Princípios da Agroecologia

Agricultura sustentável tem que considerar aspectos socioeconômicos e culturais dos grupos sociais implicados. Não basta proteger e melhorar o solo ou a produtividade agrícola se não resulta em melhorias nas condições de vida das pessoas envolvidas. Portanto, agricultura sustentável é um conceito que implica aspectos políticos e ideológicos que tem a ver com o conceito de cidadania e libertação dos esquemas de dominação impostos por setores de nossa própria sociedade e por interesses econômicos de grandes grupos, de modo que não se pode abordar o tema reduzindo outra vez as questões técnicas.

Francisco Roberto Caporal

http://www.aba-agroecologia.org.br/

grãos

"Muita gente pequena, em muitos lugares pequenos, fazendo coisas pequenas, mudarão a face da Terra". provérbio africano

Como os lobos mudam rios

Como se processa os animais que comemos

Rio Banabuiu

https://youtu.be/395C33LYzOg

A VERDADE SOBRE O CANCER

https://go.thetruthaboutcancer.com/?ref=3b668440-7278-4130-8d3c-d3e9f17568c8
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sábado, 3 de março de 2012

Pesquisa Participativa

Sertão dos Inhamuns

Viabilidade da agroecologia é pesquisada no semiárido

26.02.2012
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Em Irapuá, a criação tradicional de galinhas é feita por mulheres
FOTOS: SILVANIA CLAUDINO
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Ao todo, 13 mulheres participam do grupo, atendido pelo Projeto Dom Hélder Câmara. Além do incremento da renda, a criação de aves proporcionou transformações na rotina das criadoras, como mais tempo livre e melhor qualidade de vida
Um grupo em Nova Russas é retratado na pesquisa, que analisa as possibilidades da avicultura tradicional
Nova Russas. Tendo como objeto de estudo um grupo de avicultura tradicional acompanhado pelo Projeto Dom Hélder Câmara, da comunidade de Irapuá, neste Município, o médico veterinário e pesquisador Felipe Jalfim elabora sua tese de doutorado, a qual segue o mesmo tema de sua dissertação de mestrado, defendida em 2008: "Agroecologia e Agricultura Familiar em tempos de globalização: O Caso dos Sistemas Tradicionais de Criação de aves no Semiárido Brasileiro".

O estudo, vinculado à Universidade de Córdoba, na Espanha - onde Jalfim também concluiu o mestrado -, já tem a primeira metade finalizada e está previsto para ser concluído no início do próximo ano. O médico veterinário pernambucano e mestre em Agroecologia discorre sobre a criação tradicional de aves no contexto globalizado, ao mesmo tempo em que leva para o debate acadêmico e militante, no âmbito da Agricultura Familiar e Agroecologia, elementos teóricos-metodológicos que contribuem para o avanço e desenvolvimento rural sustentável no semiárido brasileiro.

Embora ainda em andamento, o estudo, de acordo com o autor, traz uma análise das limitações e possibilidades da criação de aves realizada pela agricultura familiar e pelo complexo avícola transnacional. Preenche uma lacuna de estudos acadêmicos com respeito à atividade.

"É um tema marginalizado, tanto no meio acadêmico, como em outros. Nunca se olhou para a importância desse trabalho feito especialmente pelas mulheres, na agricultura familiar".

AlimentosFelipe Jalfim constata que a degradação dos recursos naturais constitui um dos problemas prioritários da região semiárida brasileira, mostrando a dependência da maior parcela da sociedade local e agricultura familiar dessa matriz produtiva.

"A produção de alimentos e outros bens tem como finalidade não só o autossustento, como também a geração de renda, elementos indispensáveis para o bem-estar e reprodução do modo de vida da agricultura familiar na região", salienta Jalfim, na primeira parte de seu estudo.

Segundo o pesquisador, a água, fator limitante no clima devido à sua escassez, gerou maior volume de estudos, conhecimentos e experiências, enquanto que a criação de animais, em especial a atividade avícola, carece "de um maior amadurecimento e melhor explicitação dos conhecimentos existentes", diz.

A questão é, por meio da pesquisa participativa junto a 13 mulheres na localidade distante 15 quilômetros da sede de Nova Russas, que criam tradicionalmente aves, contribuir para que o sistema se torne produtivo, resistente e gerador de renda para as famílias.

Assim, o pesquisador e consultor do Projeto Dom Helder Câmara, órgão apoiador do trabalho, espera provar que, com a utilização de estratégias, o sistema é rentável, tem sustentabilidade, produz alimentos de qualidade e propicia segurança alimentar.

"A atividade tem potencial e, por meio de estratégias elaboradas em conjunto com as próprias criadoras, se torna rentável, aliando-se a isso o resgate de uma cultura que aos poucos está se perdendo no meio rural", defende Felipe Jalfim.

Diálogo
Segundo ele, os técnicos reconhecem o saber da agricultora (criadora) e interagem de forma ampla e multidisciplinar. Esses conceitos são os pressupostos da Agroecologia, ciência nova que trabalha a agricultura de forma sustentável reconhecendo o conhecimento do agricultor.

Dessa forma, não há substituição de saberes. O conhecimento técnico e científico não chega ao meio rural para se sobrepor ao conhecimento tradicional das mulheres que, por gerações a fio, criam aves.

O experimento e a troca de conhecimentos, segundo Jalfim, são a grande proposta da Agroecologia e da pesquisa participativa aplicada na comunidade, junto às famílias que participam do grupo da avicultura, formado e acompanhado desde 2008 pelo Projeto Dom Hélder. "A ideia é que esses conhecimentos se encontrem, dialoguem e gerem novos conhecimentos. Vamos observando a sua forma de criar e testando novas experiências junto com elas", ressalta.

Monitoramento
Em meio ao diálogo de saberes, há o monitoramento das atividades realizadas pelas mulheres na criação avícola. Por meio de um formulário preenchido diariamente por elas, Felipe acompanha a atividade e suas nuances, desde a montagem da estrutura física, postura, ração e milho, reprodução à redução (consumo e predador). Os dados são coletados e levados para uma tabela que realiza a análise. Daí, mensalmente o grupo verifica os dados e toma decisões.

Exemplo simples desse diálogo e da importância do monitoramento foi a decisão tomada pelo grupo sobre a incorporação de cálcio na ração das aves, após as mulheres verificarem um hábito inusitado que as aves passaram a ter de repente - bicar a parede do galinheiro.

Através da suplementação alimentar, as aves abandonaram o hábito. Além disso, os ovos ficaram com a casca mais forte.

Geração de renda
"A produção de alimentos tem como finalidade não só o autossustento, como também a geração de renda"

Felipe JalfimMédico veterinário e pesquisador

Grupo de criadoras apresenta avanços
Nova Russas. O grupo de avicultores da comunidade de Irapuá foi criado em 2008 pelo Projeto Dom Hélder Câmara, órgão do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Com acompanhamento técnico do órgão, que atua junto aos criadores no planejamento e execução das atividades, o grupo vem atestando a sustentabilidade e rentabilidade da atividade. Os avicultores produzem para consumo próprio e ainda comercializam o excedente para os moradores da própria comunidade e para as escolas. Vendem mensalmente para escolas cerca de 700 ovos.

"Estamos satisfeitos com o nosso grupo, pois o nosso objetivo definido desde o início era melhorar a nossa própria alimentação, e isso já alcançamos. Além do mais, ainda vendemos o que sobra", diz Maria Salu, uma das 13 mulheres do grupo.

Segundo a supervisão do Projeto Dom Helder, o grupo foi criado levando em conta a aptidão da comunidade, na qual muitas mulheres tradicionalmente já tinham criação de aves, as chamadas "galinhas caipiras". Com o apoio técnico do órgão, que disponibiliza incentivo financeiro a agricultores interessados em participar do grupo, assistência técnica por meio de visitas, monitoramento, consultoria, acompanhamento e informações sobre oportunidades de comercialização, a atividade vem crescendo e mostrando viabilidade.

"Trabalhamos há seis anos na comunidade e a criação de aves é um destaque porque é uma atividade que tem se renovado. O Projeto assiste as mulheres considerando as suas experiências e intervém de forma a contribuir e acrescentar. O diálogo enriquece, quebra paradigmas e possibilita crescimento", ressalta Ana Paula da Silva, supervisora na região dos Inhamuns.

O grupo recebeu investimentos de aproximadamente R$ 11 mil para iniciar a atividade.

Com isso, em cada residência foi construído um aviário padronizado, adquirido suprimentos, rações, vacinas e todo o material necessário para a formação e evolução da criação.

A partir daí, e com as instruções recebidas pelos técnicos e consultoria, novas formas são empregadas na criação. As mulheres, que anteriormente criavam as aves soltas no quintal e no "terreiro", como chamam popularmente, passaram a criar no aviário. Ali, há espaço designados para a reprodução, postura (deitar as aves), pintinhos e frangos. Com isso, poupam tempo e trabalho na busca das aves que corriam para longe, que punham seus ovos em ninhos feitos "no mato", em espantar predadores, entre outras situações comuns na criação tradicional.

Transformação
Além das mudanças na aquisição de renda pelas famílias com a atividade, esses fatores são enumerados como avanços ocorridos por meio da criação do grupo e do trabalho do Projeto na comunidade. "Percebemos transformações evidentes na situação das mulheres, que com a criação acompanhada pelos técnicos passou a ter mais tempo para outras atividades, teve o seu trabalho mais valorizado pela própria família e uma melhoria na sua qualidade de vida", analisa Ana Paula.

Outros grupos também são trabalhados, na comunidade, pelo Projeto Dom Hélder Câmara: apicultura e artesanato. Em ambos, há o acompanhamento da mesma forma que no grupo de avicultura. Na apicultura, nove famílias são beneficiadas e uma Casa do Mel está sendo construída, para ser utilizada pelos produtores da localidade e região. Já o grupo de artesanato é composto por 16 mulheres, que produzem peças em crochê.

Investimento
11 mil reais foram investidos na construção de aviários padronizados nas casas das mulheres que atuam na criação.

700 ovos são vendidos pelo grupo, mensalmente, para escolas, mostrando o potencial de geração de renda da atividade.

SILVÂNIA CLAUDINOREPÓRTER

Diário do Nordeste



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Curso de Pós-Graduação em Ecopedagogia em Pernambuco

Amig@s, excelente noticia !

Podem espalhar e vamos somar nessa importante empreita pela educação
ambiental crítica e emancipatória.

Será o primeiro curso de pós graduação em Ecopedagogia do Nordeste e
um dos únicos no Brasil.


O Curso será oferecido e administrado pelo Instituto QualisBrasil
(IQB) e será, por enquanto, certificado pela Faculdade Anglo Líder -
FAL (São Lourenço da Mata), desde que a mesma oferece o Curso de
Graduação em Pedagogia, exigência do MEC para reconhecer o Curso de
Pós-Graduação em Ecopedagogia.


O curso será ministrado no seguinte endereço: Rua Arão Lins Andrade,
377 - Piedade - Jaboatão dos Guararapes.


Cada módulo será ministrado em duas sextas (18h às 22h) e dois Sábados
(8h30 às 12h e das 14h às 17h30), quinzenalmente, perfazendo um total
de 30 h/a, salvo o módulo de 60h/a que terá o horário duplicado.


Há braços a tod@s.

--
                          Thomas Enlazador
Educador Social e Gestor SócioEconômicoAmbiental
        Centro Ecopedagógico Bicho do Mato
   81-9708-2686 (Tim-Pe)  Face Book (Thomas Enlazador)
http://www.iteia.org.br/textos/almanaque-de-praticas-sustentaveis

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ministro manda rever projeto da Chapada do Apodi

Ministro manda rever projeto da Chapada do Apodi
Jornal De Fato
20/07/2011
Brasília/Apodi - Os pequenos agricultores da Chapada do Apodi conseguiram ontem uma vitória no Ministério da Integração Nacional na luta contra o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS), sobre como aproveitar a água da Barragem de Santa Cruz, em Apodi. O Dnocs propõe transpor as águas para uma região da chapada e os agricultores defendem que a água da barragem seja usada para fomentar a agricultura familiar.

A reunião foi realizada no gabinete do ministro Fernando Bezerra, da Integração Nacional, ao meio-dia de ontem, com a presença da governadora Rosalba Ciarlini, do senador/ministro Garibaldi Alves, da deputada federal Fátima Bezerra, deputado estadual Fernando Mineiro, e uma comitiva de agricultores do município de Apodi e também da região do Vale do Jaguaribe.

Também participou da audiência o presidente do Dnocs, o ex-deputado federal Elias Fernandes.
Os primeiros debates foram vencidos pelos grandes produtores que fortalecem a ideia da agroindústria em território do Rio Grande do Norte e do Ceará. O Dnocs já estava trabalhando (realizando audiências públicas) para desapropriar uma área de 14 mil hectares na chapada do Apodi e investir um valor aproximado a R$ 280 milhões na instalação de um sistema adutor e a instalação da estrutura de alvenaria na região da Chapada do Apodi para assentar 351 agricultores.

Entretanto, o projeto de criação do Distrito Irrigado da Chapada do Apodi não recebeu o aval dos produtores da região. Alegam vários motivos. O primeiro foi exposto pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Apodi, Edilson Neto. "O Dnocs está querendo fazer o inverno da reforma agrária. É que esta área que está para ser desapropriada pertence a centenas de pequenos produtores rurais e depois seria para grandes produtores", explica Edilson Neto.

O segundo problema foi exposto pela engenheira florestal, mestre em Meio Ambiente e doutora em Agricultura Tropical, Verlândia Morais. Segundo ela, esse tipo de distrito irrigado proposto pelo Dnocs para a Chapada do Apodi tem vários fracassados pelo Nordeste. Exemplos não faltam. Verlândia observa o alto custo de manutenção do sistema adutor (energia) e também da estrutura de distribuição de água dentro do distrito irrigado.

De forma mais incisiva, a doutora Raquel Rigotto, professora e pesquisadora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, declarou que a grande quantidade de agrotóxico usada pelo agronegócio está causando uma série de doenças crônicas na população rural, alem de prejuízos evidentes à economia das famílias. Assim como os demais, Rigotto orienta a necessidade de mais investimentos na agricultura familiar.

Segundo Procópio Lucena, coordenador da Articulação do Semi Árido (ASA), o caminho correto para aproveitar o potencial hídrico da barragem de Santa Cruz, assim também como da Barragem de Umari, é investir na agricultura familiar. No caso de Apodi, o melhor é fazer o sistema adutor para irrigar a região de várzea nos períodos de estiagem por gravidade. Ao menos é isto que os pequenos produtores querem e estão dispostos a ir às ruas por isto.

Todas as questões foram expostas ao ministro Fernando Bezerra ontem pelos representantes legais dos trabalhadores da região de Apodi e também do Vale do Jaguaribe. O presidente do Dnocs, Elias Fernandes, assistiu a tudo. Em alguns momentos ainda tentou sustentar a sua tese de que o melhor é investir no agronegócio na Chapada do Apodi, mas seus argumentos apresentaram-se fracos diante da quantidade e a qualidade técnica versado no sentido contrário.

BANIR AGROTÓXICOS.

Assine o Abaixo-Assinado virtual que pede o banimento dos agrotóxicos já proibidos em outros países do mundo e que circulam livremente no Brasil.

A Campanha tem o objetivo de alertar a população sobre os perigos dos agrotóxicos, pressionar governos e propor um modelo de agricultura saudável para todas e todos, baseado na agroecologia.

Assine já, pelo banimento dos banidos! Entre no link abaixo.

CICLOVIDA Completo