Princípios da Agroecologia

Agricultura sustentável tem que considerar aspectos socioeconômicos e culturais dos grupos sociais implicados. Não basta proteger e melhorar o solo ou a produtividade agrícola se não resulta em melhorias nas condições de vida das pessoas envolvidas. Portanto, agricultura sustentável é um conceito que implica aspectos políticos e ideológicos que tem a ver com o conceito de cidadania e libertação dos esquemas de dominação impostos por setores de nossa própria sociedade e por interesses econômicos de grandes grupos, de modo que não se pode abordar o tema reduzindo outra vez as questões técnicas.

Francisco Roberto Caporal

http://www.aba-agroecologia.org.br/

grãos

"Muita gente pequena, em muitos lugares pequenos, fazendo coisas pequenas, mudarão a face da Terra". provérbio africano

Como os lobos mudam rios

Como se processa os animais que comemos

Rio Banabuiu

https://youtu.be/395C33LYzOg

A VERDADE SOBRE O CANCER

https://go.thetruthaboutcancer.com/?ref=3b668440-7278-4130-8d3c-d3e9f17568c8
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Protec-An-Acre - Rainforet Action Network

Protect-An-Acre

Since 1993, RAN’s Protect-an-Acre program (PAA) has distributed more than one million dollars in grants to more than 150 frontline communities, Indigenous-led organizations, and allies, helping their efforts to secure protection for millions of acres of traditional territory in forests around the world.
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Indonesia's Friends of the National Parks Foundation staff teach community members how to plant trees on the edge of Tanjung Puting National Park on Borneo. Photo credit: FNPF
Rainforest Action Network believes that Indigenous peoples are the best stewards of the world’s rainforests and that frontline communities organizing against the extraction and burning of dirty fossil fuels deserve the strongest support we can offer. RAN established the Protect-an-Acre program to protect the world’s forests and the rights of their inhabitants by providing financial aid to traditionally under-funded organizations and communities in forest regions.
Indigenous and frontline communities suffer disproportionate impacts to their health, livelihood and culture from extractive industry mega-projects and the effects of global climate change. That’s why Protect-an-Acre provides small grants to community-based organizations, Indigenous federations and small NGOs that are fighting to protect millions of acres of forest and keep millions of tons of CO2 in the ground.
Our grants support organizations and communities that are working to regain control of and sustainably manage their traditional territories through land title initiatives, community education, development of sustainable economic alternatives, and grassroots resistance to destructive industrial activities.
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Indonesia's Friends of the National Parks Foundation staff educate children about interacting with wildlife around Tanjung Puting National Park on Borneo. Photo credit: FNPF
PAA is an alternative to “buy-an-acre” programs that seek to provide rainforest protection by buying tracts of land, but which often fail to address the needs or rights of local Indigenous peoples. Uninhabited forest areas often go unprotected, even if purchased through a buy-an-acre program. It is not uncommon for loggers, oil and gas companies, cattle ranchers, and miners to illegally extract resources from so-called “protected” areas.
Traditional forest communities are often the best stewards of the land because their way of life depends upon the health of their environment. A number of recent studies <-Needs link add to the growing body of evidence that Indigenous peoples are better protectors of their forests than governments or industry.
Based on the success of Protect-an-Acre, RAN launched The Climate Action Fund (CAF) in 2009 as a way to direct further resources and support to frontline communities and Indigenous peoples challenging the fossil fuel industry.
Additionally, RAN has been a Global Advisor to Global Greengrants Fund (GGF) since 1995, identifying recipients for small grants to mobilize resources for global environmental sustainability and social justice using the same priority and criteria as we use for PAA and CAF.
Through these three programs each year we support grassroots projects that result in at least:
  • 10,000 acres of forest, held in customary ownership by Indigenous groups, is entered into the process of securing official land title recognition, providing communities with legal grounds to protect their traditional territories.
  • 10,000 trees planted, often as buffer zones around protected areas and/or as part of income and resource-generating permaculture projects that help stop land degradation.


domingo, 29 de julho de 2012

Biodiversidade cai em metade das florestas tropicais


Biodiversidade cai em metade das florestas tropicais, aponta estudo

Análise publicada na revista Nature avaliou 60 reservas em 20 a 30 anos. Perturbação do habitat, caça e exploração são maiores fatores para declínio.

A reportagem é do G1, 26-07-2012.

Metade das áreas protegidas de florestas tropicais do mundo está sofrendo um declínio na biodiversidade, segundo uma análise feita em 60 reservas e publicada na edição desta semana da revista Nature. Para avaliar como esses locais estão funcionando, o pesquisador William Laurance e outros autores estudaram um grande conjunto de dados sobre as mudanças ocorridas ao longo dos últimos 20 a 30 anos.

A avaliação revela uma grande variação no estado dessas reservas, e 50% vivenciam perdas substanciais na variedade de animais e plantas. Perturbação do habitat natural, caça e exploração das florestas são os maiores fatores para esse declínio.

As reservas tropicais representam um último refúgio para espécies ameaçadas e processos naturais dos ecossistemas, em uma época que cresce a preocupação quanto ao impacto do homem sobre o crescimento da biodiversidade.

O estudo indica que, muitas vezes, áreas protegidas estão ecologicamente ligadas aos habitats ao redor, razão pela qual o destino delas é determinado por mudanças ambientais internas e externas.

Portanto, os pesquisadores afirmam que os esforços para manter a biodiversidade não devem se limitar a reduzir os problemas dentro das reservas, mas promover mudanças também fora dessas áreas.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Florestas Tropicais

Acesse o boletim : http://wrm.org.uy/boletin/178/opinion.html
VIDEO



"La invasión verde"
Video del WRM sobre los impactos de las plantaciones de monocultivos forestales a gran escala
PUEDE VER EL VIDEO EN ESPAÑOL, PORTUGUÉS O INGLÉS


LIBROS


Mulheres e Eucalipto - Historias de vida e resistência
Impactos da monocultura de eucalipto sobre mulheres indígenas e quilombolas no Espítio Santo - Por Gilsa Barcellos y Simone Ferreira. Brasil - Noviembre 2007. Solo disponible en portugués.


Swaziland: The myth of sustainable timber plantations
Por Wally Menne and Ricardo Carrere - Marzo 2007. Solo disponible en inglés.



“A funny place to store carbon”: UWA-FACE Foundation’s tree planting project in Mount Elgon National Park, Uganda
By Chris Lang and Timothy Byakola - December 2006
. Solo disponible en inglés.




Social conflict and environmental disaster: A report on Asia Pulp and Paper’s operations in Sumatra, Indonesia
By Rivani Noor and Rully Syumanda - August 2006
. Solo disponible en inglés.




Palma Aceitera. De la cosmética al biodiesel -
La colonización continúa
Selección de artículos publicados en el Boletín electrónico del Movimiento Mundial por los Bosques Tropicales
(WRM), setiembre 2006. Disponible también en inglés.



Monocultivos de árboles en Ecuador
Por Patricia Granda. A través de tres estudios de caso y de la revisión de la historia de la forestación en el país, el presente documento pretende lograr una visión actualizada y completa sobre la seria amenaza que representan las plantaciones forestales en el Ecuador, hasta ahora ignorada por la mayor parte de la población. Mayo de 2006









Creating Poverty in Laos: The Asian Development Bank and Industrial Tree Plantations
.

A World Rainforest Movement briefing paper By Chris Lang and Bruce Shoemaker. April 2006. Solo disponible en inglés





Maquillaje verde. Análisis crítico de la certificación de monocultivos de árboles en Uruguay por el FSC

Por Ricardo Carrere. El objetivo principal de este trabajo es aportar información y análisis documentados a todas y todos quienes actualmente luchan contra los monocultivos de árboles y que se enfrentan al problema de que esas mismas plantaciones están siendo certificadas por el FSC. Abril de 2006. Disponible también en inglés



La muerte del bosque: informe sobre las actividades de Wuzhishan y Green Rich en Camboya relacionadas con plantaciones de árboles
Este informe (solo disponible en inglés) examina las operaciones de estas empresas en Camboya, los impactos sobre las poblaciones locales y el medio ambiente que hasta ahora se han observado y las violaciones de los derechos humanos relacionadas. Marzo de 2006. Solo disponible en inglés


Contexto económico y social de las plantaciones forestales en Chile: el caso de la Comuna de Lumaco, región de la Araucanía.
A través de testimonios, documentos y cifras, ha sido posible construir el siguiente informe que da cuenta del proceso vivido por una comuna de 11.405 habitantes en la cual se han extendido violentamente los monocultivos forestales, impuestos desde un modelo de desarrollo forestal instituido en la dictadura militar y que se mantiene aún vigente.
Agosto de 2005.Disponible también en inglés


Mujer, bosques y plantaciones Una dimensión de género
Selección de artículos publicados en el Boletín electrónico del Movimiento Mundial por los Bosques Tropicales (WRM), agosto 2005.
Disponible también en inglés y francés


Promesas de empleo y destrucción del trabajo
El caso de Aracruz Celulosa en Brasil

Editado por la Red Lerta contra el desiero verde y el WRM.
Autores: Alacir De'Nadai, Winfridus Overbeek, Luiz Alberto Soares

Disponible también en inglés y portugués


Fábricas de celulosa: del monocultivo a la contaminación ambiental
Detrás del color blanco de una hoja de papel se ocultan oscuras historias de degradación ambiental y despojo social que rara vez son conocidas por los consumidores.
Disponible también en
inglés


Arboles genéticamente modificados. La amenaza definitva para los bosques. Resultado de una investigación encomendada a Chris Lang por el Movimiento Mundial por los Bosques Tropicales (WRM) y Amigos de la Tierra (FOEI), diciembre de 2004. Disponible también en inglés y portugués



Certificando lo incertificable. Certificación del FSC de plantaciones de árboles en Tailandia y Brasil
.

Este libro apunta a contribuir al debate sobre la certificación de monocultivos de árboles a gran escala.
WRM. Diciembre 2003.
Disponible también en portugués e inglés

Las plantaciones no son bosques.
Selección de artículos publicados en el Boletín electrónico del
WRM sobre las plantaciones de monocultivos forestales a gran escala
. Agosto 2003.

Disponible también en portugués e inglés

The Pulp Invasion: The international pulp and paper industry in the Mekong Region,
by Chris Lang. by Chris Lang. This report was produced in 2000-2001 for World Rainforest Movement, looking at the current state of the pulp and paper industry in the Mekong Region: Thailand, Laos, Cambodia and Vietnam - December 2002 (sólo en inglés)
"El amargo fruto de la palma aceitera"
publicación del WRM sobre los impactos de las plantaciones de monocultivo de palma aceitera. Agosto de 2001.
Disponible también en inglés.




El Mercado del Carbono: sembrando más problemas,
Larry Lohmann, WRM, diciembre 2000.


Versiones en:  inglés, francés y portugués
 

Diez respuestas
a diez mentiras
,

Ricardo Carrere,
WRM, agosto 1999.

Versiones en: inglés,
  francés y portugués
 

Plantaciones para
pulpa de papel: un problema creciente
,
WRM, junio 1999.

Versiones en: inglés,
  francés y portugués
  
  Jaakko Poyry: más que tan sólo consultores
por Larry Lohmann
 
  El Banco Mundial: un actor de primera línea
 


Plantaciones forestales: impactos y luchas - selección de artículos publicados en el Boletín del Movimiento Mundial por los Bosques Tropicales (WRM), Febrero 1999. Disponible también en inglés.

El Papel del Sur: plantaciones forestales en la estrategia papelera internacional. Ricardo Carrere y Larry Lohmann.1997. Red Mexicana de Acción Frente al Libre Comercio e Instituto del Tercer Mundo, 1997. Disponible también en inglés (WRM & Zed Books Ltd. 1996).
ver aquí más información y análisis (clasificado por país y por tema) sobre la Campaña Plantacion
http://www.wrm.org.uy/inicio.html 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Artigo: Os índios do Século XXI


4 de junho de 2012
Artigo: Os índios do Século XXI
Por José Ribamar Bessa Freire*
 
"Índio quer tecnologia" - berra O Globo, em chamada de primeira página (25/05). Lá está a foto de um guerreiro Kamayurá, que usa um iPhone para fotografar o terreno da Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde será construída a aldeia Kari-Oca que vai sediar eventos paralelos da Conferência Rio+20. Ele viajou de barco e de ônibus, durante três dias, com mais vinte índios do Alto Xingu, de quatro nações diferentes. Chegaram na última quinta-feira, para construir a aldeia Kari-Oca.
 
Na aldeia que eles vão construir formada por cinco ocas - uma delas será uma oca eletrônica hight-tech - mais de 400 índios que vivem no Brasil discutirão com índios dos Estados Unidos, Bolívia, Peru, Canadá, Nicarágua e representantes de outros países temas como Código Florestal, demarcação de terras, reservas minerais, crédito de carbono, clima, usinas hidrelétricas, saberes tradicionais, direitos culturais e linguísticos. No final, produzirão um documento que será entregue à ONU no dia 17 de junho.
 
Embora a notícia contenha informações jornalísticas, O Globo insiste em folclorizar a figura do índio. Em pleno século XXI, o jornal estranha que índios usem iPhone, como se isso fosse algo inusitado. Desta forma, congela as culturas indígenas e reforça o preconceito que enfiaram na cabeça da maioria dos brasileiros de que essas culturas não podem mudar e, se mudam, deixam de ser "autênticas".
 
A imagem do índio "autêntico" reforçada pela escola e pela mídia é a do índio nu ou de tanga, no meio da floresta, de arco e flecha, tal como foi visto por Pedro Álvares Cabral e descrito por Pero Vaz de Caminha, em 1.500. Essa imagem ficou congelada por mais de cinco séculos. Qualquer mudança nela provoca estranhamento.
 
Quando o índio não se enquadra nesta representação que dele se faz, surge logo reação como a esboçada pela pecuarista Kátia Abreu, senadora pelo Tocantins (PSD, ex-DEM): "Não são mais índios". Ela, que batizou seus três filhos com os nomes de Irajá, Iratã e Iana, acha que o "índio de verdade" é o "índio de papel", da carta do Caminha, que viveu no passado, e não o "índio de carne e osso" que convive conosco, que está hoje no meio de nós.
 
Na realidade, trata-se de uma manobra interesseira. Destitui-se o índio de sua identidade com o objetivo de liberar as terras indígenas para o agronegócio. Já que a Constituição de 1988 garante aos índios o usufruto de suas terras - que são consideradas juridicamente propriedades da União- a forma de se apoderar delas é justamente negando-se a identidade indígena aos que hoje as ocupam. Se são ex-índios, entã, não têm direito à terra.
 
Criou-se, através dessa manobra, uma nova categoria até então desconhecida pela etnologia: a dos "ex-índios". Uma categoria tão absurda como se os índios tivessem congelado a imagem do português do século XVI, e considerassem o escritor José Saramago ou o jogador Cristiano Ronaldo como "ex-portugueses", porque eles não se vestem da mesma forma que Cabral, não falam e nem escrevem como Caminha.
 
O cotidiano de qualquer cidadão no planeta está marcado por elementos tecnológicos emprestados de outras culturas. A calça jeans ou o paletó e gravata que vestimos não foram inventados por brasileiro. A mesa e a cadeira na qual sentamos são móveis projetados na Mesopotâmia, no século VII a. C., daí passaram pelo Mediterrâneo onde sofreram modificações antes de chegarem a Portugal, que os trouxe para o Brasil.
 
A máquina fotográfica, a impressora, o computador, o telefone, a televisão, a energia elétrica, a água encanada, a construção de prédios com cimento e tijolo, toda a parafernália que faz parte do cotidiano de um jornal brasileiro como O Globo - nada disso tem suas raízes em solo brasileiro. No entanto, a identidade brasileira não é negada por causa disso. Assim, não se concede às culturas indígenas aquilo que se reivindica para si próprio: o direito de transitar por outras culturas e trocar com elas.
 
Foi o escritor mexicano Octávio Paz que escreveu com muita propriedade que "as civilizações não são fortalezas, mas encruzilhadas". Ninguém vive isolado, fechado entre muros. Historicamente, os povos em contato se influenciam mutuamente no campo da arte, da técnica, da ciência, da língua. Tudo aquilo que alguém produz de belo e de inteligente em uma cultura merece ser usufruído em qualquer parte do planeta.
 
Setores da mídia ainda acham que "índio quer apito". Daí o assombro do Globo, com o uso do iPhone pelos Kamayurá, equivalente ao dos americanos e japoneses se anunciassem como algo inusitado o uso que fazemos do computador ou da televisão: "Brasileiro quer tecnologia".
 
O jornal carioca, de circulação nacional, perdeu uma oportunidade singular de entrevistar integrantes do grupo do Alto Xingu, como Araku Aweti, 52 anos, ou Paulo Alrria Kamayurá, 42 anos, sobre as técnicas de construção das ocas. Eles são verdadeiros arquitetos e poderiam demonstrar que "índio tem tecnologia". O antropólogo Darell Posey, que trabalhou com os Kayapó, escreveu:
 
"Se o conhecimento do índio for levado a sério pela ciência moderna e incorporado aos programas de pesquisa e desenvolvimento, os índios serão valorizados pelo que são: povos engenhosos, inteligentes e práticos, que sobreviveram com sucesso por milhares de anos na Amazônia. Essa posição cria uma ‘ponte ideológica’ entre culturas, que poderia permitir a participação dos povos indígenas, com o respeito e a estima que merecem, na construção de um Brasil moderno”.
 
Esses são os índios do século XXI. A mídia olha para eles, mas parece que não os vê.
 
Fonte: Diário do Amazonas
 
* José Ribamar Bessa Freire é professor-coordenador o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UniRio)
 
Opiniões e conceitos emitidos em artigos assinados não expressam necessariamente a posição institucional do Conselho. A veiculação tem o objetivo de estimular o debate sobre temas de interesse do Consea, respeitando as linhas de pensamento e o pluralismo de ideias. 
 

Assessoria de Comunicação
(61) 3411.3279 / 3483

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Monopolização de terras !

Monopolização de terras não consta nos debates da Rio+20 Envie para um amigoImprimir

A propriedade agrária e os direitos comunitários à terra não estão contemplados nos debates da próxima Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá entre 20 e 22 de junho no Rio de Janeiro.
Os governos parecem ignorar que estão sendo revertidas décadas de reformas sobre a concentração da terra em mãos de especuladores, bancos de investimento, fundos de pensão e outros poderosos interesses financeiros, que nos últimos anos assumiram o controle de pelo menos 200 milhões de hectares pertencentes a agricultores pobres da África, América Latina e Ásia.

Os especuladores sabem que a terra é fundamental para cobrir três necessidades vitais: alimento, água e energia. Contudo, esta temática não aparece na agenda da Rio+20. “Os camponeses perdem o controle da terra e da água pela concentração mundial da propriedade”, lamentou o hondurenho Rafael Alegría, dirigente do movimento internacional Via Campesina.
Entre 80 milhões e 227 milhões de hectares, frequentemente de terras cultiváveis, acabaram em mãos privadas e corporativas nos últimos anos, segundo um estudo divulgado em abril pela Amigos da Terra Internacional.

Muitos pequenos agricultores são deslocados na América Central e cerca de 40% dos hondurenhos vivem em extrema pobreza, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), afirmou Alegría à IPS. Os acordos comerciais bilaterais permitem que os Estados Unidos vendam no mercado de Honduras, entre outros, seu milho e seu arroz altamente subsidiados, o que joga para baixo os preços e devasta a competição local, destacou.

Incapazes de subsistir, os agricultores pobres vendem suas terras, ou abandonam o campo ou, ainda, se tornam trabalhadores rurais assalariados. A resistência a este fenômeno é combatida com violência e os moradores locais são expulsos, detidos ou assassinados pela polícia e pelas forças de segurança em Honduras e em outros lugares.
“As corporações controlam grandes extensões de terra onde plantam açúcar e palma para exportação”, apontou Alegría. “Para a imprensa hondurenha, sou um terrorista. Ignoram a difícil situação dos camponeses”, acrescentou.

“A monopolização de terras foi um fator essencial das guerras civis no Sudão, na Libéria e em Serra Leoa”, explicou Jeffrey Hatcher, diretor de programas globais da Iniciativa para os Direitos e Recursos (RRI), organização com sede na Grã-Bretanha. “Os direitos das populações locais são ignorados repetidas vezes e de forma trágica no que se converteu em uma expedição de compra à África”, escreveu em um comunicado à imprensa.
A RRI e outras organizações têm documentados centenas de acordos pelos quais o governo entrega a investidores terras que, na realidade, pertencem às comunidades locais.

Na verdade, mais de 1,4 bilhão de hectares, incluídas selvas da África, são comunitários, mas reclamados pelas autoridades de forma arbitrária. Raramente as comunidades locais são incluídas nas negociações de compra ou arrendamento, mesmo em países onde suas terras são consideradas por lei propriedade privada, afirmaram investigadores da RRI.
De fato, muitas delas ignoram a venda até que chegam as escavadeiras. John Muyiisha, agricultor de Kalangala, em Uganda, se levantou certa manhã e viu como as escavadeiras destruíam seus cultivos.

Quase dez mil dos 40 mil hectares florestados nas ilhas do Lago Victoria em frente a essa localidade foram plantados com palma, segundo estudo divulgado em abril pelo capítulo local da Amigos da Terra. O Banco Mundial forneceu milhões de dólares e ajuda técnica para lançar o projeto. “O direito à propriedade da terra é socavado apesar de sua proteção estar garantida pela Constituição ugandesa”, denunciou David Kureeba, da Amigos da Terra de Uganda.

Testemunhos da população local confirmam que perderam seu sustento e têm dificuldades para sobreviver, apesar das promessas de emprego. As terras utilizadas para a pequena agricultura e a silvicultura que protegem a vida silvestre, o patrimônio e o alimento de Uganda se converteram em monótona paisagem de palma para produção de óleo, alerta um comunicado de Kreeba.

A maioria dessas situações são apresentadas como a nova economia verde que promete alimentar as pessoas e aliviar a pobreza, destacou Devlin Kuyek, da Grain, uma organização internacional dedicada à agricultura sustentável. “Como se paliará a fome e a pobreza tirando das pessoas a terra e a água que necessitam para sobreviver?”, questionou.
O Banco Mundial, a Corporação Financeira Internacional e a Organização Mundial do Comércio facilitam a concentração de terras porque lhes convém pensar que assim resolvem os problemas de desenvolvimento no sul, explicou Kuyek. “Sim, algumas pessoas conseguem emprego. Porém, perguntem aos trabalhadores rurais o que pensam de seu trabalho”, indicou.

Os documentos da Rio+20 reconhecem a necessidade de grandes mudanças no sistema mundial de produção de alimentos. Entretanto, os governos não analisam seriamente as verdadeiras alternativas ao modelo industrial vigente. No máximo, os delegados aprovarão um código de conduta voluntário como os “Princípios para o Investimento Agrícola Responsável”, do Banco Mundial.
Está claro que esse tipo de medida voluntária nunca funciona em grande escala, advertiu Kuyek. “A monopolização de terras é uma injustiça fundamental. São os ricos do mundo tirando dos mais pobres”, ressaltou.
(Por Stephen Leahy, IPS / Envolverde, 16/05/2012)

Florestas: CONGO! Gorilas das Montanhas

Gorilas das Montanhas enfrentam fogo cruzado entre rebeldes e forças do governo

(Divulgação: ANDA)
(Divulgação: ANDA)
TERROR NO CONGO

Por Fátima Chuecco (da Redação)

 
Mais uma vez os vulneráveis gorilas das montanhas estão bem no meio do fogo cruzado entre rebeldes e exército do governo, na República Democrática do Congo.  O exército congolês começou um pesado confronto contra os rebeldes perto do Parque Nacional de Virunga, onde vivem os gorilas, no domingo de manhã, com metralhadoras e morteiros. A luta intensa, iniciada na noite de quinta-feira, obrigou os guardas florestais a deixarem seus postos. Dois dos cinco postos permanecem sem qualquer proteção e os demais tendem a ser abandonados também.
São apenas 200 gorilas nessa região acostumados à presença humana, o que os coloca ainda mais em risco, pois, podem se aproximar dos rebeldes de forma inocente. Se um gorila líder for morto toda a família fica desprotegida e sem rumo. Boa parte da população de cidades nos arredores do Parque fugiu com a roupa do corpo e carregando baldes com poucos pertences pessoais. É um caos total e a imprensa brasileira não noticia nada. Parece que o Congo não existe.
Há lagumas semanas foram suspensas as visitas turísticas aos gorilas, chimpanzés e vulcões. Um aumento surpreendente do turismo nos últimos três anos demonstrou um sinal promissor de futura estabilidade na região. Mais de 5 mil pessoas visitaram o parque com os últimos gorilas das montanhas do mundo ajudando assim na sua preservação.
“Estamos profundamente preocupados com a segurança dos gorilas das montanhas que estão expostos aos perigos de fogo de artilharia, mas também devemos cuidar de nossa equipe que tem que ser evacuada da zona de combate. Assim que houver uma pausa na luta, vamos voltar para verificar os gorilas”, declarou o diretor-chefe de Virunga National Park, Emmanuel de Merode.
O grupo rebelde CNDP lutou contra o exército congolês em Masisi por duas semanas antes de passar pelo lado oeste do parque indo em direção ao setor Gorila Mikeno (onde vive a família dos primatas que leva o mesmo nome). Em  2007, nove gorilas de uma mesma família foram mortos chocando o mundo. Foi uma execução com tiros no peito e cabeça.
Em 2008, o Virunga National Park foi tomado por rebeldes leais ao general Laurent Nkunda que, em contato com ambientalistas, prometeu publicamente proteger os gorilas. Seu depoimento consta de um documentário exibido pelo Nat Geo e Animal Planet. Na ocasião ele disse que nenhum soldado dele, do governo ou de qualquer outro grupo colocaria as mãos nos gorilas. Apesar da seqüência de conflitos, os esforços de conservação para os gorilas das montanhas foram coroados de êxito, com um aumento do número de mais de 20% desde 2003, uma das mais altas taxas para uma espécie criticamente ameaçada de extinção.
O Parque de Virunga conta com 275 guardas florestais que raramente recebem salário e vivem com grande dificuldade.  Nos últimos 10 anos já morreram 150 guardas florestais. O parque é o lar também dos gorilas da planície, chimpanzés, elefantes e búfalos, entre outros animais selvagens. Foi decretado Patrimonio Mundial pela UNESCO em 1979. Mesmo assim, a caça ilegal e a destruição de habitats continuam a ser as principais ameaças à sobrevivência da vida selvagem.
O parque é gerido pelo Instituto Congolês para a Conservação da Natureza, o Institut pour la Conservation Congolais de la Natureza (ICCN).
Gorilas das montanhas estão criticamente em perigo, com cerca de 790 remanescentes no mundo, cerca de 480 na Área de Conservação dos Vulcões de Virunga (compartilhada por República Democrática do Congo, Ruanda e Uganda) e pouco mais de 300 na Floresta Impenetrável de Bwindi, Uganda. Os resultados de um censo recente realizado na primavera de 2010 mostram que o número de gorilas das montanhas que vivem na área tri-nacional de floresta de Virunga, aumentou 26,3% entre 2003 e 2010 – uma taxa média de crescimento de 3,7% ao ao ano.
Se não houver uma intervenção internacional não sobrará nenhum gorila no Parque Nacional de Virunga. Uma fêmea só tem bebês a cada cinco ou sete anos e é apenas um filhote por vez… como os humanos. A fase adulta só chega entre nove e doze anos de idade,  o que compromete ainda mais a sobrevivência da espécie. Os gorilas também não copulam com parentes. As fêmeas jovens deixam a família de origem quando maduras e se encaixam em outros grupos.
Uma cena fantástica e rara foi documentada dois anos atrás e calcula-se que em virtude da necessidade que os gorilas estão sentindo em se unir.
Duas famílias se cruzaram na floresta e os silverbacks (líderes de cada grupo), ao invés de se confrontarem, como naturalmente aconteceria para demarcar o território, seguiram pela mata juntos, como que entendendo que o único e verdadeiro inimigo deles é o homem.
Fonte:
http://www.anda.jor.br/17/05/2012/gorilas-das-montanhas-enfrentam-fogo-cruzado-entre-rebeldes-e-forcas-do-governo

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terça-feira, 15 de maio de 2012

Filme: CHIMPANZEE







Filme: CHIMPANZEE (ainda sem tradução)
Narrador: Tim Allen
Filmado em Uganda e Costa do Marfim
Diretores: Alastair Fothergill e Mark Linfield
Um filme dos Estudos Disney


O Projeto GAP recomenda, veja o trailer: http://www.trailers.com.pt/chimpanze

Notícia relacionada:

http://www.projetogap.org.br/pt-BR/noticias/Show/3929,a-etica-do-filme-o-planeta-dos-macacos-a-origem


Fonte: 
http://www.anda.jor.br/03/05/2012/chimpanze-o-virtual-e-o-real

terça-feira, 8 de maio de 2012

Florestas: Pakistão

Pakistan's forests fall victim to the Taliban


The forests of northwestern Pakistan have become the latest victim of the Taliban's increasingly desperate quest for resources to sustain and fund its military program

Ashfaq Yusufzai for IPS
part of the Guardian Environment Network

The landscape of Swat, an administrative district in the Khyber Pakhtunkhwa Province and once a luscious valley, is now dotted with thousands of tree stumps as militants decimate acres of forest for timber revenues.

"Nearly all the forested areas have been mercilessly stripped of trees but the Swat in particular has borne the brunt of the Taliban's atrocities over the last two years," Jamshaid Ali Khan, secretary of the Sarhad Awami Forestry Ittehad (SAFI), told IPS.

SAFI was founded in 1997 in the hopes of conserving, managing and developing forests, providing income for local workers, reducing air pollution and minimising soil erosion during floods but its operations were severely restricted between 2007 and 2009, when the Taliban exercised full control over Swat.

Despite all its best efforts, the organisation has failed to stop the lopping of trees to fund the Islamic movement. Jamshaid lamented the Taliban's tactic of enlisting the services of the 'timber mafia' to fell forests and sell the wood for throwaway prices.

Rahim Gul, a researcher at the University of Peshawar, says the Taliban frequently 'clean their hands' on natural resources, whenever they are short of funds.

"The Taliban finance their movement by (extracting timber) or imposing harsh taxes on the transportation of marbles from the northern Federally Administered Tribal Areas (FATA)," he said, adding that the Taliban's crude methods of tree cutting cause permanent damage to the environment.

"A tree takes 100 years to mature before it can be cut for construction wood. The government cuts the trees after evaluation and planting sapling as substitutes," Jamshaid said. The majority of trees felled by the Taliban have not yet reached their full state of maturity, he said. Citing research conducted by the Pakistan Forest Institute of Peshawar, Gul claimed that the Taliban also employs methods such as kidnapping for ransom, growing poppy crops and harbouring criminals as income-generating schemes. They also mine and sell precious stones, including fine quality emeralds.

However, timber extraction remains the most popular, and arguably most destructive, activity by far.

Wide-scale deforestation

Mohammad Jawad, a forest officer for the Khyber Pakhtunkhwa, explained that before the onset of militancy in 2005, the province accounted for 40 percent of the country's forest resources.

Although no fresh research has been done since, "it is largely believed that the Taliban have destroyed 80 percent of those forests," he said.

The Malaknd Division of northwestern Pakistan, renowned for its vast expanses of pine, dewdar, cedar and byar trees, now wears a deserted look.

"Fewer forests mean less money for the more than 20,000 households in Swat and adjacent districts in the Malaknd Division, all of which considered the forests to be their 'lifeline', since it provided them an income and royalties from the sale of trees," he added.

Ameer Muhammad Khan of SAFI told IPS that local communities had traditionally relied on forests for firewood, construction wood and grazing pastures.

"The government is responsible for protecting these forests but it has no authority to stop the Taliban from the ruthless laceration that has deprived 80,000 people of royalties from the sustainable sale of trees," he stressed.

According to SAFI, every resident of the forest-rich areas of Malaknd used to receive about 100 dollars in annual royalties before the Taliban's onslaught against the forests began but now that amount has plunged to just 10 dollars. People are cursing the Taliban for bringing about such a swift cut to their meagre income.

Not only the residents of Malaknd but the government too has suffered losses of up to 350 million dollars according to a report by the Forest Development Corporation.

Khyber Pakhtunkhwa Forest Minister Wajid Ali Khan told IPS that his ministry had launched a programme aimed at mobilising local communities to plant more trees and hopefully make up for the losses wrought by the Taliban.

"We have also begun consultations with lawmakers, bureaucrats, local communities and the media to promote good plantation habits in the affected areas," he said.

The programme further seeks to mobilise, organise and empower forest owners, rights holders (anyone owed royalties from the sale of government-owned trees) and non-owners in order to influence policy reforms, the minister added.

"We have embarked on reforms in collaboration with the rights holders to carry out plantation drives and prevent further cutting of trees. More than 20 forest checkpoints have been established, which are managed by the local communities in collaboration with the government," he said.

SAFI is also asking the government to enhance royalties, since the militancy has damaged local business.

Forest-dependent communities are the hardest-hit victims of the Taliban's tirade against forests, which has also caused enormous damage to the entire forest ecosystem, necessitating integrative and interactive methods such as farm forestry.

"To promote farm forestry we have distributed 1.5 million plants among the local residents," Jamshaid told IPS.

SAFI also planted 100,000 saplings on 2000 acres of land in Malaknd after the Taliban's defeat in 2009.

In another effort to counteract the effects of rampant deforestation, SAFI hosts an annual People's Forest Assembly, where methods of conservation and management are discussed, Ameer Muhammad Khan told IPS.

Yet Jamshaid warned a lot more needs to be done to create an environment conducive to sustainable and participatory forest management.

Militants have not only deforested the Malaknd district but also felled 6,000 acres of forest in the surrounding region. Abdul Rasool, a forest officer at the FATA secretariat, told IPS that the militants have so far chopped down roughly 50,000 big trees.

Of the Malaknd's seven districts the Swat, Dir and Buner have suffered the most; their hills, which used to be covered with tall trees, now stand deserted.

Em:  http://pakagri.blogspot.com.br/2012/01/pakistans-forests-fall-victim-to.html

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