Princípios da Agroecologia

Agricultura sustentável tem que considerar aspectos socioeconômicos e culturais dos grupos sociais implicados. Não basta proteger e melhorar o solo ou a produtividade agrícola se não resulta em melhorias nas condições de vida das pessoas envolvidas. Portanto, agricultura sustentável é um conceito que implica aspectos políticos e ideológicos que tem a ver com o conceito de cidadania e libertação dos esquemas de dominação impostos por setores de nossa própria sociedade e por interesses econômicos de grandes grupos, de modo que não se pode abordar o tema reduzindo outra vez as questões técnicas.

Francisco Roberto Caporal

http://www.aba-agroecologia.org.br/

grãos

"Muita gente pequena, em muitos lugares pequenos, fazendo coisas pequenas, mudarão a face da Terra". provérbio africano

Como os lobos mudam rios

Como se processa os animais que comemos

Rio Banabuiu

https://youtu.be/395C33LYzOg

A VERDADE SOBRE O CANCER

https://go.thetruthaboutcancer.com/?ref=3b668440-7278-4130-8d3c-d3e9f17568c8

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Arvores da Caatinga: O UMBUZEIRO

Umbuzeiro/ Spondias tuberosa Arruda











 foto
Nesta fotografia, podemos observar o xilopódio de mudas de imbuzeiro processados na forma de picles. A fotografia foi obtida em setembro de 2007 em Petrolina, PE.
O fato
O crescente interesse dos consumidores por frutos tropicais, aliado ao número cada vez maior de pequenas indústrias de processamento de frutas para produção de polpa, poderá tornar os produtos derivados do imbuzeiro, um rentável negócio agrícola para região semi-árida do Nordeste. Entre estes produtos, destaca-se o xilopódio de plântulas de imbuzeiro obtidos em diferentes períodos de crescimento, que pode ser consumido, " in natura " e/ou na forma de picles. Os xilopódios de plântulas de imbuzeiro aos 120 dias de crescimento podem ser utilizados de três formas para consumo. Para o processamento do picles o fluxograma é o seguinte: colheita das plantas; lavagem em água corrente por 5 minutos; corte do xilopódio; retirada da casca do xilopódio; lavagem do xilopódio em água clorada por 30 minutos; classificação; acondicionamento em vidros; adição da salmoura; branqueamento em água (80°C) por 30 minutos e; tratamento térmico por 40 minutos em banho maria a 96°C. Utiliza-se uma salmoura preparada com: a) 50 g de sal (2,5%) e 10 g de ácido cítrico (0,5%) e; b) 50 g de sal (2,5%) e 10 g de ácido ascórbico (0,5%), adicionados a 2000 ml de água. Para o acondicionamento utiliza-se vidros com capacidade de 500 ml, contendo em média 333,33 g de salmoura e 166,67 g de xilopódio. Após o preparo o picles, deve ser armazenado em temperatura ambiente por trinta dias. O xilopódio " in natura " obteve boa aceitação quanto à aparência. O picles com ácido ascórbico obteve as maiores pontuações para os atributos, aparência, sabor e textura. O picles com ácido cítrico, 50% dos provadores indicaram o atributo “gostei regularmente” para textura e 21,67% gostaram muito da aparência e do sabor. Pode-se concluir que o xilopódio de plântulas de imbuzeiro nessas formas de apresentação, pode ser uma alternativa para o aproveitamento racional desta planta.

Stephen Gliessman: "a agricultura pode ser sustentável"


Entrevista
Stephen Gliessman: "a agricultura pode ser sustentável"
Felippi, Ângela – Jornalista da EMATER/RS
Os conceitos da Agroecologia podem ser aplicados em qualquer sistema e escala de produção. É o que pensa o professor e pesquisador da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, Stephen Gliessman, que há 25 anos trabalha nessa área. Ele esteve no Rio Grande do Sul em junho, falando para estudantes e técnicos sobre Agroecologia e agricultura sustentável. Ele veio a convite da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento, através da EMATER/RS, e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural, que editaram o livro Agroecologia: processos ecológicos em agricultura sustentável, lançado por Gliessman aqui.
Com formação em Botânica, Biologia e Ecologia de Plantas pela Universidade da Califórnia, Gliessman se dedica ao ensino, à pesquisa e a experiência de produção agroecológicas. Seus trabalhos internacionais vão da agricultura tropical à temperada, dos sistemas de pequenas à grandes propriedades rurais, do manejo agrícola tradicional ao convencional. É diretor-fundador do Programa de Agroecologia da Universidade da Califórnia, um dos primeiros programas de Agroecologia formais do mundo. Atualmente, ocupa a cátedra Alfred Heller de Agroecologia, no Departamento de Estudos Ambientais.
Na sua passagem por Porto Alegre, falou à Revista de Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável.
http://www.emater.tche.br/

Revista - O que o senhor tratou nas palestras que fez no RS?
Gliessman - O que tenho tratado é o que é Agroecologia, como a Agroecologia se oferece como alternativa aos problemas que observamos na agricultura convencional, na agricultura moderna, que necessitamos voltar a incorporar dentro dos agroecossistemas todo um conhecimento ecológico de desenho, de manejo que tomem conta de como manter dentro dos agroecossistemas toda a complexidade de interações de componentes necessários para sustentar esses sistemas através do tempo e, ao mesmo tempo, seguir produzindo o que necessitamos. A agricultura moderna, num certo grau, perdeu sua base ecológica. A Agroecologia está nos oferecendo uma forma de reintroduzir as bases ecológicas.

R - O que seria Agroecologia?

G - Eu sempre começo dizendo que a Agroecologia é a aplicação dos conceitos e princípios ecológicos no desenho e manejo de agroecossistemas sustentáveis.

R - E agricultura sustentável?

G - É uma agricultura que protege a base de recursos naturais e permite uma economia viável e também propõe um aspecto social justo e aberto a todos que fazem parte da sociedade.

R - A agricultura convencional, dita moderna, não é sustentável?

G - Não, não é. Na realidade há muitos indicadores de sua falta de sustentabilidade: o custo excessivo dos insumos, o impacto negativo que tem sobre o meio ambiente, o baixo ingresso econômico que produz e também todo o impacto que tem havido sobre o setor agrícola sob o aspecto do campo.

R - É possível tornar a agricultura sustentável?

G – Sim, porque um aspecto da Agroecologia é restaurar a capacidade produtiva dos agroecossistemas, e da mesma forma que a natureza sempre está se renovando, renovando sua capacidade produtiva, podemos fazer o mesmo com os agroecossistemas.

R - Uma das principais críticas feitas à Agroecologia é de que não seria possível produzir alimentos para todos se a produção for ecológica. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

G - Há duas formas de contestar essa crítica. Por um lado, pode-se perguntar se a agricultura convencional está produzindo alimentos suficientes para todos. Há muita fome no mundo. Por outro, a Agroecologia é realidade. Segundo os conhecimentos que estão se desenvolvendo, mostra-se que se pode produzir mais em menos áreas com o enfoque agroecológico do que pelo enfoque convencional, porque esse último sempre vai para o lado de produzir um só cultivo por área. Já a Agroecologia trata de produzir múltiplos cultivos na mesma área, através de associações, rotações, combinações de cultivos que permitem uma maior produção por unidade/área. Tem que se pensar mais para o futuro. Sabemos que os agroecossistemas sempre, quando estão estabelecidos com bases sustentáveis, vão seguir produzindo, ano após ano, e não vão perder sua capacidade produtiva.

R - Há áreas no mundo cultivadas de forma agroecológica há muitos anos mantendo a produtividade?

G - Eu estou convencido que isso é possível. Quando entramos num processo de conversão dos sistemas convencionais aos sistemas agroecológicos, o enfoque é como manter a produtividade, a capacidade produtiva através do tempo. O enfoque não é mais o de produzir, de aumentar a produção. Esse é exatamente o problema, quando consideramos que forçamos o sistema por meio de alterações de sua base ecológica, dependência de insumos, uso de pesticidas e fertilizantes químicos. Estamos forçando o sistema a produzir mais que sua capacidade produtiva a longo prazo. Pode ser que no momento consigamos aumentar a produção, mas estamos sacrificando sua capacidade produtiva. Então, com um enfoque sobre quais são os componentes necessários num agroecossistemas para manter a produtividade, vamos produzir e ao mesmo tempo manter a capacidade produtiva e a qualidade do alimento e a quantidade do alimento vai ser melhor ao longo do tempo. Para mudar temos que estar conscientes de que cada ecossistema tem certa capacidade de produção. Da mesma forma quando falamos da produção animal.
Outra questão é que há muitas áreas agrícolas que utilizamos para produzir alimentos consumidos diretamente pelo ser humano, como por exemplo o café. Todos consumimos café, mas na realidade não é um alimento. Outro exemplo é alimento para animais. Ocupa muita área. Concentramos os animais e produzimos alimentos e damos os alimentos aos animais. Há outras formas de produzir animais sem concentrar a produção em uma área tão concentrada como estamos fazendo. Podemos converter essas áreas numa produção diversificada, que pode incluir alimentos para animais e também alimentos para consumo humano.

R - Os princípios da Agroecologia também dão base para o trabalho com a pecuária?

- Esse é um aspecto interessante da Agroecologia. Temos separado a produção animal completamente da produção de alimentos, enquanto nos ecossistemas naturais sempre estão integrados. Em muitos ecossistemas tradicionais, locais, indígenas, encontramos animais e plantas bem integrados. Temos que voltar a integrar esses dois para não utilizar áreas tão grandes para produzir para os animais, se eles estão integrados nos processos ecológicos.

R - Aonde a Agroecologia foi buscar seus princípios?

G - De uma resposta à busca do entendimento de como funciona a natureza, os sistemas naturais, da Ecologia - uma ciência que oferece muitos conhecimentos, metodologias de entendimentos de como funciona a natureza, de como a natureza se manteve depois de tanto tempo e como se adapta às mudanças com o tempo também. Trouxemos esses conhecimentos para a agricultura. Primeiro, os observamos dentro dos agroecossistemas tradicionais, nos locais indígenas, que têm uma larga história de funcionamento sem dependência de insumos externos. Dentro desses sistemas há muitos elementos importantes que têm servido para estabelecer as bases da Agroecologia. Finalmente, estamos vendo que muitos agricultores modernos, convencionais, estão decidindo mudar seus sistemas de produção, estão diversificando outra vez, estão reintroduzindo o manejo agroecológico. Eles estão respondendo às várias demandas do consumidor por produto limpo, ecológico, orgânico, conhecendo os danos que a agricultura tradicional está causando ao meio ambiente e a pouca viabilidade econômica do sistema, especialmente para o pequeno e médio produtor. E que na Agroecologia se encontra uma alternativa à agricultura tradicional. Isso está produzindo uma demanda de conhecimentos agroecológicos, que irão ajudar nesse processo de transição, e nós temos trabalhado com esses produtores, participando com eles em suas propriedades nesse processo de conversão para entender qual são os processos ecológicos necessários para, com o tempo, restaurar a capacidade produtiva do sistema.

R - Em que locais o senhor tem acompanhado experiências em Agroecologia?

- Por todo mundo. No entanto, o local onde posso passar mais tempo e que conheço um pouco mais é a Califórnia. Lá, há um grande número de agricultores que fizeram a transição agroecológica e também há grupos de consumidores muito informados e convencidos da necessidade de fazer essa conversão também. Então, os consumidores buscam produtos específicos e isso ajuda muito no processo de transição. Porque se não há um incentivo econômico, não acontece nada mais.
Eu tenho visto também experiências no México, na Espanha, nos países latino-americanos, na China, em partes da Europa. Todos têm desenvolvido conhecimentos e têm o entendimento sobre a necessidade de mudança.

R - Há algum lugar que desponta na produção agroecológica?

G - Está se desenvolvendo em várias partes do mundo. Não é mais uma característica de um lugar ou de um grupo de pessoas, mas está crescendo por todos os lados. Agora, o mundo está tão conectado, as linhas de comunicação estão tão abertas e rápidas e os sistemas de economia, com a globalização e o crescimento dos mercados mundiais, todos são afetados ao mesmo tempo e todos estão mais conscientes da necessidade de mudança.
Temos que recordar que a Agroecologia não é uma prática, não é uma técnica, é um conceito, uma forma de ver como funcionam os sistemas, como determinamos se têm sustentabilidade e como conectamos o conhecimento ecológico com o conhecimento econômico e social para que se juntem todos os elementos do que é um agroecossistema – que nada mais é do que o solo, a água, as matas, os animais e também nós, partes dos sistemas. Outro aspecto importante é que a Agroecologia nos dá uma forma de ver como o ser humano é um aspecto integrado ao sistema. A agricultura convencional ou moderna tem isolado as pessoas da agricultura, quando na realidade, como diz a palavra agricultura – há cultura nesse sistema – temos que voltar a incorporar as pessoas. Também temos visto em muitas partes do mundo pessoas que pensam que a agricultura não é um caminho viável para o futuro e saem do campo indo para a cidade em busca de outras formas de viver. Na realidade, a agricultura forma a base principal da vida e da sociedade humana.
O consumidor e o produtor estão tão separados que o consumidor não dá conta do impacto das compras que faz, da forma que compra, do tipo de alimento que compra e do que paga - que uma porcentagem pequena chega ao produtor. A maior parte fica com o intermediário. Mas temos visto também que os dois lados, consumidores e produtores, estão encontrando formas de reduzir essas distâncias, para que uma porcentagem maior do que paga o consumidor chegue ao produtor e o produtor gaste menos tratando de vender e receba mais pela sua força de trabalho. Através das feiras diretas de produtores a consumidores, tem se conseguido isso. Na Califórnia, por exemplo, existe todo um sistema para vender numa feira de produtores. O agricultor tem que ser produtor do alimento que está vendendo. E isso é independente se é ecológico ou convencional. E o consumidor, consciente de que o que é oferecido é produto do agricultor, pode questionar sobre a qualidade, a variedade, a forma de produção. Então, tem-se novamente uma relação pessoal, importante no processo de produção, que dá todo o sentido diferente ao produtor, porque há contato pessoal com o consumidor, propicia até um orgulho do produtor em fazer o que faz. Esse é um enfoque bem importante agora, sob o ponto de vista da mudança que está havendo. Conseqüentemente, o consumidor está mais informado sobre o meio ambiente, a qualidade do alimento, alternativas de produção, quer e busca produtos orgânicos ou ecológicos. E a única forma de converter o sistema de produção para esse tipo de produto é por meio de uma transição agroecológica.

R - Essa consciência do consumidor existe só nos Estados Unidos ou também em outros locais?

G - Eu estou vendo por todos os lugares. Inclusive aqui em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Eu vi uma mudança de cinco anos para cá, quando vim numa conferência, na qual falamos da sustentabilidade e da Agroecologia e do início do processo de transição. E agora há experiências em muitas partes do Rio Grande do Sul e muito mais produtores participando e muito mais conhecimento por parte do consumidor da necessidade desse tipo de transição.

R - Atualmente, no RS, existe uma política pública de estímulo à Agroecologia...

G - Isso demonstra a necessidade de um apoio político, mas também há necessidade de informar o setor político da importância da Agroecologia para que sigam apoiando. É uma posição política, mas é também uma posição econômica, ecológica e social.

R - O senhor visitou experiências de Agroecologia no RS?

- Tive a oportunidade de visitar a propriedade de agricultores que têm feito a mudança em suas práticas, que têm encontrado tecnologias e metodologias de produção que estão funcionando, que estão colhendo bem e estão vendendo os produtos. Eles têm energia, motivação para seguir fazendo e ensinar outros como fazer. Esse é um processo único de desenvolvimento, de confiança no que está fazendo. Para mim, são exemplos muito bonitos de produção em nível de produtor. Sempre há resistência às mudanças, é difícil estimular, promover as mudanças. É um processo de convencimento e hoje existe menos resistência e muito mais aceitação da Agroecologia como uma alternativa com boas possibilidades de aplicação no campo agrícola

R - Como é promover a aplicação dos conceitos e princípios da Agroecologia num país como os Estados Unidos, local de excelência da agricultura moderna? Parece contraditório, não?

- Sim, nós temos nos dado conta dos problemas que temos com a agricultura convencional. Aí está, como se pode ver, que os mesmos problemas que se encontram por todo o mundo estão presentes na agricultura convencional e moderna dos Estados Unidos. Isso é o que chamou a atenção e tem permitido o desenvolvimento da Agroecologia, como uma alternativa.

R - Quantos agricultores ecológicos existem nos Estados Unidos?

- O número eu não sei, mas sabe-se que à cada ano - dos últimos oito ou nove anos para cá - têm havido um crescimento de 20% na produção de orgânicos. Também tem aumentado a unidade/área de produção. O setor agrícola convencional não tem crescido isso por ano.

R - Qual sua postura em relação aos transgênicos?

– Primeiro, eu vejo os transgênicos como um insumo a mais que o produtor tem que comprar. Sob o ponto de vista econômico, vai desenvolver maior dependência do produtor. A Agroecologia está tratando de buscar formas de reduzir essa dependência econômica. Comprando os transgênicos, os produtores vão estar sempre dependentes desses produtos. Enquanto [tradicionalmente] eles próprios cultivam as sementes que produzem ao longo do tempo, com os transgênicos vêm as sementes através de um pacote de insumos – adubos químicos, agrotóxicos, todos juntos, às vezes, até mais. E, independente do perigo que podem ter alguns dos trangênicos do ponto de vista da contaminação da biodiversidade, da genética local, da transposição de informações genéticas dos transgênicos para ervas, ou enfermidades, há muitos e muitos riscos, em certos casos comprovados e em outros não. Os transgênicos, dentro do agroecossistema moderno, implicam que o desenho do sistema não está mudando. E quando eu falo desenho, estou falando em aspectos ecológicos, de processos ecológicos dentro do sistema que o mantém através do tempo. Se não mudamos a organização ecológica dentro do agroecossistema e introduzimos os transgênicos, os problemas vão seguir sendo problemas, vai haver seleção e resistência aos problemas com os transgênicos. Estamos falando nos agroecossistemas num redesenho completo dos sistemas, numa reorganização, onde reintroduzimos no sistema a complexidade de relações, de interações, de interdependência no próprio sistema para reestabelecer outra vez o bom funcionamento do aspecto ecológico, que é a base complementar da sustentabilidade. Os transgênicos são mais do mesmo, na realidade.

R - O senhor acha que nesta briga entre grandes empresas e ecologistas, pequenos agricultores, há alguma chance de reverter esse quadro?

G - Sim, existe. Os conceitos da Agroecologia podem ser aplicados em qualquer sistema e escala de produção. É bem importante que apliquemos a análise de sustentabilidade aos grandes e aos pequenos produtores para demostrar onde estão os problemas e para produzir evidências e tudo o que vai nos ajudar no redesenho dos sistemas. E quando falo em redesenho, pode ser mudanças nas práticas e também pode ser uma reorganização social. Um agroecossistema está bem desenhado se tem flexibilidade, resistência, capacidade de manter-se através do tempo, o que implica em introdução de espécies, rotação de cultivos, muitas coisas diferentes que permite que o sistema resista aos problemas.

R - O senhor tem acompanhado alguma grande propriedade que seja ecológica?

- Vemos nos Estados Unidos que, por um lado, pela demanda de mercado que existe para esses produtos, muitos grandes produtores estão bem interessados em entrar. Por outro lado, graças à pesquisa em Agroecologia, em agricultura orgânica, já estamos tendo – na Califórnia, especialmente – a entrada de grandes produtores na produção orgânica. Estão destinando áreas grandes ao manejo ecológico. Mas têm seus problemas, porque muitos deles se interessam em responder mais ao mercado do que a outros aspectos da Agroecologia. Estão se dedicando a monocultivos de orgânicos, e em monocultivos orgânicos, assim como em convencionais, sob a perspectiva ecológica, falta muito equilíbrio e são muito difíceis de se manter. Grandes monocultivos, sejam convencionais ou orgânicos, vão ter problemas. Os grandes monocultivos orgânicos que existem estão se mantendo com muita dependência de insumos, são muito caros, às vezes mais que os convencionais. Então, vai se chegar um momento em que vamos ter a escala, o tamanho ideal para o manejo dos agroecossistemas.

R - O senhor poderia falar um pouco do seu livro...

- Para mim, é um grande prazer ver meu livro editado em português. Estou contente com a forma como foi publicado. Gosto mais da apresentação do livro em português que em inglês. Também, tendo o livro em outros idiomas, estou vendo que há muito mais interesse, muitas possibilidades para que a Agroecologia siga se ampliando. Não é um conceito que tem aplicações em um lugar, tem aplicações em mais lugares. Observando o livro em mais idiomas, convenço-me que estamos no caminho desse processo de mudança.
O livro é para ensinar Agroecologia. Ensinar alunos, técnicos, agricultores, muita gente diferente. Depois de 25 anos ensinando Agroecologia, cada vez que ensino, observo o impacto que tem sobre o aluno. Então, sempre quis fazer um livro para levar a outros, para que eles façam o mesmo, e não só para os estudantes da universidade, mas a qualquer pessoa que está dentro desse sistema agrícola, inclusive para os que estão como consumidores. Há muito que aprender sobre o porquê dessa forma de agricultura, dos problemas da agricultura moderna, quais são as alternativas, quais são os conceitos ecológicos, porque também queremos um consumidor informado para ajudar nesse processo de transição.

R - O senhor é também um agricultor...

- Sim. Eu e meu irmão estamos tratando de demonstrar que podemos fazer o que falamos. Plantamos uvas e azeitonas. Esse ano é o primeiro de colheita de uva, e vai bem. Estamos trabalhando em nível familiar aplicando todos os conceitos. A propriedade tem 10 hectares e cultivamos em dois porque temos pouco tempo, mas aos poucos iremos ampliar.

R - E a safra vai ser boa?

G - Sim.
Texto-legenda
- Agricultura sustentável é uma agricultura que protege a base de recursos naturais, permite uma economia viável e propõe um aspecto social justo e aberto a todos que fazem parte da sociedade.
- A Agroecologia nos dá uma forma de ver como o ser humano é um aspecto integrado ao sistema. A agricultura convencional ou moderna tem isolado as pessoas da agricultura.
- Agroecologia é a aplicação dos conceitos e princípios ecológicos no desenho e manejo de agroecossistemas sustentáveis. Um agroecossistema está bem desenhado se tem flexibilidade, resistência, capacidade de manter-se através do tempo, o que implica em introdução de espécies, rotação de cultivos, muitas coisas diferentes que permite que o sistema resista aos problemas.

VII CBA: Visitas Tecnicas

   VII Congresso Brasileiro de Agroecologia


Visitas Técnicas de Campo, dia 16 de dezembro de 2011

1. Sistema agroflorestal e Permacultura - Sitio Vale da Biodiversidade
Local: Mulungo – MACIÇO DE BATURITÈ
Distância: 100 km de Fortaleza


O Sítio Vale da Biodiversidade é  uma área de 30 
hectares de Mata Atlântica localizada em Mulungu, 
dentro da APA do Maciço de Baturité, região serrana 
do Ceará. Ele foi adquirido em 2000 com o objetivo 
de ser uma área de preservação. Na época, apesar 
de sem manejo há mais de 10 anos, ele ainda 
possuía áreas muito degradadas. 
Desde então, foi feito um trabalho contínuo de 
reflorestamento e já plantamos milhares de 
sementes e mudas. O uso da propriedade foi 
planejado de forma a causar o mínimo de impacto 
ao meio ambiente, sempre com o cuidado de 
preservar os mananciais de água e usamos o 
sistema de Agrofloresta (SAF) associado a práticas 
de Permacultura. São cultivados alimentos sem uso 
de agrotóxicos, produtos químicos ou trabalho 
infantil. 
O Sítio Vale da Biodiversidade também funciona 
como escola ambiental e recebe grupos para visita 
ou hospedagem. Tem uma bica e um laguinho, 
instalações confortáveis e alimentação deliciosa e 
saudável, sem temperos industrializados e com 
alimentos de produção própria. Na visita terá uma 
apresentação e uma pequena trilha, com a opção de 
um banho na bica. 
Fotos: Vale da Biodiversidade

2. Centro Agroecológico e Fábrica comunitária de Caju - Barreira 
Local: Barreira – MACIÇO DE BATURITÈ
Distância: 80 km de Fortaleza


O Centro Agroecológico - CEAGRO de Barreira 
foi iniciado em 2006 e integra hoje diferentes 
sistemas produtivos como  Sistema 
Agroflorestal, horta orgânica, compostagem, 
criação de pequenos animais, produção de 
mudas e plantas medicinais. Na  unidade 
demonstrativa são realizados visitas e cursos. 
Um dos agricultores incentivados pelo Projeto 
Agricultura Familiar, Agroecologia e Mercado, 
realizado no Maciço de Baturité pelo Núcleo de 
Iniciativas Comunitárias, foi  Noberto Mesquita, 
que mantém hoje uma produção orgânica 
diversificada nas condições do semiárido.                                                                                   
Outra experiência, que será visitada em 
Barreira, é a fábrica da Associação Comunitária 
de Barreira ACB/PA-Rural, que  beneficia 
castanha e polpa de caju, sendo o município 
um dos maiores produtores de caju orgânico no 
Ceará.
Fotos: Arquivo KAS


  3. Assentamento Tijuca/Boa Vista: 
Agroecologia e turismo comunitário no Sertão 
Local: Quixadá – SERTÃO CENTRAL
Distância: 180 km de Fortaleza 
     Fotos: Arquivo KAS
O Assentamento Boa Vista está localizado no 
município de Quixadá, Sertão Central cearense. 
Fundado em 28 de outubro de 1999, possui 1.369 
hectares de área onde vivem 28 famílias assentadas
trabalhando em sistemas de produção coletivo e 
individual.  
Entre as principais atividades produtivas, 
destacamos a caprinoovicultura, a pisciultura, a 
horticultura, o turismo rural comunitário, o manejo 
sustentável da Caatinga e o biodigestor.
Tudo isso organizado, planejado, gerenciado e 
executado pela comunidade através da Associação 
de Moradores do Assentamento Boa Vista, que 
viram o turismo comunitário como mais uma opção 
na sua busca pelo desenvolvimento da 
sustentabiliade local.
A prática agrícola local se diferencia da maioria dos 
assentamentos rurais por priorizar integralmente a 
produção agroecológica, com práticas sustentáveis 
ecologicamente como as hortas orgânicas, a 
substituição de gás butano por gás metano, por 
exemplo. Além disso,  é referência no manejo da 
Caatinga e na preservação de importante área deste 
bioma.
A primeira experiência de turismo rural comunitário 
no sertão cearense tem lugar nesse Assentamento. 
O turismo rural de base comunitária, ou 
simplesmente turismo comunitário, é uma 
experiência inovadora que tem como objetivo 
permitir aos visitantes um contato direto e autêntico 
com a vida do campo, em especial com o semiárido 
e com as pessoas que convivem com a Caatinga de 
maneira sustentável através da agricultura familiar e 
da valorização das tradições locais.

4.A Associação de Mulheres em Movimento – Conjunto Palmeiras
Local: Conjunto Palmeiras, FORTALEZA
Distância: 10 km


Nascido na década de 1970, Conjunto Palmeiras 
está localizado ao sul de Fortaleza e possui mais de 
32 mil habitantes vivendo em uma área de 
aproximadamente 120 hectares. Por estarem 
afastados dos centros de interesses comerciais e 
políticos da capital cearense, os moradores do 
Conjunto Palmeiras aprenderam desde cedo a lutar 
por seus direitos. A organização popular trouxe 
além de visibilidade, a conquista de importantes 
direitos como água encanada, a construção de 
escolas públicas, posto de saúde e, entre outros, 
um Centro de Cidadania.  Partilhar a sua história 
das lutas é uma atividade que pode ser vivida na 
prática no Conjunto Palmeiras. 
É possível conhecer experiências bem sucedidas de 
socioeconômica solidária que visam o 
desenvolvimento humano da comunidade, entre 
elas o Banco Palmas, conhecido pela sua moeda 
social.  Banco Palmas é o primeiro dos 52 (em 
março de 2011) bancos comunitários com 
estruturas semelhantes em todo o Brasil.
A Associação Mulheres em Movimento criou o 
Palmatur (ligada ao Banco Palmas) e a Cozinha 
Comunitária, contando com o  apoio de suas 
famílias, e as mulheres fazem a gestão do turismo 
comunitário no Conjunto Palmeiras. Ali, elas 
oferecem hospedagem e alimentação. Na 
Associação, o grupo de turismo está preparado para 
mostrar ao  visitante uma Fortaleza cheia de 
diversidade cultural com seus pontos turísticos 
tradicionalmente divulgados e, também, novos 
espaços de trocas solidárias e participação popular.
Fotos: Wikipédia

5. Vida vindo da Maré - cultivo de algas marinhas em Flecheiras
Local: Trairi – Litoral Leste
Distância: 130 km de Fortaleza


Flecheiras é a praia mais conhecida e  freqüentada do 
município de Trairi. É uma comunidade litorânea onde o 
turismo convencional já se apresenta bem desenvolvido. 
O formato da praia em meia lua compõe uma belíssima 
enseada, entre coqueirais verdejantes e dunas de um 
branco suave. A prática da pesca artesanal, da coleta de 
algas e o turismo são as principais atividades econômicas 
dessa gente criativa que vive à beira mar. 
Ali, desenvolvem uma das experiências mais bem sucedidas 
de cultivo de algas marinhas no país, estimulando a 
proteção do meio ambiente. As algas são beneficiadas para 
servir como fonte de alimento, além de serem transformadas 
em produtos de artesanatos e cosméticos.
Em Flecheiras, a associação tem prazer em apresentar seu 
local e forma de trabalhar com as algas, tanto no centro de 
produção quanto na área de cultivo no mar. Também se 
pode experimentar diferentes receitas que utilizam as algas 
cultivadas como matéria prima.
Assim, os visitantes podem compreender, de maneira 
diferente e divertida, a importância de desenvolver 
estratégias sustentáveis para relacionar-se com o ambiente.
Aliás, educação ambiental em lugar aprazível é a marca 
mais forte  desta comunidade. 
Fotos: Rede TUCUM

6. Abrace o diferente em cultura, natureza e gente! 
- a cultura do povo indígena Tapeba
Local: Caucaia – LITORAL OESTE
Distância: 10 km de Fortaleza
  Fotos: Rede TUCUM


O povo Tapeba é originário da junção de povos 
indígenas como Potiguara, Tremembé, Cariri e Jucá, 
etnia que foram agrupadas na Aldeia de Nossa 
Senhora dos Prazeres de Caucaia, que deu origem 
ao municipio de mesmo nome. São 6.439 indígenas 
que vivem distribuídos em 17 comunidades.
Ao adentrar no Território Tapeba, os/as visitantes 
vão se deparar com uma riqueza cultural e 
ambiental singular. Além disso poderão conhecer 
dois equipamentos culturais que se destacam por 
reunir um pouco da história desse povo. O Centro de 
Produção Cultural Tapeba  – CPC e  a Memorial 
Cacique Perna de Pau.
No CPC os/as visitantes poderão conhecer e 
adquirir peças de artesanato indígena, a culinária 
local, além de presenciar danças e rituais Tapeba. 
No memorial é possível saber mais sobre a história 
da resistência Tapeba através de exposições 
permanentes que narram a saga de seus 
antepassados. O memorial promove exposições 
temporárias que apresentam aspectos específicos 
de sua cultura e natureza como  as exposições 
“ENCANTADAS DAS ÁGUAS” e  “AMBIENTES 
AQUÁTICOS TAPEBA-AVIFAUNA”.

7. Encontros místicos e tradições indígenas- Jenipapo Kanindé
Local: Aquiraz – Litoral Leste
Distância: 50 km de Fortaleza
  Fotos: Rede TUCUM


Jenipapo-Kanindé, uma das nove  etnias indígenas 
reconhecidas no Ceará, vive às margens da Lagoa da 
Encantada, em meio a um grande campo de dunas de 
cima dos quais é possível apreciar o verde da mata e o 
azul do mar ao fundo.
Sua renda básica é proveniente da agricultura familiar, da 
pesca na Lagoa e da produção de artesanato. Aos 
poucos, o turismo comunitário vai ganhando 
importância econômica entre os moradores, já 
preparados para realizar diferentes trilhas na mata e 
oferecer refeições aos visitantes em uma palhoça de 
gestão coletiva  - o Cantinho do Jenipapo.
Sempre que possível, os grupos são recepcionados pela 
Cacique Pequena, que abençoa a partida para as trilhas. 
Entre elas, a do Morro do Urubu merece atenção especial 
por proporcionar uma vista panorâmica de toda a terra 
indígena e do seu ambiente no entorno - mar, dunas e os 
diferentes usos da área. Após subir uma duna de mais de 
90 metros de altitude, nada mais refrescante que banharse nas águas relaxantes da Lagoa da Encantada, sendo 
mediados pelos guias locais e inspirados nos mitos, 
crenças e histórias dos Jenipapo-Kanindé.

8. Garantindo o espaço, preservando vidas - Batoque
Local: Aquiraz – Litoral Leste
Distância: 55 km de Fortaleza
Fotos: Rede TUCUM


Declarada em 5 de junho de 2003, Batoque foi a primeira 
Reserva Extrativista do Ceará (RESEX). Esta Unidade de 
Conservação se caracteriza e se mantém pelas práticas 
ecológicas de uso e exploração que a população local 
estabelece com a terra, a lagoa e o mar. 
Aqui, 320 famílias vivem na beira do mar, provedor de sua 
principal fonte de renda - a pesca. A história de organização 
comunitária, a luta contra os especuladores imobiliários e a 
conquista do direito ao seu território é transmitida através 
das gerações.
Passear  pela lagoa, visitar o manguezal, conhecer os 
riachos, experimentar as batatas de cultivo 
coletivo e almoçar nas barracas na beira da praia ou da 
lagoa são as principais marcas desta comunidade.
A acolhida dos visitantes é na Pousada Marisol localizada à 
beira da praia e gerenciada pela comunidade. A pousada 
foi inaugurada em 2009 e conta com 4 quartos simples e 
confortáveis em ambiente aconchegante e espaço mais 
reservado na RESEX.

9. Turismo ecológico, Agroecologia, Arte, Artesanato e inclusão 
digital –
Prainha do Canto Verde
Local: Beberibe – LITORAL LESTE
Distância: 110 km de Fortaleza


O desenvolvimento do turismo na Prainha do Canto Verde 
se diferencia das outras praias do litoral do Brasil porque 
visa o desenvolvimento local e a preservação do 
ecossistema. Assim consta na declaração de missão 
elaborada pelo Conselho de Turismo em 1997:
"Desenvolver o turismo ecológico de forma comunitária 
para melhorar a renda e o bem-estar dos moradores: 
preservando os nossos valores culturais e os recursos 
naturais da nossa região".
Os moradores fornecem hospedagem em hospedarias 
simples, mas aconchegantes, servindo refeições com 
peixes ou lagostas recém pescados. Outros moradores, 
jovens e mulheres criam arte e artesanato que 
encontramos na BODEGA da comunidade. Pescadores 
oferecem passeios de jangada ou no moderno catamarã a 
vela e os jovens condutores de trilha levam os visitantes 
para conhecer a comunidade e as trilhas através das 
dunas e lagoas. 
Investimentos são feitos com as economias próprias e há 
um fundo rotativo para pequenos investimentos. A renda e 
o lucro do turismo fica na comunidade, alimentando assim 
a economia local. A pesca é a principal atividade 
econômica na comunidade, o turismo,  Agroecologia, arte 
artesanato e inclusão digital visam a geração de renda 
complementar para as famílias  e para que os nossos 
jovens possam permanecer na sua terra e viverem uma 
vida produtiva e saudável. 
O Conselho de Turismo Comunitário administra reservas, 
ofertas de pacotes turísticos e a recepção dos visitantes, 
organiza cursos profissionalizantes e para melhoria de 
qualidade e marketing. Os nossos visitantes são pessoas 
que respeitam a natureza, valorizam a diversidade cultural 
e a historia da comunidade. Eles desejam um
mundo mais justo e solidário e estão preocupados com o 
aquecimento global igual a gente.
Fotos: Rede TUCUM


10. Hortas orgânicas, Sistemas agroflorestais, Apiário e Banco de 
sementes - Assentamento Coqueirinho
Local: Fortim – Litoral Leste
Distância: 135 km de Fortaleza


Ainda na década de 90, os atuais moradores do Assentamento 
Coqueirinho conquistaram o direito de morar e produzir neste 
lugar outrora tão castigado pela criação de cavalos. Neste 
percurso, descobriram novas maneiras de cultivar a terra. Hoje, 
desenvolvem cultivos de hortas orgânicas, sistemas agroflorestais, apiário e banco de sementes, além de serem 
importantes articuladores da Bodega  - Nordeste Vivo e Solidário 
(rede de socioeconômica solidária de produtores rurais).
Desde o início dos anos 2000,  recebem turistas solidários de 
projetos em áreas vizinhas. Em 2004, são construídos os 
primeiros chalés e esta atividade passa a ter mais importância na 
comunidade. Contato com a vida simples do campo e com a 
gente batalhadora que reside ali são os atrativos principais de 
Coqueirinho. A relação entre visitantes e moradores é reforçada 
com um exótico passeio de charrete puxada a boi ou em uma 
instigante caminhada pelo assentamento, conhecendo a mata 
preservada, os lugares de cultivo agrícola e de criação de animais 
e diferentes espécies de plantas e bichos.
Como não poderia ser diferente, a culinária regional é um 
atrativo à parte. As deliciosas refeições são preparadas com os 
produtos orgânicos ali mesmo produzidos. A comunidade também 
oferece estrutura para encontros e reuniões de até 40 pessoas, 
dispondo de equipamentos de audiovisual. Tudo isso a partir da 
gerência coletiva do empreendimento comunitário Restaurante e 
Chalés Sabor da Terra.
Fotos: Rede TUCUM

As visitas 4. – 10. Serão realizadas pela Rede TUCUM. 
 Mais informações sobre as comunidades da Rede TUCUM: 
http://sispub.oktiva.com.br/oktiva.net/2313

VII Congresso Brasileiro de Agroecologia em Fortaleza!!!!!

Vem aí a sétima edição do CBA
por Ana Maria Pereira - agência pulsar

Faltam apenas quatro dias para a VII edição do Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA). Neste ano a cidade que sedia o  evento è a capital do Ceará, Fortaleza. Ali  serão discutidos as principais temáticas do universo Agroecológico envolvendo o ensino, pesquisa e extensão.
São esperados cerca de 4.000 congressistas de diversas entidades governamentais, grupos estudantis, associações , agricultores familiares, civis e movimentos sociais.
o evento terá palestras com os principais pesquisadores da àrea, vivencias agroecologicas, oficinas, minicursos, feira de produtos agroecológicos além de Camping e alimentação.
Com a promoção da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), há também parecerias com o Governo do Estado do Ceará, através da Secretária de Desenvolvimento Agrário (SDA), a Universidade Federal do Ceará, através do Centro de Ciências Agrárias, Centro de Ciências, Centro das Humanidades e Centro de Saúde, a Universidade Estadual do Estado do Ceará (UECE), a Empresa de Assistência Técnica de Extensão Rural do Ceará (EMATER - CE), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) – com suas Unidades no Nordeste - Agroindústria Tropical, Tabuleiros Costeiros, Semiárido, Algodão e Ovino Caprinos - a Federação dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais no Estado do Ceará (FETRAECE), a Fundação Konrad Adenauer, o Núcleo de Trabalho Permanente em Agroecologia da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), o Fórum Cearense pela Vida no Semiárido, a Rede Cearense de ATER, a Associação da Rede Cearense de Agroecologia – ARCA e outras entidades.
As inscrições poderão ser feitas no local. O VII CBA  propõe uma articulação maior da Agroecologia no Nordeste e no Brasil, dando visibilidade aos projetos e impulsionando trabalhos acadêmico-empíricos nas Universidades e instituições de pesquisa e extensão, além de promover uma Ecologia de Saberes ao propor uma maneira diferenciada de construção do conhecimento.
O VII CBA tem o objetivo de promover o intercâmbio entre cientistas, estudantes, agricultores familiares e suas representações, organizações não-governamentais, instituições governamentais, movimentos sociais do campo e da cidade, fomentando a construção do conhecimento agroecológico por meio do diálogo dos saberes acadêmicos e dos (das) agricultores (as) de forma holística.
O evento começará dia 12 de dezembro no centro de convenções de Fortaleza. Para mais informações acesse: http://www.cbagroecologia.org/.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Pasto agroecológico

Técnicas sustentáveis para a produção rural

Pasto agroecológico é novidade no Sertão




Porto da Folha (SE) - Pequenos produtores do sertão sergipano estão aprendendo a inovar com sustentabilidade. A tecnologia pasto agroecológico tem aumentado a produção e preservado o meio ambiente na região. A tecnologia é disseminada pelos consultores dos Frutos da Floreta, projeto desenvolvido pelo Instituto de Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável (Icoderus), que conta com total apoio do Programa Petrobras Ambiental e tem como parceiro o Sebrae.

O pasto agroecológico é formado por árvores nativas, que além de gerar sombra serve para alimentar os animais. Um bom exemplo é o caso do mata pasto, que nasce com a chuva. Na maioria das vezes o produtor utiliza herbicidas para matá-lo. Indiretamente o consumidor acaba ingerindo no leite resquícios desses agrotóxicos. Mas se o mata pasto for cortado pela raiz, triturado e colocado no silo por um período mínimo de três semanas, ele se transforma num alimento nutritivo e saboroso para os animais.

Outro ponto positivo é que eles servem de corredores ecológicos, principalmente para os pássaros. “Além de preservar o ecossistema, reduzir gastos com ração e evitar a utilização de venenos. O pasto agroecológico tem melhorado a produtividade do leite”, explica o engenheiro florestal Ronaldo Fernandes, coordenador técnico do projeto.  “Já capacitamos 15 produtores com essa nova tecnologia. Os bons resultados que eles estão obtendo está chamando a atenção dos outros empreendedores rurais, e mais 20 pessoas já demonstraram interesse em conhecer a tecnologia”, explica.
Um bom exemplo é o caso do pequeno criador Manuel Soares Cardoso, que conseguiu um aumento de aproximadamente 20% na produtividade leiteira do seu rebanho bovino. Manuel Soares é integrante da Associação Comunitária dos Produtores Rurais da Lagoa do Rancho, em Porto da Folha, e há seis meses tem adotado a tecnologia do pasto agroecológico. “Utilizo vegetações nativas para alimentar o gado e outros animais. Estou economizando com a compra de milho e soja para ração. O mais interessante é que os animais preferem o pasto”, comenta Manuel.

No início, os vizinhos de Manuel até criticaram a opção dele pela novidade.  Diziam que a utilização da vegetação nativa para alimentar os animais era coisa de produtor preguiçoso, que não queria ter trabalho, e que os animais poderiam até morrer comendo esses matos. “Depois que viram que dava certo, que aumentei a produtividade e reduzi custos, ficaram interessados em aprender essa nova técnica”, explica. Além do leite bovino, Manuel trabalha com apicultura e cria porco e galinha. “A vegetação nativa também é o melhor alimento das abelhas. Alguém já soube de apiário que sobreviveu em pastos só com capim?”, questiona o produtor. 
Quem também aderiu à tecnologia do pasto agroecológico foi o produtor Edinildo Rodrigues de Medeiros, dono de uma pequena propriedade rural no povoado Lagoa da Entrada, em Porto da Folha. Além do leite de gado, Edinildo também trabalha com apicultura e planta palma. Ele é integrante da Associação dos Apicultores de Porto da Folha e somente há 30 dias vem utilizando à catingueira e outras vegetações nativas para alimentar os animais. “Estou satisfeito, a economia com a compra de ração está sendo ótima, os animais estão se alimentando bem, mas ainda não deu para perceber o aumento da produtividade de leite, pois tem pouco tempo que aderi ao pasto agroecológico”, diz o produtor.

Fórum Cearense para 2012

Parcerias e mobilizações são proposições do Fórum Cearense para 2012
Rosa Nascimento - comunicadora popular da ASA
Fortaleza - CE
07/12/2011

Fórum Cearense realiza encontro de avaliação e planejamento | Foto: Rosa Nascimento
Agricultores/as, comissões municipais de convivência com o Semiárido, coordenações dos fóruns microrregionais e representações das instituições que formam a Articulação no Semiárido Brasileiro – ASA participaram nos dias 01 e 02 de dezembro, na cidade de Sobral, do encontro de planejamento e avaliação do Fórum Cearense pela Vida no Semiárido – FCVSA.
O primeiro ponto avaliativo, coordenado por Alessandro Nunes, da Cáritas Regional Ceará, e membro da coordenação do Fórum, partiu da provocação: qual análise fazemos do Fórum hoje? De acordo com a plenária de aquecimento, o Fórum é um espaço de efervescência, mobilização, articulação, afirmação e debate que tem fortalecido a luta de homens e mulheres por melhores condição de vida. 
No segundo momento, também coordenado por Alessandro, a assembléia foi interpelada a rever a caminhada do Fórum, identificando luzes, sombras e estratégias de superação.
A plenária foi unânime em dizer que, mesmo diante dos desafios enfrentados, como a necessidade de inclusão dos municípios que estão fora do Semiárido legal, fragilidades na ocupação dos espaços de discussão e mobilização social, relacionamento com o poder público e visibilidade das ações do Fórum no estado, muito já foi feito. Como exemplo disso foram citados a discussão e reflexão de temas voltados para agroecologia, educação contextualizada e recursos hídricos; o encontro para troca de conhecimentos entre agricultores/as; o fortalecimento das ações de convivência com o semiárido; e água para beber e produzir.
No entanto, de acordo com os/as participantes, ainda há muito que ser feito como a universalização da água potável no Semiárido e a conquista da terra. Para isso, o Fórum definiu como estratégia ampliar parcerias políticas com outras entidades da sociedade civil, retomar as grandes mobilizações para fortalecimento das lutas, criar parceria entre FCVSA e Companhia Nacional de Abastecimento – Conab e Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – Consea, regionalizar e territorializar as lutas.
O Fórum discutiu também sobre as cisternas de plástico e traçou como meta para 2012 mobilizar a sociedade cearense para tomar conhecimento da implementação, causas e consequências para o Semiárido.
Para a “Campanha Cisternas de Plástico Somos Contra”, o Fórum publicará um artigo de esclarecimento e opinião a respeito das cisternas, matéria e vídeo com depoimento de agricultores/as sobre as cisternas da ASA e cisterna de plástico e serão também distribuídos panfletos e spots esclarecedores.

BANIR AGROTÓXICOS.

Assine o Abaixo-Assinado virtual que pede o banimento dos agrotóxicos já proibidos em outros países do mundo e que circulam livremente no Brasil.

A Campanha tem o objetivo de alertar a população sobre os perigos dos agrotóxicos, pressionar governos e propor um modelo de agricultura saudável para todas e todos, baseado na agroecologia.

Assine já, pelo banimento dos banidos! Entre no link abaixo.

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