produção de conhecimento, cultura, comunicação e arte.
Que tempos desafiantes, os que vivemos – em que há tanta barbárie e, ao mesmo tempo, tanta possibilidade de humanização. E que prazer, o de estar aberto para perceber, conhecer e narrar estas surpresas.
http://www.outraspalavras.net
Em: Viver Sustentavel/Gentilezas
BANIR AGROTÓXICOS.
Assine o Abaixo-Assinado virtual que pede o banimento dos agrotóxicos já proibidos em outros países do mundo e que circulam livremente no Brasil.
A Campanha tem o objetivo de alertar a população sobre os perigos dos agrotóxicos, pressionar governos e propor um modelo de agricultura saudável para todas e todos, baseado na agroecologia.
Assine já, pelo banimento dos banidos! Entre no link abaixo.


