Princípios da Agroecologia

Agricultura sustentável tem que considerar aspectos socioeconômicos e culturais dos grupos sociais implicados. Não basta proteger e melhorar o solo ou a produtividade agrícola se não resulta em melhorias nas condições de vida das pessoas envolvidas. Portanto, agricultura sustentável é um conceito que implica aspectos políticos e ideológicos que tem a ver com o conceito de cidadania e libertação dos esquemas de dominação impostos por setores de nossa própria sociedade e por interesses econômicos de grandes grupos, de modo que não se pode abordar o tema reduzindo outra vez as questões técnicas.

Francisco Roberto Caporal

http://www.aba-agroecologia.org.br/

grãos

"Muita gente pequena, em muitos lugares pequenos, fazendo coisas pequenas, mudarão a face da Terra". provérbio africano

Como os lobos mudam rios

Como se processa os animais que comemos

Rio Banabuiu

https://youtu.be/395C33LYzOg

A VERDADE SOBRE O CANCER

https://go.thetruthaboutcancer.com/?ref=3b668440-7278-4130-8d3c-d3e9f17568c8

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Alimentos e Regularização Sanitária

Novidades ISPN: A Produção brasileira de alimentos e as dificuldades enfrentadas para sua regularização sanitária

Link to ISPN

A Produção brasileira de alimentos e as dificuldades enfrentadas para sua regularização sanitária
Posted: 06 Apr 2016 11:13 AM PDT
mulheres processando pequi
Nos últimos anos, quem tem acompanhado o desenvolvimento da agricultura familiar no Brasil, percebe a crescente corrente do movimento agroecológico brasileiro. Esta nova abordagem da agricultura, que busca integrar os diversos aspectos sociais, econômicos e ambientais na unidade de produção familiar, enfrenta entraves regulatórios que desconsideram o papel da agroecologia na economia e na qualidade de vida das famílias envolvidas. A legislação brasileira de produção de alimentos, por exemplo, não é apenas ultrapassada para atender as demandas desse setor, é inadequada, excludente e moralmente injusta com segmentos sociais que estão à margem do apoio do estado.
O marco legal da produção de alimentos é definido por uma série de leis, decretos e normas que compõem o sistema sanitário brasileiro. Este, estabelece as regras para o processamento e consumo de alimentos seguros, quer dizer, tem o papel de determinar o que é seguro para ser consumido por uma parcela significativa da população. Porém, o que vem determinando o padrão de segurança do alimento, é a esterilização e homogeneização nos processos de produção e transformação alimentar. De fato, é uma completa inversão de valores sociais e culturais, pois privilegia uma indústria rica e globalizada, em detrimento da ampla diversidade alimentar e do patrimônio histórico e cultural brasileiro.
Para entender a complexidade do nosso sistema sanitário atual, é necessário realizar uma distinção entre os diversos tipos de alimentos e os processos de produção que determinam o produto final. Esta divisão é necessária, pois dois amplos sistemas de regulação sanitária concorrem perante um perplexo setor regulado. As instituições centrais são o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que conceituam e determinam as variáveis da alimentação brasileira.
Por exemplo, o MAPA regula todos os produtos de origem animal. Porém, caso haja determinado percentual de vegetal no doce de leite, poderia haver um questionamento sobre o órgão regulador. O MAPA é responsável pela regulação de “bebidas”, inclusive polpas de frutas, mas a ANVISA é responsável por “água mineral” e “alimentos processados”. No caso de alimentos prontos para consumo, como o “açaí processado”, que poderia ser considerado “bebida”, este é regulado pela ANVISA.
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Quadro 1: Distinção simplificada dos órgãos responsáveis pela regulação de alimentos, de acordo com o tipo de alimento.
O MAPA é a instância central e superior de um sistema que busca padronizar os órgãos estaduais e municipais de vigilância agropecuária[i]. A ANVISA é uma agência que coordena o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS)[ii], podendo delegar à estados e municípios suas atribuições. Com isso, para a regularização de um empreendimento de alimento é necessário determinar, pelo menos, o produto final e o mercado a ser acessado para iniciar uma verdadeira romaria aos órgãos licenciadores.
Essas duas variáveis, produto e mercado, possibilitariam localizar o órgão licenciador de suas atividades, que pode ser nas secretarias de saúde do município ou do estado, nos caso dos produtos relacionados ao SNVS. Também poderia ser nas secretarias de agricultura do município ou do estado, caso seja um produto de origem animal ou bebida. De qualquer forma, a vigilância sanitária municipal ou estadual deve regularizar a unidade de beneficiamento, caso seja alimento.
Porém, se o produtor tiver a “audácia” de atingir o mercado nacional, e este produto seja de origem animal, necessariamente teria que regularizar sua situação em um dos oito[iii] entes federados aderidos ao sistema do MAPA (SUASA). Assim, o produto pode ser comercializado em todo território nacional. Caso contrário, também pode buscar o registro do seu produto/empreendimento diretamente nas superintendências do MAPA, em geral, localizadas nas capitais.
Por exemplo, um produtor de leite e derivados que realize o registro do seu empreendimento no município[iv], considerando que o município tem instituído o Sistema de Inspeção Municipal (SIM), mas que não tem sua “equivalência” ao subsistema que regula os produtos de origem animal[v], cuja sigla é “SISBI-POA”, tem sua comercialização restrita à área daquele município.
O SUASA foi idealizado em 2006 para descentralizar a atuação do MAPA para estados e municípios. Porém, este se tornou um verdadeiro mosaico de regulamentos e subsistemas, que normatiza a produção de insumos, alimentos de origem animal e vegetal, cada qual em diferentes setores com total distinção entre si. Entre os três subsistemas instituídos, apenas o SISBI-POA, que regula produtos de origem animal, existe de fato, pois é evidente o interesse econômico na comercialização de alimentos processados de origem animal. Além disso, os subsistemas possuem estágios diferentes de descentralização (o SUASA Vegetal permite apenas que estados e o DF solicitem sua equivalência ao sistema federal), o que dificulta ainda mais o entendimento e a interpretação da legislação.
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Caso um produtor de alimentos de origem animal ainda deseje regularizar sua produção, deve buscar o Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA[vi]), instituído por decreto em 1952. Este é o regulamento para a produção “agroindustrial” de alimentos, que acaba por subtrair da sociedade o papel da produção artesanal e dos processos tradicionais de produção de alimentos. O processo de revisão desta legislação está em curso, mas continua a segregar produtores que não se enquadram no rígido modelo de padrão agroindustrial, focado em empresas de grande porte e não na agroindústria familiar.
Na tentativa de atenuar o fosso entre os setores marginalizados e o MAPA, foi lançada a IN/MAPA 16/2015[vii] que tenta normatizar a “agroindustrialização” de produtos de origem animal nos estabelecimentos de pequeno porte, para agricultores familiares ou produtor rural, com determinado limite de área construída (250m²). Além disso, outras cinco cadeias serão regulamentadas (carne, pescado, leite, ovos, produtos das abelhas e derivados destas cadeias). Porém, a Instrução Normativa foi lançada à revelia de todo e qualquer setor, inclusive do corpo técnico do MAPA, que a questiona e não a reconhece, causando dificuldades no processo de regulamentação.
Para a agricultura familiar, apesar de não ter havido um processo de consulta, a IN 16/2015 promove avanços significativos, como os princípios da “razoabilidade”, “transparência de procedimentos”, “racionalização e simplificação para o registro sanitário”, entre outras, espelhadas na Resolução RDC 49[viii] (ANVISA). Outra questão importante foi o reconhecimento da multifuncionalidade da unidade de produção, ou seja, mais de uma atividade produtiva pode ser realizada no mesmo ambiente. Também foi determinada a isenção do pagamento de taxas de registro e de inspeção sanitária.
Apesar dos avanços verificados, o processo de regulamentação foi iniciado com a cadeia de leite e derivados. O MAPA realizou reuniões com convidados, mas nenhum representante dos setores diretamente afetados pela norma participou das discussões. A única forma de participação das representações da agricultura familiar, foi promovida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) com a realização de seminários. O MDA encaminhava as propostas e as discutia com o MAPA.
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Por fim, o MAPA submeteu a proposta de IN, em 17 de dezembro de 2015, à consulta pública por 60 dias. Dificilmente representantes da agricultura familiar ou agroecologia e seus empreendimentos teriam acesso ao tipo de consulta pública praticada pelo MAPA, que é unicamente por meio eletrônico e com pouca divulgação. Entendo que as representações da agricultura familiar poderiam agregar pontos importantes à norma, com seu vasto conhecimento técnico e empírico, que fundamenta, muitas vezes, o conhecimento científico. A falta de diálogo e a soberba ideológica de uma sociedade de classes que trata com indiferença os desiguais, não poderia ser reproduzida na construção de uma política pública para a agricultura familiar e para a agroecologia.
No outro lado da moeda, mostrando que é possível ter uma legislação que atenda a maioria, tivemos o processo de construção de uma norma na ANVISA. Pela primeira vez, agricultores familiares e empreendimentos econômicos solidários, tiveram reconhecimento das suas atividades produtivas, a fim de proteger práticas, costumes, hábitos e conhecimentos tradicionais. Diferente de outras normas, inclusive da ANVISA, houve um amplo processo de consulta pública nas regiões, onde participaram efetivamente representantes de agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais. A Resolução da Diretoria Colegiada da ANVISA n. 49/2013, buscou, de maneira geral, ser um instrumento facilitador e orientador para um público, até então, marginalizado no sistema de vigilância sanitária.
Diferente dos sistemas e subsistemas criados pelo MAPA, na vigilância sanitária, apenas um sistema central (SNVS) descentraliza as ações até o nível municipal. Nesse caso, os empreendimentos regularizados pelo município podem comercializar sua produção em todo território nacional. Porém, até a promulgação da RDC 49/2013, não havia qualquer distinção na avaliação discricionária dos agentes de vigilância sanitária, que salvo raras exceções, adotavam uma postura policialesca e sem qualquer razoabilidade.
A RDC 49 ainda precisa ser regulamenta em alguns estados e municípios, principalmente em relação à isenção de taxas de vigilância sanitária. Além disso, também é necessária a capacitação de agentes de fiscalização para que possam ter uma nova postura, adotando as diretrizes da “simplificação”, “racionalização”, “padronização de procedimentos” e a “razoabilidade quanto às exigências aplicadas”. Esta abertura propiciada pela ANVISA trouxe não apenas o reconhecimento da produção de empreendimentos familiares e artesanais, mas provocou ampla discussão nacional para a construção de novos marcos legais para a agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais. Esta ainda é a esperança da população rural brasileira, produtora de alimentos saudáveis e representante dessa diversidade cultural.
Por Rodrigo A. Noleto[ix]
[i] Em março de 2006 foi publicado o Decreto 5.741 que instituiu o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA).
[ii] O Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) e a ANVISA foram criados pela Lei 9.782 de 26 de janeiro de 1999.
[iii] Os estados da Bahia (único do Nordeste); Goiás e Distrito Federal; Minas Gerais e Espírito Santo; Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, têm seus sistemas de inspeção de produtos de origem animal, equivalentes ao sistema brasileiro (SISBI-POA), o qual permite sua comercialização em todo território nacional.
[iv] Segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em 2012, apenas 17% dos municípios tinham estruturado o Sistema de Inspeção Municipal (SIM), que permitiria o registro de produtos de “Origem Animal” e a sua comercialização apenas no município de origem da produção.
[v] O Decreto de criação do SUASA (5.741/2006) constituiu os Sistemas Brasileiros de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários (1. Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal; 2.  Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA); e 3. Sistema Brasileiro de Inspeção de Insumos Agropecuários). Porém, apenas o sistema de inspeção de produtos de origem animal (SIBI-POA) está regulamentado e em funcionamento. Em 2014 foi promulgada a IN n. 20 do MAPA, que instituiu o SUASA-VEGETAL, permitindo que estados e o DF pudessem aderir ao sistema federal e comercializar sua produção em todo território nacional.
[vi] Decreto n. 30.691 de 1952 – Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal.
[vii] Instrução Normativa n. 16 de junho de 2015 – Estabelece as normas específicas de inspeção e a fiscalização sanitária de produtos de origem animal, referente às agroindústrias de pequeno porte.
[viii] Resolução da Diretoria Colegiada da ANVISA, N. 49 de 31 de outubro 2013, que regulariza atividades de interesse sanitário dos seguintes setores:  i) microempreendedor individual, ii) empreendimento familiar rural e iii) empreendimento econômico solidário. A RDC 49/2013 foi publicada no DOU em 01 de novembro de 2013.
[ix] Rodrigo Almeida Noleto, engenheiro florestal, assessor técnico do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e coodenador do Projeto Pequenos Projetos Ecossociais no Arco do Desmatamento (Fundo Amazônia).

quinta-feira, 17 de março de 2016

Guia para o reconhecimento de inimigos naturais de pragas agrícolas.

Guia para o reconhecimento de inimigos naturais de pragas agrícolas.

Autoria: SILVA, A. de C.
Resumo: Predadores. Tesourinhas. Crisopídeos. Joaninhas. Moscas sirfídeos. Moscas dolicopodídeas. Moscas asilídeas. Besouros carabídeos. Vespas ou marimbondos. Percevejos Orius. Percevejos Geocoris. Percevejos reduviídeos. Percevejos pentatomídeos. Ácaros predadores. Aranhas. Parasitoides. Vespas e microvespas parasitoides. Moscas tanquinídeas.
Ano de publicação: 2013
Tipo de publicação: Livros
Unidade: Embrapa Agrobiologia
Palavras-chave: Agricultural pests, Besouros carabídeos, Controle biológico, Controle biológico natural, Crisopídeos, Inimigo natural, Insect, Inseto, Joaninha, Moscas asilideas, Moscas dolicopodídeas, Moscas sirfídeos, Moscas taquinídeas, Natural biological control, Percevejos, Praga agrícola, Praga de planta, Pragas agrícolas, Tesourinhas, Vespas, Ácaros

 https://www.embrapa.br/agrobiologia/busca-de-publicacoes/-/publicacao/963933/guia-para-o-reconhecimento-de-inimigos-naturais-de-pragas-agricolas


quinta-feira, 3 de março de 2016

Assassinato de Bertha Cáceres

Statement and call to action from La Via Campesina
In response to the assassination of our sister in in struggle: Bertha Cáceres



 
The international peasant movement La Via Campesina denounces to the national and international public that on this day, 3 March 2016 in the early hours of dawn, our dear sister in struggle, BERTHA CÁCERES, General Coordinator of the Civic Council of Popular and Indigenous Organizations of Honduras (COPINH) was assassinated.

The assassination of BERTHA CÁCERES took place in her home, while she was resting, which drastically increases the risk to women and men defenders, to the indigenous peoples who resist in communities, and to members of popular and social movement organizations who have taken up our legitimate struggle.

On numerous occasions, BERTHA CÁCERES had publicly denounced ill-intentioned actions and threats both by the current government regarding concessions of natural resources, and by the foreign transnational corporations involved in the construction of dams and the  capture of resources that belong to indigenous peoples.

BERTHA CÁCERES was assigned precautionary measures demanding that the State of Honduras protect her physical integrity.
That same State of Honduras took measures to persecute BERTHA CÁCERES for her struggle against foreign companies that destroy natural resources.

The whole world recognized the courage and contribution of BERTHA CÁCERES in her struggle for human rights, when she was honored with the prestigious international Goldman Prize for the defense of natural resources in the country.
We recognize the historic struggle of BERTHA CÁCERES, side by side with our peoples, to claim the right to land, her struggle for the defense of our sovereignty, for comprehensive agrarian reform, for the food security of our peoples.

It is fitting to highlight that on 9 April 2014, parliament member and General Coordinator of La Via Campesina Honduras, Rafael Alegría, introduced in National Congress a proposed law for Comprehensive Agrarian Reform with Gender Equity for Food Sovereignty and Rural Development, to seek solutions through the political channels to the problems that peasants and indigenous peoples face today in Honduras. To this day, this proposal has not been taken into account by the Board of Directors of the National Congress.

For this reason, La Via Campesina Honduras denounces the government of Honduras and the transnational companies that extract and exploit our country’s natural resources.
As an international movement of peasants, we demand that the State of Honduras punish those responsible for this vile assassination, and we call to all international organizations that defend human rights to join this demand.
La Via Campesina makes a call to organize protest actions in the embassies of Honduras around the world to demand clarity in this crime, and to protect defenders of land and territory, and of human rights in Honduras.
We express our solidarity and extend our condolences to the family of Bertha Cáceres, to the Lenca people, and to the people of Honduras who suffer her irreparable loss. 

TEGUCIGALPA M.D.C. 3 MARCH 2016

GLOBALIZE STRUGGLE, GLOBALIZE HOPE
BERTHA CÁCERES ¡VIVE!
THE STRUGGLE CONTINUES


http://viacampesina.org/Via-info-en/ 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

para não esquecer...

Em respeito à história da agroecologia brasileira e de Pernambuco

4-02-2016
Recife (PE) - O programa de televisão Fantástico do dia 31 de janeiro, último domingo, mostrou uma reportagem em que aparecem diversas pessoas que vendem produtos envenenados se passando por agricultores orgânicos. O tema é atual e relevante, mas a reportagem falha gravemente quando não valoriza a importância do trabalho de milhares de famílias agricultoras que diariamente produzem alimentos de verdade e de qualidade para a população brasileira, dos campos e das cidades.
O fato é que a reportagem deu destaque a uma prática desonesta na venda de produtos orgânicos, mas não abordou os/as milhares de agricultores e agricultoras brasileiras dedicadas à produção agroecológica, que atuam além da produção de alimentos saudáveis, contribuindo para a conservação dos solos, das águas, e da biodiversidade. Sem dúvidas uma fiscalização mais eficiente é necessária, mas é importante que essa denúncia e as investigações sejam feitas pelos órgãos competentes de maneira a não gerar confusão para as pessoas e não sejam prejudicados aqueles que atuam no campo de maneira séria, sem usar agrotóxicos e investindo numa agricultura que é a saída para uma alimentação saudável. As feiras orgânicas e agroecológicas são importantes equipamentos públicos de abastecimento alimentar nas cidades, uma alternativa aos produtos envenenados de grandes produtores vendidos em supermercados, e não devem ser criminalizadas pelos atos irresponsáveis de uma minoria.
Foi notório também o desequilíbrio de conteúdo e de contexto da matéria do Fantástico. Faltou ouvir e apresentar a posição de inúmeras Redes, Fóruns, Articulações, Associações, ONGs, entidades de assessoria técnica e principalmente famílias agricultoras agroecológicas e orgânicas do país que trabalham com ética, respeito e principalmente compromisso com a saúde e a vida de quem consomes seus produtos. Há anos organizações como a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), a Rede Ater Nordeste, a Rede de Agroecologia da Mata Atlântica, a Rede de Agroecologia de Pernambuco e núcleos de estudos e pesquisa em Agroecologia, como o Núcleo de Agroecologia e Campesinato - NAC e o Núcleo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Agroecologia no Semiárido - NEPPAS/UFRPE, trabalham para promover e tornar público uma forma de produzir alimentos e gerar desenvolvimento sustentável no campo respeitando a natureza e a saúde das pessoas, a Agroecologia.
Esperamos sim que o Ministério da Agricultura e os órgãos competentes invistam e melhorem sua atuação na fiscalização. Além disso, é preciso que nossa legislação seja modificada, para que se proíbam agrotóxicos já banidos em outros países, evitar o contrabando de agrotóxicos existente nas nossas fronteiras e para os agrotóxicos deixarem de ter isenção de ICMS, como acontece em muitos Estados brasileiros, assim como seja banida a transgenia do Brasil. É importante lembrar que o PRONARA – Programa Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos, construído com propostas de órgãos do Governo e movimentos sociais, já foi aprovado na Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO) e espera a adesão do Ministério da Agricultura desde meados de 2015 (dos 10 Ministérios envolvidos, o único que falta aderir), para que seja regulamentado e, em seguida, colocado em prática efetivamente.
A matéria comete outro erro ao não dizer o nome da feira retratada no Recife, tratando-a apenas como “a feira de produtos orgânicos mais antiga do Recife”. Pelas imagens, mesmo para os recifenses, é muito difícil perceber em qual feira a reportagem esteve. É de conhecimento público, no entanto, que a feira das Graças da Rede Espaço Agroecológico é a mais antiga do Recife que vende produtos orgânicos (Como se pode comprovar pelas reportagens, publicadas em 2015 pelos dois maiores jornais de Pernambuco: http://bit.ly/1TwOwjM e http://bit.ly/1KShMub), no entanto não foi ela a ser retratada na matéria.
Pela grande audiência do programa dominical, o erro de informação se torna praticamente impossível de ser sanado sem um direito de resposta na TV Globo, com o mesmo tempo de exibição e na mesma faixa de horário e programa.
Os agricultores e agricultoras, seus movimentos e suas organizações que constroem cotidianamente a Agroecologia e a Produção Orgânica deste país certamente se envergonham ao ver esta reportagem, mas é preciso ressaltar que a maioria trabalha consciente e comprometida com a mudança de vida, que beneficia agricultores, agricultoras e a população das cidades e por isso repudiamos qualquer tentativa de igualar essa construção à práticas desonestas. Temos orgulho em fazer parte da história de construção da Agroecologia e de práticas como as Feiras Agroecológicas e Orgânicas que valorizam a soberania e a segurança alimentar das pessoas, gerando qualidade de vida e saúde, protegem os bens naturais, e que se baseiam em uma economia solidária e numa relação harmoniosa entre o campo e a cidade.
Fonte: Centro Sabiá

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

"Pedagogia do Oprimido", único livro brasileiro na lista dos 100 títulos


Só um livro brasileiro entra no top 100 de universidades de língua inglesa

Lista contabilizou emendas de universidades de língua inglesa. 
Paulo Freire aparece em 99° lugar com o livro 'Pedagogia do Oprimido'.

Do G1, em São Paulo
Paulo Freire (Foto: Arquivo/Instituto Paulo Freire)Paulo Freire (Foto: Arquivo/Instituto Paulo Freire)
"Pedagogia do Oprimido", de Paulo Freire, é o único livro brasileiro a aparecer na lista dos 100 títulos mais pedidos pelas universidades de língua inglesa consideradas pelo projeto Open Syllabus. 
A iniciativa coletou mais de um milhão de programas de estudos de universidades dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia para identificar quais são os livros mais solicitados por elas em suas ementas.
O livro de Freire, lançado em 1968, aparece em 99º lugar no ranking geral, com 1.021 citações em programas. No campo de educação, a obra figura em segundo lugar como a mais pedida nas universidades desses países, perdendo para "Teaching for Quality Learning in University: What the Student Does", de John Biggs.
Pelo ranking, é possível observar que o livro de Freire é mais citado nas universidades selecionadas do que clássicos como "Moby Dick", de Herman Melville, que aparece três posições abaixo, e "Dracula", de Bram Stoker, em 111º lugar.
Cerca de 20 outras obras do escritor aparecem na lista, embora menos citadas, como "Política e Educação", com 47 citações.
Outros brasileiros também estão no ranking, como Machado de Assis, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos e Guimarães Rosa.
Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire (Foto: Reprodução)Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire (Foto: Reprodução)
 
 

Brasileiros integram consórcio que observou ondas gravitacionais e buracos negros


Elton Alisson  |  Agência FAPESP – Após uma série de rumores nos últimos meses, um consórcio internacional de cientistas, integrado por pesquisadores do Brasil, confirmou ontem (11/02) ter feito a primeira detecção direta de ondas gravitacionais – oscilações do espaço-tempo previstas por Albert Einstein (1879 –1955) há um século – geradas pela colisão e fusão de dois buracos negros.
O anúncio foi feito por cientistas do projeto Ligo (sigla em inglês de Laser Interferometer Gravitacional-wave Observatory) em uma coletiva de imprensa promovida pela National Science Foundation (NSF) em Washington, nos Estados Unidos, e publicado em um artigo na revista Physical Review Letters.
A colaboração científica reúne mais de mil cientistas de mais de 90 universidades e instituições de pesquisa de 15 países, além dos Estados Unidos.
Entre os participantes do projeto estão Odylio Denys de Aguiar, Marcio Constâncio JúniorCésar Augusto Costa, Allan Douglas dos Santos Silva, Elvis Camilo Ferreira e Marcos André Okada, todos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e Riccardo Sturani, pesquisador do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (IFT-Unesp). 
Os pesquisadores do Brasil participam da colaboração científica Ligo por meio de projetos apoiados pela FAPESP.
“Senhoras e senhores, nós detectamos ondas gravitacionais. Nós conseguimos”, anunciou David Reitze, diretor executivo do projeto Ligo, durante o evento.
Usando detectores gêmeos do projeto Ligo, situados um em Livingston, em Louisiana, e o outro em Hanford, em Washington, nos Estados Unidos – a três mil quilômetros de distância um do outro –, os pesquisadores afirmaram ter observado, pela primeira vez, ondas gravitacionais a partir de um evento cataclísmico, denominado GW 150914, em uma galáxia distante mais de 1 bilhão de anos-luz da Terra.
As ondas gravitacionais foram detectadas em 14 de setembro de 2015, às 6h51 no horário de Brasília, pelos detectores do Ligo.
Os pesquisadores afirmaram que as ondas gravitacionais foram produzidas durante os momentos finais da fusão de dois buracos negros que giraram um em torno do outro, como dois piões, irradiando energia como ondas gravitacionais.
Essas ondas gravitacionais têm um som característico, chamado de sinal sonoro, que pode ser usado para medir as massas de dois objetos.
Após girarem em torno um do outro, os dois buracos negros se fundiram em um único e mais massivo buraco negro em rotação.
Eles estimam que a energia de pico liberada sob a forma de ondas gravitacionais durante os momentos finais da fusão dos buracos negros foi dez vezes maior do que a luminosidade combinada (a taxa na qual a energia é liberada como luz) de todas as galáxias no Universo observável.
“Foi a primeira vez que isso foi observado”, afirmou Reitze. “Os buracos negros têm apenas 150 quilômetros de diâmetro, mas 30 vezes a massa do Sol. Quando se fundem há uma grande explosão de ondas gravitacionais”, explicou.
Sistema de detecção
Causadas por alguns dos fenômenos mais violentos do Cosmos, como colisões e fusões de estrelas massivas compactas, a existência das ondas gravitacionais foi prevista por Einstein, em 1915, em sua Teoria da Relatividade Geral.
O cientista postulou que objetos massivos acelerados distorciam o espaço-tempo, produzindo mudanças no campo gravitacional – as ondas gravitacionais – que se deslocam para fora da massa e viajam à velocidade da luz através do Universo, levando informações sobre suas origens, além de pistas valiosas sobre a natureza da própria gravidade.
Essas ondas gravitacionais, contudo, têm amplitude um milhão de vezes menor do que o diâmetro de um próton e chegam à Terra com uma amplitude muito pequena.
A fim de tentar detectar e localizar fontes de ondas gravitacionais, os pesquisadores usaram uma técnica conhecida como interferometria a laser, que utiliza detectores distantes entre si para medir as diferenças das observações.
Dessa forma, por meio dos detectores do Ligo – que foram desenvolvidos e são operados pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e o California Institute of Technology (Caltech), ambos dos Estados Unidos –, eles conseguiram observar as ondas gravitacionais produzidas pela colisão e fusão de dois buracos negros há cerca de 1,3 bilhão de anos-luz da Terra que foram convertidas em trechos de som.
“Essa primeira observação das ondas gravitacionais abre uma nova janela de observação do Universo e marca o início de uma nova era na pesquisa em Astronomia e Astrofísica”, avaliou César Augusto Costa, pesquisador do Inpe.
O grupo de pesquisadores do Inpe, liderado por Aguiar, trabalha no aperfeiçoamento da instrumentação de isolamento vibracional do Ligo, que irá operar com espelhos resfriados, e na caracterização dos detectores, buscando determinar fontes de ruído.
Já o grupo do IFT-Unesp, dirigido por Sturani, trabalha na modelagem e análise dos dados de sinais de sistemas estelares binários coascentes.
A modelagem é particularmente importante porque as ondas gravitacionais têm interação muito fraca com toda a matéria, tornando necessários, além de detectores de alto desempenho, técnicas de análises eficazes e uma modelagem teórica precisa dos sinais, explicou Sturani.
“Essa primeira observação de ondas gravitacionais pelo Ligo é resultado de uma tomada de dados que ocorreu entre agosto e setembro do ano passado. A última tomada de dados terminou agora em janeiro e a análise completa deverá ser publicada em abril”, disse.
Além do artigo na  revista Physical Review Letters, os pesquisadores devem publicar nos próximos meses mais doze outros resultados da colaboração.
O artigo Observation of Gravitational Waves from a Binary Black Hole Merger (doi: http://dx.doi.org/10.1103/PhysRevLett.116.061102), da LIGO Scientific Collaboration e Virgo Collaboration, pode ser lido em http://link.aps.org/doi/10.1103/PhysRevLett.116.061102
Simulações numéricas das ondas gravitacionais emitidas pela fusão de dois buracos negros. Os contornos coloridos em torno de
cada buraco negro representam a amplitude da radiação gravitacional, as linhas azuis representam as órbitas dos buracos negros
e, as setas verdes, suas rotações (imagem: NASA Ames Research Center/PRL)  
Vista aérea do detector LIGO em Hanford, Washington (foto: NSF)
 
http://agencia.fapesp.br 

As terras da Terra



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farmlandgrab.org WEEKLY 17 Feb 2016
   English
 
Green Scenery in Sierra Leone have initiated a petition calling on the President of the Republic to release Shiaka Sama and five other MALOA land rights activists from prison immediately. Please support their effort!
 
Call for mobilisation: West African caravan for land, water and seeds
 

IIED | 17 Feb 2016
New research examining the geographical coverage of international investment treaties raises concern about how they might affect public action to address 'land grabbing'.


SMH | 16 Feb 2016
Mr Hornibrook, who was a former head of Macquarie Agricultural Funds Management, along with some members of his sales team, were found to have extracted sensitive commercial information from a rival fund.


Phnom Penh Post | 16 Feb 2016
Australian banking giant ANZ has come under fire for its response to a scandal over its financing of a sugar plantation previously linked to forced evictions and child labour in Kampong Speu province.


Oxfam | 15 Feb 2016
Follow up from 2014 Oxfam report "Banking on Shaky Ground – Australia's big four banks and land grabs", asserts that all four banks have failed to ensure the affected communities' rights to food, shelter and a sustainable livelihood were restored.


Oxfam | 15 Feb 2016
​ Almost two years ago Oxfam revealed that Australia’s Big 4 Banks — the ANZ, Commonwealth Bank, NAB and Westpac — are backing agriculture and timber companies linked to land grabs in developing countries.


Cambodia Daily | 12 Feb 2016
A Thai environmental auditing firm has confirmed that it is assessing the fallout from a trio of plantations in Oddar Meanchey province that Thai sugar giant Mitr Phol abandoned in late 2014 amid mounting accusations of land grabbing.


Bloomberg | 12 Feb 2016
Proterra Investment Partners , the private-equity firm spun off from agricultural commodities producer and trader Cargill Inc., is looking at several opportunities to buy farmland in Brazil and elsewhere in Latin America.


Business Standard | 11 Feb 2016
"We are willing to offer 10,000-15,000 hectare on lease for 99 years," Zambia Agriculture Minister Given Lubinda said.


| 11 Feb 2016
We, the undermentioned organisations working to promote land rights and rule of law in Sierra Leone, are gravely concerned about the conviction and imprisonment of these activists.


Cambodia Daily | 04 Feb 2016
After Canada, Denmark, Finland and the World Bank, Germany is ending its work on land rights in Cambodia, a strong indictment of the government’s at­titude toward land grabbing.


   français  
 
Green Scenery au Sierra Leone a redigé une pétition à l'attention du Président de la République pour demander la libération immédiate de Shiaka Sama et les cinq autres militants anti-landgrabbing de MALOA. Soutenons leur effort !
 
Appel à la mobilisation pour la Caravane ouest-africaine pour la terre, l’eau et les semences
 

TSA | 15 fev 2016
De nombreux partenariats avec des investisseurs étrangers sont en cours dans le domaine agricole, se félicite le directeur de l’organisation foncière au ministère de l'Agriculture algérien


Agence Ecofin | 15 fev 2016
Selon le groupe de défense des droits civils AfriBusiness, le plan d’accession à la propriété foncière du président Jacob Zuma pourrait provoquer un exode massif des investisseurs


Ouestafnews | 15 fev 2016
La vive dénonciation des attributions de terres en 2011 à Socfin a été le début d’un combat qui a porté devant les feux de l’actualité les militants anti-accaparement du Malen Affected Land Owners and Users Association (Maloa).


Reporterre | 13 fev 2016
M. Bolloré, classé 9e fortune de France, attaque pour "diffamation publique envers un particulier" un article de synthèse publié par Bastamag consacré à la question de l’accaparement des terres


AFP | 12 fev 2016
Jacob Zuma a annoncé une loi pour interdire aux étrangers de posséder des terres agricoles


Helloasso | 12 fev 2016
Récit cartographique tous publics de 23 volets réalisé en deux formats : un document web et une exposition. Il propose une lecture originale des grands thèmes qui sous tendent les agricultures industrielles et paysannes (l'accès à la terre, la réforme agraire, la révolution verte, les semences, l'eau, la forêt...), leurs implications sur les sociétés humaines et l'environnement.


   Español  

Umoya | 16 feb 2016
Un tribunal de Sierra Leona ha condenado a seis personas que se oponen a un proyecto de palma aceitera en la que el conglomerado francés Bolloré posee una importante participación de la destrucción de árboles y de incitar a la población local para protestar sobre derechos de tierras.


Radio Mundo Real | 03 feb 2016
El Estado hondureño se rehúsa a reconocer su condición de pueblo indígena y le niega el derecho a la tierra. Corporaciones y terratenientes avanzan con el monocultivo de palma africana, amenazando la soberanía alimentaria.


   Others  

IHU | 12 Feb 2016
Em um esforço gigantesco, o grupo financeiro americano e seus parceiros acumularam vastas áreas agrícolas, apesar de uma tentativa do governo brasileiro em 2010 para proibir que tais negócios se efetivassem em grande escala por parte de exploradores estrangeiros.


   Events  

Global AgInvesting | Dubai | 29 Feb 2016
GAI Middle East


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BANIR AGROTÓXICOS.

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A Campanha tem o objetivo de alertar a população sobre os perigos dos agrotóxicos, pressionar governos e propor um modelo de agricultura saudável para todas e todos, baseado na agroecologia.

Assine já, pelo banimento dos banidos! Entre no link abaixo.

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