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Princípios da Agroecologia
Agricultura sustentável tem que considerar aspectos socioeconômicos e culturais dos grupos sociais implicados. Não basta proteger e melhorar o solo ou a produtividade agrícola se não resulta em melhorias nas condições de vida das pessoas envolvidas. Portanto, agricultura sustentável é um conceito que implica aspectos políticos e ideológicos que tem a ver com o conceito de cidadania e libertação dos esquemas de dominação impostos por setores de nossa própria sociedade e por interesses econômicos de grandes grupos, de modo que não se pode abordar o tema reduzindo outra vez as questões técnicas.
Francisco Roberto Caporal
http://www.aba-agroecologia.org.br/
grãos
Como os lobos mudam rios
Como se processa os animais que comemos
Rio Banabuiu
A VERDADE SOBRE O CANCER
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Praticas Terapeuticas na Agricultura
Prêmio Terra para a Vida
O processo de candidatura para 2013 Terreno para Prêmio Vida está agora aberto.
Parabenizamos os vencedores de 2012:
- Meios de Vida Sustentáveis orgânicos integrados (solo) no Haiti receberá 40.000 dólares.
- Fundação Turca de Combate à Erosão do Solo (TEMA) na Turquia vai receber 30.000 USD.
- Os esforços de conservação para o Desenvolvimento da Comunidade (CECOD ) em Uganda receberá 30.000 dólares.
Terra para a Vida Prêmio
UNCCD
P.O. Box 260129
53153 Bonn
Em:http://www.unccd.int/en/programmes/Event-and-campaigns/LandForLife/Pages/default.aspx
Alemanha
+49 (0) 228 815 2831
Estudo de Fitoremediação
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Los análisis realizados por espectroscopia de absorción atómica detectaron altos contenidos de cobre (Cu) en las muestras extraídas, alcanzando una concentración promedio de 6.919 mg/kg de Cu en la torta de relave, y 1.441 mg/kg de Cu promedio en los suelos contiguos al relave. Se investigó el comportamiento de la especie vegetal Vetiver (Chrysopogon zizanioides), en la técnica de fitorremediación de suelos contaminados por Cu, mediante ensayos a nivel de laboratorio y en condiciones controladas con la incorporación de enmiendas orgánicas. Los resultados de la concentración de Cu en la especie vegetal, luego de 13 semanas de cultivo (ver foto), fueron consistentes con los de suelo, tanto por su distribución como por su acondicionamiento. Se logró acumular en la biomasa foliar y el sistema radicular, de las especies cultivadas en relave, una cantidad promedio de 326 mg/kg de Cu, mientras que los cultivos controlados con enmiendas orgánicas fueron capaces de acumular un promedio de 543 mg/kg de Cu. Se concluyó que la especie vegetal es una alternativa viable para procesos de fitorremediación en suelos contaminados con cobre, considerando zonas de similares características a las estudiadas. El Resumen Ejecutivo responde a la recapitulación de una investigación de carácter académico, como Proyecto de Título de estos estudiantes para obtener el grado de Ingeniero en Prevención de Riesgos y Medio Ambiente, alcanzando calificación máxima en diciembre de 2012 y adquiriendo una importante valoración por la contribución al desarrollo sostenible en Chile, país minero con un alto grado de contaminación de suelos. [El Resumen Ejecutivo con mas detalles sobre este proyecto puede descargarse aquí] |
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
TOTAL REPÚDIO À CRIMINALIZAÇÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL!!!
Estou inteiramente solidário aos bravos estudantes da Universidade de São Paulo, que têm reagido até com timidez e comedimento à escalada autoritária em curso --a qual, em tudo e por tudo, faz lembrar os infames tempos da ditadura militar.
As coisas não teriam chegado a este ponto se a OCUPAÇÃO MILITAR DA USP houvesse sido firmemente repudiada por todas as forças de esquerda. A reação tíbia à INVASÃO BÁRBARA da Cidade Universitária estimulou os nostálgicos do arbítrio a radicalizarem ainda mais seus desmandos, que atingiram o auge no Pinheirinho; e, como subproduto, temos agora uma INÍQUA E INACEITÁVEL TENTATIVA DE INTIMIDAÇÃO EXTREMA AOS USPIANOS.
Recomendo o máximo de sangue-frio neste momento, para não fornecermos munição e pretextos aos PESCADORES EM ÁGUAS TURVAS.
E que todas as forças democráticas de São Paulo e do Brasil unam-se em defesa dos NOSSOS JOVENS IDEALISTAS, QUE NÃO SÃO NEM JAMAIS SERÃO QUADRILHEIROS!!!
Vamos acreditar que o juiz de quem depende abortar esta aberração honrará a toga. Vamos evitar quaisquer radicalismos que possam prejudicar aqueles companheiros a quem tentam injustiçar.
Nada está consumado. A batalha mal começa. Se a travarmos com inteligência e determinação, venceremos. Se perdermos a cabeça, os companheiros que estão na berlinda pagarão por nossos erros. Só idiotas fazem o jogo do inimigo.
Dossiê ABRASCO
Terceira parte do dossiê Abrasco já está disponível na internet
‘Agrotóxicos, conhecimento científico e popular: construindo a ecologia de saberes’ é o título da última parte do documento, lançado durante o Abrascão
Dossiê Parte 2 – Agrotóxicos, saúde, ambiente e sustentabilidade
Dossiê Parte 3 – Agrotóxicos, conhecimento científico e popular: construindo a ecologia de saberes
Nos últimos três anos o Brasil vem ocupando o lugar de maior consumidor de agrotóxicos no mundo. Os impactos à saúde pública são amplos porque atingem vastos territórios e envolvem diferentes grupos populacionais como trabalhadores em diversos ramos de atividades, moradores do entorno de fábricas e fazendas, além de todos nós que consumimos alimentos contaminados. Tais impactos são associados ao nosso atual modelo de desenvolvimento, voltado prioritariamente para a produção de bens primários para exportação.
Nos recentes eventos da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), como o I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental e o V Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, foram aprovadas moções sugerindo um maior envolvimento de nossa entidade com essas questões, principalmente as relacionadas aos agrotóxicos.
O GT de Saúde e Ambiente da ABRASCO tem produzido várias reflexões sobre esse tema e, em sua oficina realizada no VIII Congresso Brasileiro de Epidemiologia, decidiu contribuir com a iniciativa de construir, junto com os GTs, Comissões e associados da ABRASCO, um Dossiê sobre os impactos dos Agrotóxicos na Saúde no Brasil.
Esse Dossiê visa alertar, por meio de evidências científicas, as autoridades públicas nacionais, internacionais e a sociedade em geral para a construção de políticas públicas que possam proteger e promover a saúde humana e dos ecossistemas impactados pelos agrotóxicos.
EcoDebate, 18/01/2013
Em: http://www.ecodebate.com.br/2013/01/18/agrotoxicos-conhecimento-cientifico-e-popular-construindo-a-ecologia-de-saberes-ja-esta-disponivel-na-internet/
A ultima fronteira...
Ambientalistas criticam planos contra vazamento de petróleo no Ártico
Documento redigido pelos oito países com território no Ártico não detalha medidas que devem ser tomadas caso ocorra um acidente e é considerado vago por organizações ambientalistas.A reportagem é da agência de notícias Reuters e reproduzida pelo portal Ig, 05-02-2013.
Os países do Ártico foram vagos em seus planos de cooperação contra vazamentos de petróleo na região, e deveriam ter estabelecido com mais rigor a responsabilidade das empresas por eventuais acidentes, disseram ambientalistas na segunda-feira.
Um documento de 21 páginas redigido pelos oito países do Conselho Ártico diz que a região "deve manter um sistema nacional para responder imediata e efetivamente aos incidentes de poluição petrolífera" nessa gélida região, que está se tornando mais aberta à exploração por causa do aquecimento global.
A Reuters teve acesso e antecipou o teor do documento, que deve ser aprovado em maio. Ele não detalha medidas em termos de contratação de pessoal, navios, equipamentos de limpeza e responsabilidades corporativas por eventuais derrames de petróleo no Ártico, onde os EUA estimam estar 13 por cento das reservas petrolíferas ainda não descobertas do planeta, e 30 por cento das reservas de gás não descobertas.
Os países redigiram esse documento num momento em que empresas como Royal Dutch Shell, ConocoPhillips, Lukoil e Statoil voltam seus olhos para o norte, apesar dos custos e riscos envolvidos. Em 31 de dezembro, o mau tempo provocou o encalhe da plataforma petrolífera Kulluk, da Shell, na costa do Alasca.
"O documento não encara os riscos de um vazamento de forma significativa", disse Ruth Davis, do Greenpeace, que entregou o documento à Reuters. Autoridades confirmaram a autenticidade do texto. O Greenpeace, que luta pela proibição da prospecção petrolífera no Ártico, disse que o texto é "escrito de forma tão vaga que terá pouco valor prático na elevação do nível de preparação" contra acidentes.
"Deveríamos estar bem além desse documento rudimentar", ecoou Rick Steiner, consultor ambiental, ex-professor da Universidade do Alasca e crítico contumaz da indústria do petróleo. Ele disse que o Conselho deveria dar mais ênfase à prevenção dos vazamentos.
O Conselho Ártico --formado por EUA, Rússia, Canadá, Suécia, Finlândia, Noruega, Islândia e Dinamarca (país que controla a Groenlândia)-- vê a cooperação como um grande avanço para a região, onde a cobertura de gelo atingiu seu menor nível no verão boreal de 2012.
"Haverá muitas melhorias em comparação a hoje - simplesmente por tornar mais fácil para que os países árticos se ajudem mutuamente quando necessário", disse Karsten Klepsvik, que foi até o final de 2012 especialista da chancelaria norueguesa em questões polares.
O documento estabelece, por exemplo, um contato ininterrupto entre os oito países para questões emergenciais, além de estipular regras nacionais para permitir o rápido transporte de equipamentos de limpeza pelas fronteiras marítimas, um melhor monitoramento e treinamentos conjuntos.
Os ministros de Meio Ambiente dos países do Conselho Ártico vão se reunir na terça e quarta-feira em Jukkasjarvi, na Suécia, para discutir a proposta. O documento deixa claro seu caráter não-vinculante, exceto no ressarcimento de custos quando um país ajudar outro. Ele diz que suas regras estão "sujeitas à capacidade das partes e à disponibilidade de recursos relevantes".
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/517447-ambientalistas-criticam-planos-contra-vazamento-de-petroleo-no-artico
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Inventario Florestal Brasileiro
Brasil faz primeiro inventário florestal em 40 anos
Seres Modulares
Solução de mistério biológico impulsiona inteligência artificial
The evolutionary origins of modularity
Jeff Clune, Jean-Baptiste Mouret, Hod Lipson
Proceedings of the Royal Society
Vol.: 280, 20122863
DOI: 10.1098/rspb.2012.2863
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Escola da Terra: Cursos 2013
- Agroecologia (Março) - http://escoladaterra.com.br/cursos/?page_id=31
- Mastofauna (Março) - http://escoladaterra.com.br/cursos/?page_id=130
- Ecoturismo (Março) - http://escoladaterra.com.br/cursos/?page_id=33
- Bioconstrução (Abril) - http://escoladaterra.com.br/cursos/?page_id=240
ibiosfera.org.br
Entre o fácil e o difícil, fico com a dura construção coletiva.
"Até o presente momento, jamais foi encontrada VIDA fora do Planeta Terra. Isso nos lembra da rara biodiversidade que temos aqui em nosso Planeta, provavelmente, a maior valiosidade e raridade de todo o Universo! Qual é o preço desta Vida presente no Planeta Terra ?!"
Reforma Agraria : 2
Os professores da Universidade Federal do Ceará (UFC) Maria Inês Escobar da Costa (Agronomia-Cariri), Daniel Albiero (Engenharia Agrícola-Fortaleza) e Francisco Casimiro Filho (Agronomia-Fortaleza) obtiveram aprovação de três projetos referentes ao Edital CNPq/MDA-INCRA nº 26/2012 e contarão com mais de R$ 3 milhões para pesquisa em Assentamento de Reforma Agrária.
O edital foi lançado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os projetos apresentados pelos professores da UFC concorreram com 113 de todo o País e ficaram entre os 34 selecionados. Cada projeto aprovado contará com até R$ 500 mil anuais para custear ações nos exercícios de 2013, 2014 e 2015.
Ainda conforme o edital, estão previstas até 58 bolsas mensais do CNPq por núcleo de residência agrária para o próximo triênio. A quantidade e os valores das bolsas mensais que se enquadram nas modalidades do CNPq são: duas na de Extensão no País B (EXP-B), de R$ 3 mil cada; três bolsas EXP-C, de R$ 1,1 mil cada; 50 bolsas ATP-A, de R$ 550,00 cada e 3 bolsas IEX, de R$ 360,00 cada.
O edital é voltado para qualificação de professores, alunos e técnicos extensionistas, geração de conhecimentos, capacitação técnico-profissional e serviços de assistência técnica e extensão rural junto aos assentados, considerando os princípios e objetivos da Política Nacional de Educação do Campo e do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) (Decreto nº. 7.352/2010), do Programa Fomento à Agroindustrialização e à Comercialização (Terra Sol) e da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Lei nº. 12.188, de 11 de janeiro de 2010).
Fonte: Portal da UFC
Reforma Agraria : 1
2012 e a Reforma Agrária. Piores índices em décadas
O ano de 2012 tornou óbvio que a grave situação resultou desta escolha injustificável por parte do Governo: a de relegar a Reforma Agrária para a periferia das políticas públicas e do orçamento, atendendo exclusivamente ao latifúndio especulativo e exportador.
Os próprios dados oficiais denunciam esse quadro inaceitável: o número de famílias assentadas em 2012 atingiu a taxa mais baixa registrada desde 1994 e representou apenas 36% da meta prevista pelo Governo em 2012, que era de 30 mil famílias. É fundamental destacar que essa meta fixada – e que ficou longe de ser cumprida pelo Governo – já significava um objetivo irrisório diante das reais necessidades de democratização de terras no País.
Outro grave indicador desta falta de prioridade é o fato de que mais de 200 mil famílias de trabalhadores e trabalhadoras sem terra aguardam a conclusão dos processos de desapropriações relativos às grandes propriedades já vistoriadas e identificadas como improdutivas. Se continuar no mesmo ritmo de 2012, o Brasil precisará de mais 50 anos só para assentar a demanda atual de famílias sem terra acampadas.
Outra decepção foi com relação às áreas de assentamentos já existentes, declaradas como prioridade pelo Governo Dilma. Faltou política de Estado (crédito, habitação, infraestrutura, parcelamento, etc). De fato, para a maioria dos assentamentos não foram liberados recursos para os Planos de Desenvolvimento dos Assentamentos (PDAs) - ferramenta principal para obtenção de créditos de investimentos e produção - além de terem sido assinados poucos convênios de ATES.
Neste cenário, as famílias são jogadas para as garras do grande capital. Na completa ausência de incentivo à agricultura camponesa, são muitos os agricultores e agricultoras que se vêm pressionados e submetidos às investidas do agronegócio, em especial nas regiões de monocultivo da cana-de-açúcar, soja e eucalipto. Nestas áreas, o agronegócio se aproveita das carências para oferecer a continuação da exploração e da dependência, através da oferta de trabalho nem sempre regular e de investimentos privados nas áreas da Reforma Agrária para ampliar o monocultivo.
A ineficiência e a inoperância dos órgãos executores da Reforma Agrária, em especial o Incra, se agrava ainda mais pelo fato de que foram praticamente sucateados em 2012. Não houve orçamento até para ajuizar processos de desapropriação, nem sequer para combustível ou diárias necessárias para os seus técnicos realizarem novas vistorias ou para atender aos assentamentos.
O abandono também das Populações Tradicionais
A falta de prioridade atingiu igualmente os sem-terras e os que reivindicam a regularização das terras a que têm direito, a saber, as comunidades quilombolas, indígenas, ribeirinhas, posseiras, fundo de pasto, pescadores tradicionais, bem como os agricultores e agricultoras que sofrem os efeitos de uma seca de dimensões insuportáveis.
2012 foi o ano em que os povos tradicionais gritaram ao país e ao mundo a situação de violência que teima em persistir em seus territórios. O Povo Xavante da aldeia Marãiwtsédé; os povos Guarani-Kaiowá, do Mato Grosso do Sul; Quilombo dos Macacos, na Bahia; Quilombo Pontes em Pirapemas, no Maranhão, entre tantos outros, foram alguns dos exemplos emblemáticos da ausência de uma postura firme do Governo Federal diante do extermínio dos povos tradicionais.
Os processos de regularização dos territórios das comunidades permanecem engavetados. No Brasil, existem mais de 3.000 comunidades quilombolas e mais de mil processos abertos no Incra. Apesar disso, em 2012 foram publicadas apenas quatro Portarias de Reconhecimento pelo Incra e sete Relatórios de Identificação de Territórios Quilombolas (RTID). O mesmo acontece com as reivindicações para a criação de Reservas Extrativistas no país. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), no momento, oito novas Reservas Extrativistas aguardam decreto presidencial para a sua criação (três no Pará, três no Maranhão, uma em Pernambuco e uma em Santa Catarina). A sua maioria espera há anos uma definição do Estado Brasileiro.
O Latifúndio: Prioridade Oficial em 2012
A pauta da Reforma Agrária do Governo caminhou em um ritmo inversamente proporcional à velocidade e intensidade do agronegócio. A permissividade irrestrita concedida à bancada ruralista dominou internamente o Governo e fez paralisar não só o Incra, mas tudo aquilo que pudesse interferir em seus interesses.
Lamentavelmente, a opção do Governo pelo agronegócio está consolidada e é clara: é demonstrada tanto através do discurso político da maioria dos ministérios como pela forte liberação de recursos para as grandes empresas do setor. O agronegócio se instala onde deseja e o Estado brasileiro oferece todas as condições para isso, mesmo em áreas destinadas para a conservação da biodiversidade, terras indígenas ou de populações tradicionais diversas, ainda que o discurso oficial algumas vezes afirme o contrário.
No Nordeste, a novidade de 2012 é que o setor sulcroalcooleiro entrou em uma nova etapa de reestruturação e adaptação aos novos processos econômicos nacionais e internacionais. O monocultivo da cana, hegemônico na região da zona da Mata por mais de quinhentos anos, começa agora a dividir espaço com os investimentos industriais e grandes empreendimentos que chegam na região. O momento, portanto, é cada vez mais adequado para uma reconfiguração do território na zona da mata. Entretanto, os governos se omitem diante do esgotamento do latifúndio canavieiro em Pernambuco e no Nordeste, afundados em dívidas colossais e em falências.
Em consequência, tal reconfiguração não se inicia e nem se promove qualquer alteração na concentração fundiária na zona da Mata Nordestina. Ao contrário, a exemplo da zona da mata pernambucana, acirram-se os conflitos entre os novos ou antigos proprietários das Usinas e as famílias posseiras, que vivem há mais de décadas em seus sítios, mas que enfrentam as frequentes tentativas de expulsões.
Grandes empreendimentos e a violência aos povos do campo
De acordo com os dados parciais da Comissão Pastoral da Terra, o Nordeste em 2012, seguiu sendo a região com maior número de conflitos por terra no país. No ano que se encerrou, o NE concentrou 43% dos registros de conflitos por terra, seguido da região Norte, com 27%. A região nordestina também concentrou quase 50% dos casos de violência contra a ocupação e posse. Os estados do Maranhão e Rondônia foram os que assumiram a triste marca de serem os mais violentos no campo em todo o país, seguidos da Bahia e do Mato Grosso do sul.
Junto ao agronegócio, os grandes projetos de desenvolvimento têm sido um dos principais protagonistas dos conflitos agrários nos últimos anos na região. Em 2012 este cenário não só permaneceu, como avançou de forma ainda mais violenta e intensa.
Os Governos Federal e Estaduais continuam com a obsessão pela implantação de grandes empreendimentos, sem qualquer salvaguarda social e ambiental, o que tem levado as populações tradicionais e camponeses a retomar os seus originais métodos de protesto e de resistência.
São exemplos claros dessa continuidade ou da geração de novos conflitos: o Projeto de Irrigação da Chapada do Apodi, no Rio Grande do Norte; a Transposição do Rio São Francisco, a Transnordestina e o Porto de Suape, em Pernambuco; os grandes projetos de mineração em áreas de assentamento, na Paraíba; o monocultivo da cana na zona da mata de PE e de Alagoas.
Não se pode deixar de destacar que uma das novidades de 2012, e que aponta um cenário de lutas e desafios para 2013, é o debate sobre o Novo Código da Mineração. Apesar de pouco se comentar na mídia, o lobby para um Novo Código Mineral está a todo vapor no Ministério das Minas e Energia e no Congresso Nacional.
O Projeto do Novo Código tem sido redigido à surdina, sem o debate e sem a participação das populações diretamente atingidas. Ou seja, estamos diante de novas e grandes ameaças para as populações tradicionais, para os sem terras, para a reforma agrária, para o meio-ambiente e para o desenvolvimento sustentável.
Estiagem – insuficiência de políticas públicas
Também as agricultoras e agricultores nordestinos atingidos pela grande seca foram vítimas da insensibilidade dos Governos e da sua prioridade aos grandes empreendimentos e ao latifúndio. De fato, o prolongamento do processo de estiagem, o pior dos últimos 50 anos, causou perdas significativas nos assentamentos e a descapitalização dos agricultores e agricultoras.
Os programas destinados aos atingidos pela estiagem, como Pronaf estiagem, bolsa estiagem e grãos para ração animal anunciado pelo governo, têm grande dificuldade para serem acessados. Burocracia, lentidão e falta de transparência foram as marcas principais desses programas.
As culturas mais atingidas foram as do feijão, milho e mandioca. Quem cria gado teve que se desfazer do rebanho porque não havia perspectivas de chuva e os animais estão sem ter o que comer. Os Governos Federal e Estaduais foram convocados a tempo de evitar a mortalidade em massa, mas se omitiram e fracassaram em desenvolver ações para alimentar os animais, com milho ou com os resíduos abundantes da cana.
Os bichos que sobreviveram foram vendidos por preço vil ou mesmo doados para serem salvos da morte, ampliando ainda mais as desigualdades no campo. Um dos principais desafios para os próximos anos será a recomposição do rebanho dizimado que é fonte de renda e alimentação das famílias sertanejas.
Atualmente, 1.300 municípios do Nordeste e do norte de Minas Gerais estão em situação de emergência reconhecida pela Secretaria Nacional de Defesa Civil. Mesmo sendo considerada a pior seca nos últimos 50 anos, estima-se que a migração para outras regiões foi menor do que em épocas anteriores. Para além dos programas de mitigação dos efeitos da seca, a permanência na terra é atribuída as experiências populares de convivência com o semi-árido. Estas experiências vem se espalhando por todos os estados nordestinos de outras regiões do país e se apresentam como a principal estratégia utilizada pelos agricultores e agricultoras para atravessar a seca com menos dificuldade.
Perspectivas para 2013
Frente à conjuntura de abandono total da Reforma Agrária, os movimentos sociais de luta pela terra seguiram o exemplo dos povos do campo que há meio século se uniram para realizar I Congresso Camponês do Brasil. Com esse espírito, em agosto de 2012, foi realizado o Encontro Unitário dos Trabalhadores, Trabalhadoras e povos do campo, das águas e das florestas, que reuniu cerca de 7 mil pessoas em Brasília. A perspectiva que se apresenta para 2013 é de que os povos do campo coloquem em marcha as lutas unificadas e assumam para si a responsabilidade da Reforma Agrária e da defesa dos territórios das comunidades tradicionais ameaçadas pelo capital.
Vivemos em um tempo em que é necessário optar por um novo modo de pensar e de viver. O Estado já tomou sua posição diante do contexto agrário brasileiro, a sociedade precisará reafirmar a sua. O que está em jogo é a vida, a cultura e os territórios das populações camponesas no Brasil. Faz-se urgente uma nova reflexão sobre a vida e a natureza. O Capital se apropria e mercantiliza todos os bens naturais e marginaliza comunidades inteiras. Neste cenário, ou optamos pela mera função econômica da terra ou optamos pela função social da terra; ou optamos pela economia verde ou pelo bem viver dos povos da terra; ou é a governança global ou a diversidade das culturas, dos alimentos e dos modos de vida.
ESPERANÇA
Desde Santo Agostinho (em cada homem há simultaneamente um Adão e um Cristo), passando por por Abelardo(sic et non), por Hegel e Marx e chegando a Leandro Konder sabemos que a realidade é dialética. Vale dizer, ela é contraditória porque os opostos não se anulam mas se tencionam e convivem permanentemente gerando dinamismo na história. Isso não é um defeito de construção mas a marca registrada do real. Ninguém melhor o expressou que o pobrezinho de Assis ao rezar: onde houver ódio que eu leve o amor, onde houver trevas que eu leve a luz, onde houver erros que eu leve a verdade... Não se trata de negar ou anular um dos polos, mas de optar por um, o luminoso e reforçá-lo a ponto de impedir que o outro negativo não seja tão destrutivo.
A que vem esta reflexão? Ela quer dizer que o mal nunca é tão mau que impeça a presença dobem; e que o bem nunca é tão bom que tolha a força do mal. Devemos aprender a negociar com estas contradições. Num artigo anterior tentei um balanço do macro, negativo; assim como estamos, vamos de mal a pior. Mas dialeticamente há o lado positivo que importa realçar. Um balanço do micro nos revela que estamos assistindo, esperançosos, ao brotar de flores no deserto. E isso está ocorrendo por todas as partes do planeta. Basta frequentar os Fórums Sociais Mundiais e as bases populares de muitas partes para notar que vida nova está explodindo no meio das vítimas do sistema e mesmo em empresas e em dirigentes que estão abandonando o velho paradigma e se põem a construir uma Arca de Noé salvadora.
Anotamos alguns pontos de mutação que poderão salvaguardar a vitalidade da Terra e garantir nossa civilização.
O segundo é o fortalecimento mundial da economia solidária, da agroecologia, da agricultura orgânica, da bioeconomia e do ecodesenvolvimento, alternativas ao crescimento material via PIB.
O terceiro é o ecosocialismo democrático que propõe uma forma nova de produção com a natureza e não contra ela e uma necessária governança global.
O quarto é o bioregionalismo que se apresenta como alternativa à globalizaçãohomogeneizadora, valorizando os bens e serviços de cada região com sua população e cultura.
O quinto é o bem viver dos povos originários andinos que supõe a construção do equilíbrio entre seres humanos e com a natureza à base de uma democracia comunitária e no respeito aos direitos da natureza e da Mãe Terra ou oIndice de Felidadade Bruta do governo do Butão.
O sexto é a sobriedade condividida ou a simplicidade voluntária que reforçam a soberania alimentar de todos, a justa medida e a autocontenção do desejo obsessivo de consumir.
O sétimo é o visível protagonismo das mulheres e dos povos originários que apresentam um nova benevolência para com a natureza e formas mais solidárias de produção e de consumo.
O oitavo é a lenta mas crescente acolhida das categorias do cuidado como pré-condição para realizar uma real sustentabilidade. Esta está sendo descolada da categoria desenvolvimento e vista como a lógica da rede da vida que garante as interdependências de todos com todos assegurando a vida na Terra.
O nono é penetração da ética da responsabilidade universal, pois todos somos responsáveis pelo destino comum nosso e o da Mãe Terra.
O décimo é o resgate da dimensão espiritual, para além das religiões, que consente nos sentir parte do Todo, perceber a Energia universal que tudo penetra e sustenta e nos faz os cuidadores e guardiães da herança sagrada recebida do universo e de Deus.
Todas estas iniciativas são mais que sementes. Já são brotos que mostram a possível florada de uma Terra nova com uma Humanidade que está aprendendo a se responsabilizar, a cuidar e a amar, o que afiança a sustentabilidade deste nosso pequeno Planeta.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Anéis concêntricos de Mudança
Sociedade - por Craig Mackintosh PRI Editor de 30 de dezembro de 2012
BANIR AGROTÓXICOS.
Assine o Abaixo-Assinado virtual que pede o banimento dos agrotóxicos já proibidos em outros países do mundo e que circulam livremente no Brasil.
A Campanha tem o objetivo de alertar a população sobre os perigos dos agrotóxicos, pressionar governos e propor um modelo de agricultura saudável para todas e todos, baseado na agroecologia.
Assine já, pelo banimento dos banidos! Entre no link abaixo.



